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Projeto de educação ambiental destaca a importância da biodiversidade

                    Fernando Tavares

Você se lembra do tatu-bolinha? Também conhecido como tatuzinho-de-jardim, o bichinho é comum em canteiros e faz parte das descobertas e brincadeiras de muitas crianças. Ou, pelo menos, fazia, já que está cada vez menos comum a convivência com plantas e animais diversos na infância.

De toda forma, o tatu-bolinha não ficará esquecido. Ele se tornou o principal personagem de um projeto de educação ambiental desenvolvido pelo pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Walter Matrangolo. As atividades tiveram início em 2005 e envolvem cursos para professores, produção de história em quadrinhos, trabalhos pedagógicos com uso de terrário, palestras e teatro de bonecos.

Apresentado durante o VI Congresso Brasileiro e II Congresso Latino Americano de Agroecologia, o “Projeto de Ecoalfabetização Tatu-Bolinha” foi bastante elogiado pelos participantes, que reuniram-se em Curitiba no mês de novembro.

Walter explica que o projeto foi idealizado para ampliar a discussão relativa à biodiversidade. “O objetivo é disseminar os princípios de ecologia, para que haja um impulso consciente em direção às práticas agroecológicas”, afirma.

E por que usar o tatu-bolinha? O pequeno crustáceo pode parecer sem importância, mas atua no processo de decomposição de matéria orgânica. “Ele reduz o tamanho das folhas secas e facilita a ação de fungos e bactérias, que fazem a ciclagem de nutrientes mais rápido”, explica o pesquisador. Ou seja, os tatuzinhos ajudam a acelerar a disponibilidade de nutrientes no solo para uso pelas plantas. “Se houver um ambiente sem micro-organismos para fazer decomposição, não adianta ter matéria orgânica que o solo ficará infértil”, comenta Walter. “Por isso, quando agrotóxicos baixam a biodiversidade de um local, passa-se a depender de adubos químicos”, completa.

Como parte do projeto, houve uma pesquisa no Laboratório de Criação de Insetos da Embrapa Milho e Sorgo em que foi avaliada a capacidade das fezes do tatu-bolinha na retenção de água. Cada grama foi capaz de absorver 2,483 mililitros, constatando que as fezes funcionam como “microesponjas” e ajudam a reter a água. “Na verdade, são compostos orgânicos, resultado da alimentação com folhas, que aumentam a conservação de umidade no solo”, explica o pesquisador.

As atividades do projeto demonstram que os tatuzinhos são organismos que também afetam processos, como o ciclo da água, a ciclagem dos nutrientes e a conservação do solo. Isto é, as ações desenvolvidas apresentam a importância da biodiversidade. O bichinho, que virou personagem de história em quadrinhos e teatro de bonecos, é usado para trabalhar os princípios da alfabetização ecológica.

Professores de escolas públicas da região de Sete Lagoas assistiram a uma contação de história sobre o tatu-bolinha, abordando tópicos de ecologia. A iniciativa foi divulgada pelo jornal do Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais, e teve repercussão até fora do estado. Motivou uma escola de Diadema, interior de São Paulo, a investir num projeto sobre o tema direcionado a crianças. A professora Eliane Parente, do Instituto Educacional Stagium, incentivou os estudantes a buscarem tatuzinhos e realizarem pesquisas voltadas para as ciências naturais.

Este ano, terrários com tatu-bolinha foram utilizados como ferramenta de sensibilização em atividades de educação ambiental com estagiários da Embrapa Milho e Sorgo e estudantes de Ensino Fundamental e Médio que visitam a Empresa no Programa Embrapa e Escola. Walter Matrangolo ressalta a importância das ações: “valorizar a biodiversidade e suas funções ecológicas traz inúmeros benefícios. O tatu-bolinha pode contribuir para a educação ambiental por dispor de características intrínsecas que podem ser utilizadas para atrair a atenção para as Leis Naturais”.

Por Marina Torres, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG).

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