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Produto Orgânico contribui para qualidade de vida

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Iogurte, suco de pêssego e pão orgânicos. Esse é o cardápio preferido para o café da manhã da estudante brasiliense Nohane Müller, 18 anos, que decidiu, em 2005, fazer uma reeducação alimentar. A taxa alta de colesterol pesou na decisão, pois estava 20% acima dos níveis considerados normais. “Minha nutricionista sugeriu incluir os orgânicos na minha dieta. Após um ano, refiz o exame e o resultado me surpreendeu: reduzi de 220 para 170 miligramas”, comemorou. Com isso, a jovem, que sonha em casar e ter dois filhos, também incentivou o pai a fazer o mesmo e disse que passará esse hábito de vida para as próximas gerações.

Os brasileiros estão, cada vez mais, em busca de bem-estar. Para isso, decidem se alimentar de forma saudável e praticar esportes. Itens que contribuíram para que Cláudia Maria de Souza Penuchi, 38 anos, tivesse uma gestação tranquila. “Quando engravidei, optei pelos orgânicos e comprei muitas verduras, legumes, frutas e arroz integral. Isso fez diferença, já que consegui manter os meus gêmeos, Eduardo e Henrique, hoje com dois meses, por 38 semanas. Quando não estiver mais amamentando vou alimentá-los com leite orgânico”, ressaltou.

Para o aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU), Expedito Pereira da Costa, 72 anos, o hábito de ter produtos orgânicos em casa foi adquirido aos poucos, por ele e seus 22 irmãos. “Há três anos fiz essa opção. Para ter produtos fresquinhos, levanto todos os dias cedo e vou ao supermercado. O meu único esforço é pegar a embalagem e colocá-la no carrinho”, explicou.

Selo – Para facilitar a vida dos consumidores ao identificar um produto de qualidade, que passou por processo rigoroso de inspeção, será lançado, no primeiro semestre de 2010, o Selo do Sistema Brasileiro de Conformidade Orgânica. Para usá-lo, os produtores deverão se regularizar no Ministério da Agricultura, até o dia 28 de dezembro de 2009.

Para os agricultores familiares serão fornecidas carteiras de identificação e cada um será responsável por verificar a qualidade dos alimentos orgânicos vendidos pelos “companheiros” em feiras e Ceasas.Esse sentimento de confiança, adquirido com o tempo, é o que resume a relação entre a corretora de imóveis, Carmen Figueiredo, 59 anos, e o produtor que vende alimentos orgânicos na “feirinha” da Asa Norte, em Brasília.  “Frequento o mesmo lugar há mais de 15 anos e sinto como se o agricultor fosse meu vizinho. Antes, tinha uma chácara e, desde que vim para cidade, escolhi os orgânicos. O sabor da banana é diferente, mais docinho”, enfatizou.

A adoção do selo também vai contribuir para dados estatísticos. Será possível ter informações sobre o número de produtores brasileiros, a área ocupada com esse tipo de plantação e volume produzido. “Hoje o que temos é uma estimativa de 15 mil produtores que cultivam área de 800 mil hectares”, explicou o coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Rogério Dias.

Produção – Trabalhar com produtos orgânicos requer cuidado e preparação. Antes de começar a plantar é necessário passar pelo “período de conversão”.  Trata-se do tempo adequado para um produtor deixar a forma convencional e iniciar a produção orgânica. Para isso, precisa adotar práticas como substituição de insumos, criação de nova biodiversidade e elaboração de plano de manejo. O período da mudança do sistema convencional para o orgânico depende da quantidade de insumos utilizada e do grau de conhecimento dos produtores em relação à agricultura orgânica.

No plantio de hortaliças, as fases de desenvolvimento vegetativo, formação do fruto e colheita levam em média, de 30 dias (no caso da rúcula) a 90 dias (cenoura). Após esse processo, são identificados por data, cultura, setor, lote, número de caixas e peso. Quando são produtos in natura, seguem para o setor de embalagem e, no caso dos processados, passam pela pré-lavagem.  O objetivo é retirar insetos e terra. Durante a armazenagem, as hortícolas devem permanecer em temperatura entre 6°C e 8°C.

Na fazenda Malunga – Pecuária e Agricultura Ecológica, a 75 quilômetros de Brasília, 150 profissionais atuam nos setores de verduras, legumes, pecuária e comercialização, distribuídos em 140 hectares, 40 só de hortícolas. Para verificar o processo de produção, representantes de supermercados e certificadoras fazem inspeções anuais.

Mercado – É possível encontrar produtos orgânicos nos supermercados todos os dias, não apenas no “Dia do Orgânico”. Além disso, uma vez por semana, a população pode conferir, nos estandes das redes de supermercados, explicações sobre os processos de produção e amostras para degustar.O diretor regional de supermercados do Distrito Federal, Onofre Silva, diz que a qualidade do produto é primordial. “Temos uma equipe de seis profissionais que fica na central de distribuição para cuidar da segurança alimentar.

Em cada uma das 600 lojas distribuídas pelo Brasil, contamos com nutricionistas que verificam a qualidade, refrigeração, rastreabilidade, armazenagem e distribuição dos produtos nas gôndolas”, explicou.De acordo com a gerente comercial de frutas, legumes e verduras de um grupo de supermercados, Sandra Caíres, os orgânicos representam 2,5% do total das vendas de hortifruti e os maiores consumidores estão nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. 

“Em 2008 tivemos uma receita de R$ 40 milhões e, nos últimos cinco anos, temos apresentado crescimento de 20%”, ressaltou.Na fazenda Malunga a receita, em 2007, foi de R$ 4 milhões e, em 2008, de R$ 4,8 milhões. “A expectativa é crescermos 25% neste ano. Vale ressaltar que os nossos funcionários se sentem donos do negócio, ao receberem 30% do lucro, além disso, temos o sistema de metas. Quando o número é alcançado, todos saem ganhando”, explicou a sócia-gerente da propriedade, Clevane Ribeiro Pereira Vale.

Histórico – Em 2003, foi publicada a Lei nº 10.831, que trata da produção de orgânicos no Brasil. No dia 28 de dezembro de 2007, os produtos orgânicos foram regulamentados, por meio do Decreto n° 6.323. Com isso, os alimentos passaram a ter regras de produção, armazenamento, rotulagem, transporte, certificação, comercialização e fiscalização de produtos. 

Em outubro de 2008 começaram a ser publicadas as Instruções Normativas para assuntos específicos, como a implementação da Comissão Nacional de Produção Orgânica e a Regulamentação dos Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal.Fonte: Ministério da Agricultura.

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