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Terça Ecológica debate os efeitos nocivos do glifosato

No Brasil o tema é silenciado, mas o glifosato é o principal causador de intoxicação

No Brasil o tema é silenciado, mas o glifosato é o principal causador de intoxicação

De olho na discussão que está fervilhando na Argentina, o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) realiza seu evento mensal com foco no glifosato – princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, usado nas lavouras transgênicas Roundup Ready. A discussão acontece dia 5 de maio, às 19h, no Plenarinho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O convidado da noite é o engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, que em suas pesquisas constatou a contaminação das águas do Guaíba com essa substância.

O NEJ/RS quer esclarecer e discutir as conseqüências do abuso de agrotóxicos. Na Argentina, uma pesquisa recente revelou que doses mínimas de glifosato causaram defeitos no cérebro, intestino e coração de fetos de várias espécies de anfíbios – um modelo tradicional de estudo para avaliação de efeitos fisiológicos em vertebrados, cujos resultados podem ser comparáveis ao que aconteceria com embriões humanos.

O ‘inofensivo’ glifosato

Vale lembrar que a Monsanto, que possuiu o monopólio da substância por 30 anos e ainda hoje é líder no mercado dos agrotóxicos, sempre “garantiu” que o glifosato é um produto inofensivo para a natureza, os animais e os seres humanos, possuindo nos rótulos do Roundup a informação de que era “biodegradável”. Esse produto começou a ser comercializado em 1973 e apenas em 1997 a empresa foi culpada por propaganda enganosa, sendo obrigada a retirar a inscrição.

Além disso, o fato do uso de agrotóxicos na soja ser baseada em uma decisão política-comercial e não em um estudo científico-sanitário, denuncia o papel complacente de parte do mundo científico. Os interesses econômicos acabam por suplantar a ética de alguns cientistas. O agrônomo Edilson Paiva, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, doutor em biologia molecular e membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), manifestou-se favorável ao uso do glifosato: “A vantagem na segurança alimentar é que os humanos poderiam até beber e não morrer porque não temos a via metabólica das plantas. Além disso, ele é biodegradável no solo” (Valor Econômico, 23/04/2007). Paiva atualmente é o vice-presidente da CTNBio, o órgão que avalia a segurança dos transgênicos e tem autorizado diversos produtos de maneira irresponsável.

A CTNBio está tomando decisões sem que os produtos transgênicos em votação passem pela comissão setorial de saúde do próprio órgão. A urgência com que o processo é realizado gera esquecimentos, como o da cobrança às empresas dos planos de monitoramento pós-liberação comercial.

Os efeitos comprovados no mundo

O estudo argentino, realizado pela Universidade de Buenos Aires, não é o primeiro a comprovar efeitos maléficos do glifosato para a saúde. Em 2005, o pesquisador francês Gilles-Eric Seralini, da Universidade de Caen (França) publicou na revista científica Chemical Research in Toxicology um estudo constatando que doses muito baixas de Roundup provocam morte em células humanas em poucas horas.

Em 2002, outro pesquisador francês, Robert Belle, diretor da Estação Biológica do Centro Nacional de Pesquisa Social de Roscoff (França) provou através de experimentos que o Roundup altera a etapa de divisão celular, levando-a a um grau de instabilidade que é próprio das primeiras etapas do câncer.

No Canadá, detectou-se que o uso de glifosato pelos pais acarreta aumento no número de abortos e nascimentos prematuros nas famílias rurais. Estudos laboratoriais também demonstraram inúmeros efeitos do glifosato sobre a reprodução: redução dos espermatozóides em ratos; maior freqüência de espermatozóides anormais e redução do peso fetal em coelhos.

As conseqüências

Após a divulgação da pesquisa, a Associação de Advogados Ambientalistas da Argentina entrou na Justiça pedindo a proibição da comercialização do produto, carro chefe de vendas da Monsanto. A ministra da Defesa da Argentina proibiu as Forças Armadas de cultivar soja transgênica em campos do exército situados em zonas urbanas e suburbanas, assim como em adjacências de bairros e instalações residenciais militares.

Na Alemanha, a ministra da Agricultura proibiu o plantio e venda do milho da Monsanto MON810 (liberado no Brasil), seguindo outros cinco países do bloco europeu. De acordo com a ministra, os dados em que ela baseou sua decisão apontam impactos ambientais negativos. Ainda nesse país, segue a polêmica iniciada por um apicultor amador que teve que destruir toda sua produção de mel após ter descoberto que ela estava contaminada por pólen de milho transgênico de uma estação experimental próxima a seu apiário.

No Brasil o tema é silenciado, mas o glifosato é o principal causador de intoxicação, apresentando 11,2% das ocorrências entre 1996 e 2002. Segundo o Centro de Informações Toxicológicas do Rio Grande do Sul, o número oficial de atendimentos de pessoas intoxicadas pelo herbicida vem aumentando nos últimos anos: em 1999 foram registrados 31 casos e em 2002 as ocorrências já aumentaram para 119. 

Por Eloisa Beling Loose – Especial para EcoAgência.

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