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Banco Mundial considera o projeto Paraná Biodiversidade modelo para o País e para o mundo

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Depois de seis anos de execução, o projeto Paraná Biodiversidade chega ao fim com a missão de divulgar seu modelo, que alia a conservação ambiental com a sustentabilidade, para o País e para o mundo. Essa foi a recomendação do consultor do Banco Mundial, Enrique Bucher, e do gerente do projeto do Banco Mundial, Michael Caroll, durante a apresentação do relatório final do projeto feita nesta quinta-feira (10), em Curitiba.

A apresentação do relatório contou com a presença dos secretários do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, da Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, do representante da Secretaria do Planejamento, Antonio Carlos Lugnani, técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Emater e de Organizações Não-Governamentais (Ongs), que se envolveram diretamente com o projeto.

O maior diferencial do projeto, segundo Caroll, é o envolvimento da propriedade rural. “Se queremos conservar a biodiversidade e o Estado só conta com 4% de remanescentes florestais, devemos trabalhar com o produtor rural que é quem detém a maior parte das áreas”, afirmou.

Caroll e Bucher enfatizaram a importância da integração entre as várias áreas de governo e de instituições públicas para o sucesso do projeto. “Em outros países isso é muito difícil de conseguir, considerando que cada órgão tem sua cultura particular”, observou Bucher. “Agora podemos dizer que o Paraná tem um produto para mostrar ao mundo”, complementou. Ele ressaltou ainda que o Estado agora conta com elementos para continuar esse trabalho como um programa de governo e não apenas como financiamento de um banco.

Para o secretário Rasca Rodrigues, o grande desafio do programa é que ele não seja encerrado agora, mas que tenha continuidade através do comprometimento ambiental da assistência técnica junto aos produtores. “Este foi o maior ganho do projeto”, disse o secretário, ao ressaltar a importância do trabalho de conscientização, assistência técnica e tecnologia da Emater e do Iapar junto aos produtores.

“Graças a esse envolvimento foi possível o plantio de 100 milhões de mudas de árvores para recomposição de matas ciliares”. Outro avanço do Paraná Biodiversidade citado por Rasca é que o projeto proporcionou o surgimento da primeira cooperativa para captação de carbono, formada por 187 agricultores, “que sem dúvida é a primeira do mundo”, enfatizou.

O secretário Valter Bianchini, da Agricultura, disse que o projeto mostrou a viabilidade de trabalhar com uma agricultura sustentável, aliando à necessidade de conservação ambiental com a produtividade das propriedades rurais. “São cerca de 1.700 unidades produtivas onde foram desenvolvidos sistemas de produção sustentável com sucesso”, afirmou.

Para Bianchini, o encerramento desta etapa deixa um conhecimento e aprendizado importante para a continuidade de projetos semelhantes que o governo do Estado está implementando como o Programa de Gestão Ambiental Integrada por Microbacias (PGAIM) e Programa de Inclusão Social no Campo.

“Para nós da Agricultura é importante demonstrar que as iniciativas de conservação do ambiente e da biodiversidade estão conectadas com o aumento da produtividade. Portanto, elas passam a ser um atrativo importante na propriedade”, afirmou.

Lugnani, do Planejamento, ressaltou a importância do diálogo entre as instituições parceiras na adoção de um modelo produtivo que seja viável economicamente e ambientalmente. Ele destacou também que o programa não se encerra, e o que fica é a maneira de pensar do agricultor que agora é tem a preocupação com a conservação da biodiversidade.

RESULTADOS – O Projeto Paraná Biodiversidade contou com investimentos de R$ 55 milhões no período 2003 a 2008, entre financiamento direto do Banco Mundial e contrapartida do governo do Paraná.

O programa garantiu a conexão dos remanescentes florestais no Estado e a recomposição de 167 mil novos hectares de florestas. O programa foi desenvolvido com investimentos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), administrado pelo Banco Mundial que priorizou ações para da biodiversidade e contrapartida do Estado.

O Projeto Paraná Biodiversidade, lançado em 2003, foi uma iniciativa inédita no mundo, que garantiu a construção de três corredores de Biodiversidade, conectando remanescentes florestais existentes no Paraná, a Unidades de Conservação e Áreas de Preservação Permanente. São eles: Corredor Araucária, Caiuá – Ilha Grande e Corredor Iguaçu – Paraná.

Os corredores estão garantindo o aumento da biodiversidade e o retorno e o fluxo permanente da flora e da fauna. Além disso, o Projeto buscou compatibilizar a produção rural e a conservação nas propriedades rurais existentes no entorno dos Corredores. Para garantir a sustentabilidade dos agricultores que converteram suas produções da agricultura convencional para a agricultura de menor impacto e sem o uso de agrotóxico na região dos Corredores, o Projeto construiu 40 módulos agroecológicos.

Foram 63 municípios, dentro destes três corredores, diretamente envolvidos com atividades de conservação ambiental, como a capacitação e a educação ambiental que atingiu mais de 200 mil pessoas. Mais de 100 técnicos executores mobilizaram 14 mil produtores para conservar remanescentes florestais, solos e água, restaurar a mata ciliar e as reservas legais, além de mudarem a forma como faziam agricultura.

A gerente técnica do projeto, Gracie Abad Maximiano, disse que os resultados foram tão surpreendentes que os agricultores sonham com a continuidade das ações que integram a preservação do meio ambiente. “Muitas pessoas foram beneficiadas, principalmente os agricultores que foram capacitados. Espero que o projeto continue para todo Estado do Paraná, uma vez que servimos de modelo para nosso país e outras nações”, disse.

OUTROS RESULTADOS – O gerente do Corredor Araucária, Celso Alves de Araújo, ainda destacou outros resultados positivos. “Criamos uma conexão com agricultores dos 11 municípios do Corredor, por meio dos módulos agroecológicos e da educação ambiental, que se mostrou fundamental para o andamento do programa”, declarou.

Atualmente existem cerca de 27 módulos agroecológicos no Corredor Araucária, em que produtores rurais recebem recursos para adotar práticas agrícolas menos impactantes. Como exemplo, Celso Araújo citou o trabalho de industrialização agroecológica de frutas e o beneficiamento de ervas medicinais no município de Inácio Martins.

Na região também foram desenvolvidas atividades de educação ambiental que mudaram a realidade do homem do campo. Através de palestras, oficinas e workshops os agricultores passaram a perceber que, além de manter suas propriedades e seus cultivos, também é fundamental manter a floresta, cuidar das matas ciliares e preservar a fauna e a flora.

Outra conquista do programa é o aumento em 63,3 mil hectares da cobertura florestal na região do Corredor. Grande parte deste ganho pode ser atribuída aos trabalhos de recuperação da vegetação desenvolvido em parceria com o programa Mata Ciliar, mas também são significativos os resultados obtidos com a regeneração natural das espécies, como araucária, canela, monjoleiro e cedro.

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná.

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