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Certificação deveria ser um elo de comunicação entre a cidade e o campo

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“A certificação mais bonita que existe é a do olho do agricultor. A gente vai à feira, olha no olho do agricultor e tem certeza que aquele produto é orgânico”. Essas palavras, pronunciadas pelo produtor de arroz biodinâmico no município gaúcho de Sentinela do Sul, João Volkmann, refletem bem a relação do novo consumidor brasileiro: aquele que consome produtos orgânicos.

Volkmann foi um dos palestrantes do painel “A Situação da Produção de Orgânicos no RS”, promovido pela equipe do Programa de televisão da Rede Record, Vida Orgânica, nesta quinta-feira (3), durante a abertura da Bionat Expo – Feira de Produtos Orgânicos, Fitoterápicos e Plantas Bioativas, Mostra de Ecoturismo e Turismo Rural e o Espaço Vida Sustentável, no Armazém B do Cais do Porto, centro de Porto Alegre.

O debate, com mediação da jornalista e apresentadora do Vida Orgânica, Lara Ely, trouxe ainda a participação da fundadora e diretora da Escola Amigos do Verde de Porto Alegre, Sílvia Lignon Carneiro e da coordenadora da Cooperativa de fibra ecológica Univens, Nelsa Inês Fabian Nespolo.

João Volkmann entende que a certificação “deveria ser um elo de comunicação entre a cidade e o campo”. O consumidor, no seu entender, tem o direito de descobrir, através da internet, em que lugar foi produzido determinado alimento que está chegando à sua mesa. Produtor de arroz há mais de 20 anos, ele acrescentou:

– Nosso arroz é bem conhecido aqui em Porto Alegre. As pessoas sabem que usamos a agricultura biodinâmica, sem nenhum veneno. Mas se eu for vender meu arroz em Salvador (BA), o consumidor terá que se apoiar em algum tipo de garantia para que o produto possa ser consumido com segurança.

Ele lembrou, também, que em sua região, Serra do Sudeste gaúcho, um dos graves problemas ambientais é o cultivo de fumo. “Os produtores que plantam fumo com agrotóxico, são considerados como se fossem bandidos. Mas eu tenho uma sugestão melhor. Entendo que o é papel do consumidor mudar isso. Imagina se um fumante, ao invés de usar a carteira de cigarro no bolso, usasse um buquê de flores. E a cada 20 minutos ele pegasse uma flor daquelas e ficasse olhando pelo mesmo tempo em que estaria absorvendo o cigarro. Então, o que teríamos plantado lá no interior? Nós teríamos flores, não fumo”, afirmou. Volkmann acredita que existe uma grande responsabilidade por parte do consumidor. Ele tem essa força de poder mudar os hábitos de cultivo.

Olhar amoroso

A diretora da Escola Amigos do Verde, Sílvia Lignon Carneiro, destacou que a instituição existe há 25 anos. Segundo ela, impulsionar o uso de orgânicos foi uma das formas de trabalhar com a ecologia no dia-a-dia. “Essa atitude”, acrescentou, “está respeitando o solo, a água, a flora, a fauna. Isso é um ato ecológico. Acima de tudo tu estás fazendo esse olhar amoroso com o planeta”.

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A escola, segundo ela, começou sua caminhada com a idéia de que a questão ecológica permeasse o dia-a-dia de alunos, professores e funcionários, não como uma disciplina fragmentada, mas dentro de um paradigma ecocêntrico, no qual todos pudessem vivenciar uma escola nessa busca ecológica, respeitando e trabalhando a sustentabilidade. “Nós acreditamos que a questão da alimentação orgânica, no dia-a-dia com as crianças, é uma prática, como muitas outras que venham a propiciar essa postura ecológica de sustentabilidade”, enfatizou a diretora da escola Amigos do Verde.

As distâncias aproximam

Já a costureira Nelsa Inês Fabian Nespolo lembrou que a cadeia ecológica de Algodão solidário Justa Trama reúne um grupo de cooperativas do norte ao sul do país. O algodão é plantado no Ceará . Em Pará de Minas, Minas Gerais, 279 trabalhadoras de uma empresa que havia falido e transformou-se em cooperativa, fazem o fio e tecido do algodão. Parte vai para São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A cadeia de produção é completada com a Cooperativa Açaí, em Rondônia, que produz botões com sementes. No total, cerca de 700 pessoas movimentam todo o negócio.

“As distância ao invés de nos afastarem, nos aproximam”, afirma a constureira Nelsa, “pois a gente acaba tendo um sonho em comum. Nosso trabalho se resume em dois grandes objetivos: o compromisso com a preservação do meio ambiente em todos os elos da cadeia , pois nada vai fora. E o compromisso de ajudar o país com a distribuição de renda, que é a maior causa das injustiças sociais.

No entanto, ela mostra também sua preocupação com o final dessa cadeia produtiva. Diz que nada seria viável sem a presença do consumidor que usa a roupa produzida acologicamente. E lembra de dados de pesquisas que mostram que cada camiseta produzida de forma convencional abriga 165 gramas de agrotóxicos e um terço de todo o veneno usado na agricultura é aplicado no algodão.

Participam da cadeia ecológica de algodão solidário Justa Trama, as cooperativas Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (São Paulo), Cooperativa de produção Textil de Pará de Minas (Minas Gerais), Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Porto Alegre), Cooperativa Fio Nobre dos Tecelões da Região do Município de Itajaí (Santa Catarina), Cooperativa Industrial de Trabalhadores em Confecção Stilus (São Paulo) e Cooperativa de Trabalho dos Artesãos do Estado de Rondônia (Rondônia).

A Bionat Expo, que tem entre seus objetivos Contribuir para o aumento e popularização do consumo dos produtos orgânicos, fitoterápicos e plantas medicinais, sensibilizando a população sobre a importância do consumo desses alimentos para a saúde e para o meio ambiente, encerra neste domingo (6), no armazém B do Cais do Porto. A entrada é franca.

Texto e fotos de Juarez Tosi, para o Vida Sustentável.

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