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Pesquisa mede impacto das advertências nos maços de cigarro

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Um a cada dois fumantes afirma que as mensagens nas embalagens sobre os riscos do tabagismo fazem com que fiquem mais propensos a parar de fumar

Em abril, o Brasil começou a medir o impacto das advertências sanitárias nos maços de cigarro. O levantamento integra o International Tobacco Control Policy Evaluation Project (ITC Project), pesquisa internacional sobre políticas de controle do tabaco que pela primeira vez está sendo aplicada no país. Os dados permitirão mensurar de forma contínua o comportamento da população em relação às ações de controle do tabaco e possibilitará a comparação com experiências internacionais de outros 20 países.

Como parte das comemorações do Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, estão sendo divulgadas as informações preliminares do estudo. Os pesquisadores constataram que quase metade (48,2%) dos fumantes disse que as advertências nos maços de cigarros fazem com que fique mais propensa a deixar de fumar. As imagens e frases impressas impediram que 39,1% dos fumantes pegassem um cigarro quando estavam prestes a fumar, nos últimos 30 dias. E 61,6% dos fumantes (e 83.2% dos não-fumantes) disseram que as advertências os fizeram pensar, um pouco ou muito, sobre os riscos à saúde provocados pelo tabagismo.

De acordo com o estudo, o país vem alcançando bons resultados com as imagens de advertência nos maços, que provocam reações emocionais em quem as vê. A aversão às imagens não faz o fumante evitar apenas olhar para o maço, mas também pensar sobre os riscos envolvidos e evitar o próprio cigarro. Dos fumantes entrevistados, 84,9% disseram ficar muito ou extremamente preocupados quando veem as advertências. Dos 17 países em que a pesquisa foi aplicada, o Brasil aparece em segundo lugar na questão de fumantes com intenção de parar de fumar – 80% dos ouvidos querem deixar cigarro.

A pesquisa está sendo realizada em três capitais – Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre – em um universo de 1.800 pessoas, fumantes e não-fumantes, que será acompanhado por no mínimo três anos. A cada mudança na política de controle do tabaco no país, as mesmas pessoas serão entrevistadas, o que permitirá a comparação temporal dos dados. A primeira etapa da pesquisa brasileira será concluída ainda no primeiro semestre deste ano. Para o início de 2010, está previsto o início da segunda fase, que vai avaliar o impacto das novas imagens de advertência, que começaram a ser veiculadas este mês.

No Brasil, o estudo está sendo realizado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pela Universidade de Waterloo, do Canadá, sob a coordenação do professor Geoffrey Fong. Financiada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), a pesquisa e conta com o apoio da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) e do Laboratório de Neurobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

METODOLOGIA – O International Tobacco Control Policy Evaluation Project (ITC Project), primeira pesquisa multinacional sobre política de controle do tabaco, pretende medir o impacto psicossocial e comportamental dos pontos-chave da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, do qual o Brasil é signatário. A Convenção é um tratado internacional de saúde pública que estabelece mecanismos de cooperação entre os países para preservar as gerações presentes e futuras das conseqüências do consumo e da exposição à fumaça do tabaco, além de formas de proteção das políticas nacionais contra os interesses da indústria do tabaco.

A pesquisa inclui parâmetros para medir cada um dos pontos-chave da convenção, idênticos ou similares em todos os países participantes, a fim de permitir a comparação entre os participantes. O método de pesquisa consiste em apresentar determinadas afirmações a fumantes e não-fumantes e medir o quanto eles concordam ou discordam de cada uma. Os questionários apresentam perguntas sobre comportamentos do fumante, preços e taxação, medicamentos para deixar de fumar, cessação do tabagismo e imagens de advertência, entre outros.

DADOS BRASILEIROS – No Brasil, a pesquisa está em andamento e os dados apresentados hoje (27/05) são parciais. Até agora, foram entrevistados 345 moradores do Rio (140 fumantes e 205 não-fumantes), 160 de São Paulo (71 e 89 não-fumantes) e 212 em Porto Alegre (110 fumantes e 102 não-fumantes).

91,8% dos fumantes ouvidos disseram que se pudessem voltar atrás, não teriam começado a fumar (61.0% concordaram fortemente + 30.8% concordaram).

50% dos fumantes e 28% dos não-fumantes reparam nas imagens de advertência dos maços frequentemente ou muito frequentemente.

32,7% dos fumantes leram ou olharam atentamente para as advertências dos rótulos frequentemente ou muito frequentemente.

43.8% dos fumantes fizeram esforço para evitar olhar ou pensar sobre as advertências.

A despeito da quantidade considerável de informação acerca dos danos de fumar que apareceram nas embalagens dos cigarros brasileiros, 56.8% dos fumantes acham que os maços deveriam ter ainda mais informações de saúde do que possuem agora. Apenas 1,9% quer menos informação (entre não fumantes, 70.5% quer mais informação e apenas 1,3% quer menos).

Tanto fumantes quanto não fumantes estão bem informados quando perguntados sobre se determinada doença ou condição está ou não relacionada ao hábito de fumar.

Condições de saúde
Fumantes
Não-fumantes
Doença cardíaca
95
95,5
Impotência
81,9
89,4
Cegueira
43,6
38,9
Câncer de boca/garganta
95
97,7
Acidente vascular cerebral
83,2
86,1
Dentes manchados
96
98
Câncer de pulmão em fumantes
96
99
Câncer de pulmão em não-fumantes (tabagismo passivo)
78,2
91,7
Asma em crianças (tabagismo passivo)
88,2
93,7
Nicotina causa a maioria dos cânceres
79,1
93,7

Fonte: Ministério da Saúde.

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