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Pesquisadores criam a carne bovina em pó

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A carne em pó é elaborada com cortes magros da parte dianteira e traseira de carne bovina, obtidos no abate e da desossa dos animais, para que o produto tenha o menor teor possível de gordura saturada. O processo é submetido ao controle de qualidade do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A mistura é transfomada em pó, sem a adição de temperos, estabilizantes e corantes industrializados. De fácil manuseio, o produto se dissolve rapidamente em sopas, purês, cremes e patês.

As análises feitas na mistura mostram que ela é rica em proteínas e fonte de ferro, como a carne vermelha comum. Ao mesmo tempo, possui baixos teores de gorduras saturadas e sódio (sal). “Numa pessoa adulta, uma porção de 15 a 20 gramas de carne em pó supre as necessidades diárias de proteína animal, ao lado da ingestão de leite e ovos”, explica a nutricionista Suely Prieto de Barros, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP de Bauru (mais conhecido com Centrinho), uma das responsáveis pelo projeto.

Cada 100 gramas (g) de carne em pó possui 80g de proteínas de alto valor biológico, 335 calorias e apenas 1,6 gramas de gordura. Segundo dados do Inmetro, na mesma quantidade de contra-filé grelhado sem gordura, são encontrados 2,02g e no lombo grelhado sem gordura, 3,30g. A idéia dos pesquisadores é oferecer um produto que possa ser encontrado no mercado a um preço acessível.

Aceitação
A carne em pó, que se encontra em fase experimental, passou por uma degustação coordenada por uma das pesquisadoras que participam do projeto. A mistura foi adicionada a dois tipos de sopa de legumes e servida a 32 pacientes pré e pós-operatórios de cirurgia bariátrica (redução de estômago) em Jaú (interior de São Paulo). O produto apresentou boa palatabilidade, e o sabor foi considerado leve e agradável. Também são acompanhados dois pacientes que fizeram cirurgias específicas e usam o alimento na dieta.

A mistura protéica é indicada para pacientes que apresentem quadro de disfagia orofaríngea (dificuldade de deglutir os alimentos), como nos casos de cirurgias de cabeça e pescoço, câncer (quimioterapia e radioterapia), esclerose lateral amiotrófica, acidente vascular cerebral, traumas múltiplos, Parkinson, Alzheimer, megaesôfago chagásico, entre outros. Também é recomendada nos pós-operatórios buco-maxilares e das cirurgias bariátricas, em crianças e idosos.

Uma indústria de alimentos está elaborando as embalagens e um logotipo para o produto. O alimento foi idealizado por Suely e o desenvolvimento científico teve a participação de Silvia Justina Papini-Berto, nutricionista e professora da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, e Maria Inês do Val Maringoni Marques, nutricionista do Centrinho. As pesquisadoras tiveram a colaboração de Roberto Clemiuc e José Luiz Herrera, do Grupo Bertin, na industrialização da mistura proteica em pó.

Por Júlio Bernardes / Agência USP .

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