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Produção de Fumo: pesquisa levantará danos à saúde de agricultores

Pesquisa pretende melhorar a qualidade de vida dos produtores familiares.

Pesquisa pretende melhorar a qualidade de vida dos produtores familiares.

Um estudo vai avaliar a doença da folha verde do tabaco e os problemas causados pelo uso de agrotóxicos em agricultores fumicultores de três municípios do sul do País: Boqueirão do Leão (RS), Pinhal Grande (RS) e Vitor Meireles (SC), abrangendo mil famílias. A pesquisa será realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), para melhorar a qualidade de vida dos produtores familiares.

 

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, Adriana Gregolin, o MDA investirá R$ 300 mil no estudo. Ela destaca que um dos focos do Programa é a qualidade de vida dos agricultores. “A doença da folha verde do tabaco é uma preocupação do Ministério, já que influencia diretamente a saúde das famílias agricultoras”, diz.

Os resultados da pesquisa serão importantes no trabalho de agentes sociais, líderes comunitários e órgãos públicos para a criação de mecanismos que viabilizem culturas alternativas para o desenvolvimento sustentável na agricultura familiar em regiões produtoras de fumo. A proposta do estudo é gerar conhecimentos que contribuam para promover uma vida mais saudável para os agricultores, em especial os fumicultores.

Para o MDA, a pesquisa vai gerar elementos a serem utilizados no planejamento de ações no Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco. Criado em 2005 pelo Governo Federal, sob a coordenação da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA, o Programa apóia projetos em regiões produtoras de tabaco com o intuito de gerar alternativas de produção e renda na agricultura familiar.

Doença do Tabaco Verde

Entre novembro e dezembro de 2008, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) realizou uma investigação de surto de doenças na época da colheita nas lavouras de tabaco, no município Candelária (RS). Neste local, quatro mil famílias se dedicam à atividade. Nesse período, foram detectados 46 casos suspeitos. Os sintomas foram encefaléia, náuseas, vômitos, fadiga muscular, zonzeira e alterações repentinas de pressão arterial.

Após a identificação dos casos, foram coletadas informações dos pacientes e realizados exames de resíduos de cotinina (identifica absorção dérmica de nicotina). Dos 46 casos investigados, 33 tiveram a confirmação de Doença do Tabaco Verde.

O Ministério da Saúde (MS) irá emitir comunicado a toda rede de saúde alertando para a ocorrência da doença nas regiões fumicultoras. O objetivo é despertar a atenção de médicos e equipes de saúde para os sintomas do mal. Será expedida, ainda, uma orientação do MS aos agricultores da cadeia produtiva do tabaco.

Para a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-Sul), a identificação dos casos em Candelária aponta para a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

Segundo a Federação, um estudo realizado na Índia aponta para 54% de prevalência da doença entre os trabalhadores. Os sintomas são mais agudos em períodos chuvosos, quentes, quando a absorção dérmica amplia por causa do suor.

Para o técnico agrícola da Fetraf-Sul, Albino Gewehr, uma informação como essa pode acelerar a decisão de diversificar a produção, levando os agricultores a buscar outras fontes de renda e evitar, assim, a dependência de uma única fonte de renda. Para isso, ele acredita ser necessário ampliar o Programa de Diversificação das Áreas Cultivadas com Fumo.

Dados técnicos
Índices padrões de cotinina:

Não fumantes – menos de 10 ng/ml (nanogramas por milímetro)

Fumantes – mais de 50 ng/ml (nanogramas por milímetro).
Índices encontrados:

Não fumantes trabalhadores na colheita do fumo – de 68 a 380 ng/ml

Fumantes trabalhadores na colheita do fumo – índices de 180 até 800 ng/ml.
 
Por  Luciane Bosenbecker – Imprensa Fetrafsul.

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