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Combate à desnutrição faz déficit de altura cair mais de 75% em crianças

Pesquisa mostra que crianças estão se alimentando melhor

Pesquisa mostra que crianças estão se alimentando melhor

O acesso à alimentação está aumentando a estatura das crianças brasileiras. O déficit de altura nas meninas menores de cinco anos, um dos principais indicadores de desnutrição, caiu 85% de 1974 a 2007. Entre os meninos, a redução foi de 77% no mesmo período. Pesquisa inédita Saúde Brasil 2008, do Ministério da Saúde, avaliou o crescimento da população e verificou que, caso o Brasil mantenha o ritmo, a desnutrição será praticamente nula entre 10 e 15 anos.

Porém, isso não significa que, necessariamente, a população está se alimentando de maneira saudável. O mesmo estudo mostrou que o risco de obesidade vem aumentando no país, principalmente entre os jovens do sexo masculino.

“O aumento da altura do brasileiro é um reflexo da melhoria do padrão nutricional. Os investimentos em políticas públicas de distribuição de renda, de saneamento e de melhorias na alimentação e nutrição contribuíram para avanços e superação da desnutrição no país”, analisa Deborah Malta, uma das responsáveis pela pesquisa Saúde Brasil 2008 e coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não-transmissíveis do Ministério da Saúde. Ela destaca que o crescimento na estatura das crianças, o maior entre todas as faixas etárias, permite ao país uma visão otimista quanto ao fim da desnutrição infantil, considerado um problema de saúde pública.

Segundo Deborah Malta, os dados apontam exatamente a mudança no perfil nutricional do brasileiro, de um estado de desnutrição para o sobrepeso. O aumento do risco de obesidade entre os adolescentes alerta para o padrão de alimentação dos jovens. “Eles optam cada vez mais por produtos gordurosos e deixam os exercícios físicos de lado. Um comportamento que pode continuar na vida adulta”, avalia a coordenadora.

A pesquisa Saúde Brasil 2008 comparou o resultado de cinco questionários domiciliares sobre estatura e Índice de Massa Corporal (IMC) realizados no Brasil entre 1974 e 2007. É a primeira vez que o estudo, feito anualmente pelo Ministério da Saúde, traz informações sobre altura e risco de obesidade.

Brasileiro está mais alto

A análise sobre a redução no déficit de altura mostra que as crianças brasileiras estão cada vez mais próximas do padrão internacional estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é feito a partir das medidas antropométricas (peso e altura) de meninos e meninas sadias. Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), do Ministério da Saúde, apontam que a desnutrição atingia, em 1996, 13,4% das crianças com menos de cinco anos. Caiu para 6,7% em 2006 – queda de 50% em dez anos.

O Saúde Brasil 2008 demonstra ainda que os ganhos em altura ocorrem também nos adolescentes de 10 a 19 anos. Nessa faixa etária, a redução foi de 70%, aproximadamente, em 29 anos (1974-2003). “Uma vez que se tem maior acesso a alimentos, as crianças podem crescer em todo o seu potencial genético. Assim, as novas gerações estão ganhando em altura” explica Deborah Malta.

Os avanços são observados também na população adulta. O estudo comprova que o brasileiro está mais alto. As mulheres ganharam 3,3 cm em 14 anos. Elas cresceram quase duas vezes mais que os homens, passando de uma média de 1,55m, em 1989, para 1,58m, em 2003. Eles, nesse período, aumentaram 1,9 cm no tamanho e chegaram a uma média de 1,70 m em 2003 – contra 1,68m em 1989. Entretanto, esse ganho de altura entre os adultos ainda está abaixo do padrão mundial usado como referência.

Homens com mais risco de obesidade

O estudo aponta também um aumento na relação entre peso e altura (Índice de Massa Corporal – IMC). A tendência de crescimento é maior entre os meninos de 10 a 19 anos. Esse grupo apresentou o maior risco de obesidade, com um aumento de 82,2% do IMC em 29 anos. “Embora os números demonstrem que os meninos estão abaixo do padrão referência da OMS, preocupa o aumento crescente do peso deles”, analisa Deborah Malta.

