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Construção de redes é defendida em Seminários sobre Agroecologia

Seminários ocorrem na Assembléia Legislativa do RS - Foto: Kátia Marcon/Emater/RS-Ascar

Seminários ocorrem na Assembléia Legislativa do RS - Foto: Kátia Marcon/Emater/RS-Ascar

A necessidade de se construir redes de conhecimento entre pesquisadores, técnicos, agricultores e extensionistas foi defendida na manhã desta quarta-feira (26), na Assembléia Legislativa do Estado, em Porto Alegre , durante o X Seminário Estadual e o IX Seminário Internacional sobre Agroecologia. Mais de 800 pessoas acompanham as palestras e os debates do evento, que neste ano tem como tema central O Estado da Arte da Agreocologia.

Ainda durante a manhã, as referências à importância da extensão rural para o fortalecimento da agroecologia, o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Extensão Rural no RS, deputado Elvino Bohn Gass (PT), lamentou a redução de investimentos para a Emater/RS-Ascar, a partir da rejeição à emenda que suplementa em R$ 16 milhões a verba destinada à Instituição em 2009, votada na noite de ontem (25). “Isso compromete o trabalho de extensão rural, mas o Governo pode suplementar”, disse Bohn Gass, ao defender que “não vamos abandonar a importância da manutenção do trabalho dos extensionistas”.

Nem todo conhecimento é só tecnológico

Com esta afirmação, o coordenador do projeto de Transição Agreocológica da Embrapa, João Carlos Canuto, apresentou uma reflexão sobre as opções feitas pela academia e pelas organizações sociais, na disseminação dos estudos e conhecimentos que “mudem o paradigma dessa agricultura que tá indo pro abismo”, disse Canuto, ao destacar “o agravamento dos impactos sociais e ambientais que esse sistema vem gerando”.

O pesquisador salientou que a grande defesa da democracia da pesquisa é dizer que o trabalho é para todos, que a pesquisa tem compromisso social, “enquanto que isso quer dizer que a pesquisa está a serviço das commodities, até porque predomina o foco da pesquisa da agricultura de precisão, que não resolve os problemas técnicos da agricultura familiar”, observa. “Os agricultores familiares têm dificuldade em incorporar essas tecnologias por estas serem desenhadas para o agronegócio, ou seja, a pesquisa é pautada pelas demandas das empresas”, afirmou Canuto.

“A agricultura convencional ou moderna está embasada na simplificação das atividades, gerando pacotes e receitas, onde o papel da observação é acessório”, analisou Canuto, ao comparar que na agricultura familiar a observação é essencial. “Neste sentido, o conceito de agricultura é mais amplo, as receitas não são patenteadas e podem ser adaptadas a diferentes realidades, todas com livre acesso à informação, que vem desde os nativos e colonos, passando pelos intelectuais pioneiros e os cientistas que estão fazendo releituras e reinterpretações da agroecologia”, acrescentou.

Para Canuto, há necessidade do amparo do Estado e da academia, que devem contribuir para o avanço do conhecimento agroecológico e a conseqüente transição, aproximando os procedimentos da pesquisa científica da realidade dos agricultores.

Redes e homeopatia

A construção de redes que envolvam e integrem cientistas, técnicos, extensionistas, agricultores e instituições também foi defendida por Santiago Sarandón, da Universidade Nacional de La Plata, Argentina, que apresentou Os Desafios da Investigação em Agroecologia. “Apesar das dificuldades, a investigação agroecológica é possível e necessária e pode ocorrer a partir dessas redes de conhecimento”, salientou Sarandón.

A ciência da homeopatia foi abordada pela pesquisadora do CNPq e da Universidade Federal de Viçosa (MG), Fernanda Maria Coutinho de Andrade. Ela destacou que a homeopatia é utilizada para tudo, “desde que seja um organismo vivo, abrangendo até mesmo o tratamento de resíduos de laticínios”, observou, ao destacar que as pesquisas em homeopatia iniciaram em 1796 e que a certificação como tecnologia social foi dada pela Unesco apenas em 2003.

O Seminário prossegue na tarde desta quarta-feira (26), com o tema Socializando a Agroecologia, com palestras sobre A Sistematização como um instrumento para a socialização do conhecimento agroecológico, a Agroecologia no México: seu estado atual e suas perspectivas e sobre Construção da Agroecologia: perspectiva histórica a partir dos movimentos sociais.

Texto da jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues, da Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar

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