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Comunidades discutem agroecologia e alternativas sustentáveis em curso

Grupos dividos para a discussão - Foto:Gustavo Nascimento

Representantes de 31 instituições e de diversas comunidades, estados e países se reuniram, nos dias 25 e 26 de janeiro, no assentamento Peraputanga, em Diamantino (205 Km de Cuiabá), para discutir alternativas agroecológicas para comunidades rodeadas por soja. O curso, promovido pelo Insituto Centro de Vida (ICV) e o Centro de Apoio Socioambiental (CASA) teve como principal objetivo promover um intercâmbio entre os participantes e fornecer informações sobre alternativas sustentáveis frente à vertente da soja.

As atividades foram divididas em duas partes: atividades em grupo e palestras. Durante a manhã os participantes se dividiram em grupos por regiões, Br-163, Br-158, Bacia do Paraguai e visitantes de fora do estado.
Todos tinham que responder a mesma pergunta: “Como a soja se relaciona com a sua vida?”, e apontar fatores positivos e negativos do agronegócio.

Em diversos depoimentos dados alguns fatores foram comuns: a infra-estrutura que o cultivo da soja trouxe, como positivo, e o excesso de agrotóxicos que as lavouras despejam no ar, nos rios, nas comunidades e nas cidades, como ponto negativo.

“A soja trouxe sim benefícios para Mato Grosso, mas, a que custo? Pagamos muito caro por isso, às vezes com a vida”, foi o que relatou Epifania Vuaden, pequena produtora. Uma das alternativas sustentáveis apontadas pelo curso já está acontecendo no próprio assentamento Peraputanga, que financiado pelo Casa, criou um viveiro e está fornecendo mudas de árvores destinadas ao reflorestamento para os assentamentos da região da Bacia do Paraguai (Nortelândia, Alto Paraguai e Diamantino).

A Terra Em um mundo cada vez mais populoso e faminto o cultivo da soja está cada vez maior e a busca de terras para o plantio também está aumentando. Isso, aliado ao alto custo das lavouras, faz com que os pequenos agricultores optem pelo arrendamento de suas terras para grandes produtores ao invés de cultivarem eles mesmos a terra.

Para James Cabral, coordenador da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e um dos palestrantes do curso, isso é um grave engano, pois arrendando as terras os pequenos produtores continuam responsáveis por tudo o que é feito nelas, inclusive crimes ambientais. “O que acontecer nas terras é responsabilidade do proprietário e, muitas vezes, os grandes fazendeiros se aproveitam disso”.

Segundo o coordenador, ao invés do arrendamento, os pequenos agricultores podem percorrer um caminho diferente ao do agronegócio e apostar no mercado interno do estado, porque apesar de Mato Grosso ser o maior exportador de soja do Brasil, ele importa praticamente toda a comida que consome. E é aí que a agricultura familiar pode fazer a diferença.

“A agricultura familiar é a principal saída para produções sustentáveis, eles podem ser incluídos nas proposições de segurança alimentar dos municípios”, afirma James Cabral. Incentivo Desde 2009, a Lei 11.947, do Governo Federal, determina que 30% dos alimentos destinados à alimentação das escolas públicas sejam oriundos da agricultura familiar.

O assentamento Ena em Feliz Natal é um dos que já consegue vender a sua produção para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) sendo um exemplo estimulante para outros assentamentos. O Projeto A iniciativa faz parte do projeto “Protegendo as Nascentes do Rio Paraguai” executado pelo ICV nos municípios de Diamantino, Alto Paraguai e Nortelândia, envolvendo as comunidades dos assentamentos Peraputanga, Capão Verde, Caeté e Raimundo Rocha. O projeto é financiado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN – International Union for Conservation of Nature, em inglês).

Texto de Gustavo Nascimento / Estação Vida.

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