Entre as meninas de 10 a 19 anos, o aumento do IMC foi de 70,3%. Contudo, no caso delas, existe uma tendência a estabilidade. Elas apresentam índices próximos do padrão de referência. Também há diferença entre os dois sexos na idade adulta. Enquanto o risco de obesidade dos homens aumentou constantemente em 29 anos, as mulheres mantiveram o índice estável nos últimos 15 anos da análise.

“O estudo aponta uma reação das mulheres contra o sobrepeso. Dos anos 90 à atual década, o peso delas tende à estabilidade. Esta situação ainda é mais clara entre mulheres com maior escolaridade e renda. Elas demonstram muito mais preocupação com o corpo e a saúde do que os homens”, afirma Deborah Malta. Ela acrescenta que o aumento do peso é uma tendência mundial que reflete as mudanças no padrão de alimentação e do estilo sedentário da população. “Em todo o mundo, aumentou o consumo de alimentos industrializados, com mais gordura e açúcar”.

No Brasil, entre 1974 e 2003, as mulheres ganharam 1,6 kg/m² e os homens, 2,2 kg/m². O estudo Saúde Brasil 2008 indica que, apesar do aumento, a média do IMC do brasileiro ao fim do período avaliado está muito próxima dos 25 kg/m². O sobrepeso é caracterizado quando o IMC ultrapassa esse valor e a obesidade, quando o índice fica acima de 30. O excesso de peso atinge uma parcela significativa da população. Dados do Ministério da Saúde de 2008 apontam que 43,3% das pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais estão com sobrepeso.

Promoção da saúde

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde repassou mais de R$ 92 milhões para projetos de promoção da saúde, incentivo à atividade física e hábitos alimentares saudáveis. Ao todo, 460 municípios foram beneficiados. Em novembro deste ano, mais R$ 51 milhões serão destinados às iniciativas no setor. Ao todo foram selecionados projetos de 1.260 municípios. “Com isso, esperamos aumentar os níveis de atividade física da população, contribuindo com o controle do sobrepeso”, afirma Deborah Malta.

Suplemento alimentar

O Ministério da Saúde investe, anualmente, R$ 37 milhões em ações de promoção de hábitos alimentares saudáveis, prevenção e controle de distúrbios nutricionais e doenças associadas à alimentação nos estados e municípios, além da capacitação de profissionais. Desse total, R$ 22 milhões destinam-se a compra e a distribuição de suplemento de ferro e vitamina A. Esses produtos ajudam no combate à desnutrição e à mortalidade de crianças de seis meses a cinco anos de idade. Em 2009, 450,5 milhões de comprimidos e 9 milhões de frascos desses dois suplementos foram distribuídos aos estados, beneficiando 10,9 milhões de pessoas.

Com o objetivo de fortalecer as ações de promoção e orientação para uma alimentação saudável nas cidades, o Ministério aumentou o número de municípios que recebem recursos diretos para iniciativas no setor. Em 2009, 172 municípios receberam o incentivo, contra 132, em 2008. Isso porque antes apenas as cidades com mais de 200 mil habitantes recebiam a verba. Agora, conforme portaria publicada em outubro de 2009, o critério passou a ser municípios com mais de 150 mil. Os governos locais das 172 cidades receberão R$ 6,33 milhões. Contando com os valores repassados aos estados, o total será de R$ 8,63 milhões.

Hábitos saudáveis

Além desse investimento, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta hoje com 526 nutricionistas e 382 profissionais de educação física que acompanham o trabalho das equipes de Saúde da Família em todo o país. Eles atuam nos Núcleos de Apoio da Saúde da Família em ações de promoção da saúde, incentivo e orientação para uma alimentação saudável e prática de exercícios, acompanhamento do peso e estatura dos pacientes. Os núcleos foram criados em 2008, com o objetivo de reforçar o trabalho das equipes de saúde da família. Atualmente, 769 estão em funcionamento em todo o país.

A promoção e orientação sobre alimentação saudável é também uma das diretrizes do programa Saúde na Escola, em que as equipes de saúde da família atuam nas instituições, com o apoio dos professores. A iniciativa, criada em 2008, atende 2,6 milhões de alunos em 608 municípios de todos os estados brasileiros e Distrito Federal. O programa funciona em 16.470 escolas, onde atuam 2.700 equipes de saúde da família.

Fonte: Ministério da Saúde.

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