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Com protecionismo, crise poderá atingir alimentos


Os governos devem evitar reduzir a ajuda à agricultura para os países em desenvolvimento e também estabelecer medidas protecionistas no comércio como resposta à atual crise financeira mundial, advertiu hoje o Diretor-Geral da FAO, Jacques Diouf.

Em comunicado durante a 34ª Sessão do Comitê de Segurança Alimentar Mundial da FAO, em Roma, Diouf afirmou que essas medidas podem aumentar o risco de uma nova crise de alimentos no próximo ano.

O risco existe apesar da previsão de uma colheita recorde de cereais em 2008. Segundo a última edição do informe da FAO “Perspectiva de colheitas e situação dos alimentos” (Crop Prospects and Food Situation), publicada hoje, a estimativa é de que a produção deste ano aumente 4,9% e alcance o recorde de 2.232 milhões de toneladas.

Mesmo assim, o informe acrescenta que 36 países no mundo ainda necessitam de ajuda externa como resultado das más colheitas, dos conflitos, da insegurança e do aumento contínuo dos preços locais.

“A grande incerteza que envolve agora os mercados internacionais e a ameaça de uma recessão mundial podem levar os países a estabelecer medidas protecionistas e rever seus compromissos com a ajuda internacional ao desenvolvimento”, disse Diouf.

“Será muito ruim se isso acontecer e evaporar a vontade política mobilizada recentemente para um maior apoio à agricultura dos países em desenvolvimento”, acrescentou.

De mal a pior

Diouf lembrou que a crise financeira, que acontece exatamente depois da crise de alta dos preços dos alimentos – que levou 75 milhões de pessoas à fome e à pobreza só em 2007 -, pode agravar a situação dos pobres nos países em desenvolvimento. “O ano passado foi ruim – afirmou – e o próximo pode ser pior”.

Os preços dos produtos básicos estão agora baixando, sobretudo devido às expectativas de uma colheita favorável, mas também por causa de um resfriamento no ritmo da economia mundial – entre outros fatores. Isso poderia significar uma diminuição no plantio, seguida de colheitas menores nos principais países exportadores. Como as reservas de cereais continuam baixas, essa situação poderia levar a um novo ciclo de preços altos no próximo ano: uma catástrofe para milhões de pessoas, que se encontrarão sem dinheiro e sem possibilidades de obter crédito.

O impacto da crise financeira será sentido também nos países em desenvolvimento em nível macroeconómico, com outros possíveis efeitos negativos na agricultura e na segurança alimentar, segundo Diouf. “Os empréstimos, a ajuda oficial ao desenvolvimento, os investimentos externos diretos e as remessas enviadas pelos emigrantes poderiam ser ameaçados por um agravamento da crise financeira”.

Ação urgente

Diouf lembrou que os governos e os líderes mundiais acordaram na Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar Mundial de junho passado, em Roma que “a comunidade internacional precisar atuar de forma urgente e coordenada para combater o impacto negativo da alta de preços sobre os países e populações mais vulneráveis do mundo”.

Lembrou também que, um mês depois, a Cúpula do G8 no Japão confirmou a decisão dos líderes mundiais de abordar a segurança alimentar mundial como uma questão prioritária e mostrou uma crescente vontade política para abreviar a tendência ao aumento da fome no mundo.

“É vital manter esse impulso – advertiu Diouf – se a vontade política e os compromissos dos doadores não se transformam em ação real e imediata, milhões de pessoas mais serão levadas a uma pobreza e desnutrição crônica mais profundas”.

“A crise financeira mundial não deve nos deixar esquecer a crise de alimentos. A agricultura necessita atenção de forma urgente e contínua para conseguir que a fome e a pobreza rural passem a ser apenas parte da História”, concluiu.

Link para o estudo “Crop Prospects and Food Situation” (em inglês): http://www.fao.org/docrep/011/ai473e/ai473e01.htm.

Texto produzido pela Agência ONU.

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