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Artigo mostra que educação é um bom remédio para o tratamento do diabetes

                                                          Foto: Cofen

No Brasil, calcula-se que existam mais de 5 milhões de pessoas com a doença
No Brasil, calcula-se que existam mais de 5 milhões de pessoas com a doença

A educação é uma poderosa ferramenta para o controle do diabetes. É o que afirmam pesquisadores da UFMG, USP, PUC-Minas e Fiocruz em artigo recém-publicado na Revista de Saúde Pública. A equipe comparou duas estratégias educativas adotadas em um hospital de Belo Horizonte: uma em grupo e outra individual. “As duas estratégias do programa educativo em diabetes foram efetivas, porém a educação em grupo apresentou melhores resultados de controle glicêmico do que a individual”, concluem a professora da UFMG e doutora pela Fiocruz Heloisa de Carvalho Torres e co-autores no artigo.

Em outras palavras, as duas estratégias foram semelhantes no que diz respeito à promoção de conhecimentos sobre a doença, seu tratamento e os cuidados com a saúde, como dieta e exercícios físicos. No entanto, em relação à redução e ao controle dos níveis de açúcar no sangue – um fator fundamental para os pacientes com diabetes –, a estratégia de educação em grupo se mostrou mais eficaz, segundo o estudo em Belo Horizonte. Existem hoje no mundo cerca de 120 milhões de diabéticos e estima-se que este número chegará a 300 milhões até 2025. No Brasil, calcula-se que existam mais de 5 milhões de pessoas com a doença, que acomete em torno de 8% da população do país com idade entre 30 e 69 anos.

“Considerando que a educação é fundamental para o autogerenciamento dos cuidados em diabetes mellitus, o serviço de endocrinologia e metabologia do hospital estudado tem realizado programa educativo com pacientes com diabetes tipo 2 desde 2001”, diz o artigo, assinado também por Laercio Franco, da USP, Mayara Stradioto, da PUC-Minas, Virginia Hortale, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), e Virginia Schall, da Fiocruz Minas. “O objetivo principal do programa é proporcionar uma maior adesão ao tratamento para o controle da doença”.

Na estratégia educativa em grupo, pouco mais de dez pacientes participam de encontros, com duração média de duas horas cada, nos quais são realizadas dinâmicas interativas e lúdicas. Já a estratégia individual consiste em uma consulta de cerca de 30 minutos na qual o paciente recebe orientações. No artigo, os pesquisadores apresentam dados relativos a 31 pacientes da educação em grupo e 26 da individual que participaram assiduamente do programa durante seis meses. Os primeiros participaram de 11 encontros e os outros, de seis consultas.

Todos os pacientes foram avaliados em três momentos distintos: no início, antes de qualquer encontro ou consulta, após três meses e após seis meses de intervenção educativa. As avaliações consistiam em exames clínicos e aplicação de questionários sobre conhecimentos e atitudes em relação à doença. “Ainda que não estatisticamente significativo, observou-se que o tempo de contato, o número de profissionais e o número de sessões na educação em grupo e individual promoveram melhora de conhecimentos e atitudes, favorecendo a mudança de comportamento dos pacientes para aderirem à dieta e às atividades físicas”, comentam os pesquisadores no artigo.

Os autores apontam o curto período de acompanhamento dos participantes (um semestre) como uma das limitações do estudo: eles acreditam que, com um período mais longo, seria possível detectar uma melhora mais expressiva, pois a mudança de hábitos é algo que requer tempo. Mesmo assim, foi possível observar uma redução dos valores de hemoglobina glicada (parâmetro usado para medir o açúcar no sangue), especialmente entre os participantes da educação em grupo, entre os quais este aspecto clínico caiu de 9,3% para 7,6%

Por Fernanda Marques, da Agência Fiocruz de Notícias.

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