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Pesquisa adverte população para doenças transmitidas por alimentos

Metade das doenças é resultante de falhas higiênicas na manipulação dos alimentos

Metade das doenças é resultante de falhas higiênicas na manipulação dos alimentos

A carência de informações sobre higiene e segurança alimentar, destinadas aos segmentos populacionais mais vulneráveis às doenças transmitidas por alimentos (DTA), motivou o desenvolvimento de uma pesquisa coordenada pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) William Waissmann. O estudo foi submetido a um edital do CNPq e teve como produtos a construção de uma página eletrônica e três vídeos educativos, a fim de despertar a população para a prevenção das DTA, particularmente no ambiente doméstico.

As doenças transmitidas por alimentos (DTA) representam importante problema de Saúde Pública no mundo. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) indicam que metade dos casos de DTA no país ocorre no ambiente doméstico, resultante de falhas higiênicas na manipulação dos alimentos.

Dessa forma, a partir de um estudo epidemiológico feito com os portadores de HIV/Aids que estavam em tratamento nos 14 centros de saúde da rede pública do Rio de Janeiro, verificou-se que possuíam conhecimentos insuficientes na área de higiene e segurança alimentar. Os resultados apontaram que a maioria dos entrevistados (82,1%) não confere etiquetas, composição, data de validade e origem dos alimentos; metade dos participantes desconhece que alimentos sem alterações nas suas características sensoriais podem causar doenças e que produtos refrigerados devem ser selecionados ao final das compras; um terço não confere as condições dos ovos e 10% compram ou consomem carnes oriundas do comércio ambulante. Além disso, 71% dos entrevistados nunca foram orientados sobre o assunto em consultas com diferentes profissionais de saúde.

O site Cuidar dos Alimentos já está disponível no Portal Fiocruz e conta com um perfil de navegação diferenciado para os públicos infantil e adulto, abordando questões relacionadas a compra, preparo, armazenamento e conservação de alimentos no ambiente doméstico, com especificações para grupos especiais. Dois vídeos são direcionados aos públicos adolescente e adulto. No primeiro, apresenta-se a compra de alimentos em um supermercado, orientando o público de maneira correta à verificação das informações dos rótulos dos alimentos, aparência e métodos de conservação, além de critérios adequados para aquisição de alimentos. O segundo vídeo mostra os principais cuidados que devem ser adotados no preparo e conservação de alimentos e utensílios. O terceiro é voltado para o público infanto-juvenil e procura sensibilizar esse grupo por meio de um rap que trata da importância da higiene dos alimentos na prevenção das doenças.

De acordo com o coordenador da pesquisa, “a expectativa é de que os recursos educativos produzidos possam ser aplicados em diferentes ambientes, tais como: bibliotecas públicas, unidades de saúde, universidades, entidades e órgãos públicos, grupos da terceira idade e escolas, para a disseminação de conhecimentos básicos sobre práticas higiênico-sanitárias para promoção da saúde da população brasileira”, informou Waissmann.

A pesquisa e seus produtos serão apresentados em 30 de março, às 14 horas, no auditório térreo da Ensp, e a equipe técnica do projeto é formada pelas pesquisadoras Alessandra Veggi, Cristiane Miranda da Silva, Ivone Costa Soares e Tatiana Pastorello. Ainda segundo o coordenador, “os avanços desse projeto representam uma importante contribuição para a saúde pública, possibilitando, assim, um aumento dos conhecimentos necessários à população, em especial aos grupos sob maior risco, sobre práticas de segurança alimentar na prevenção das doenças transmitidas por alimentos, já que essas se constituem num grave problema, inclusive no Brasil”, finalizou. A pesquisa que deu origem aos produtos se chama Desenvolvimento de recursos educativos para um programa de educação e promoção da higiene e segurança alimentar para “populações especiais”: crianças, idosos, gestantes e indivíduos imunocomprometidos.

Por Agência Fiocruz de Notícias.

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