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Ribeirinhos do Amazonas vão cultivar orgânicos

Projeto Sargento Agrário foi criado em 2007 pelo Exército brasileiro e agora conta com apoio do Sebrae

A inclusão social e a melhoria da qualidade de vida de aproximadamente 300 famílias de baixa renda que vivem em regiões isoladas do Amazonas ganham um importante aliado: o Exército brasileiro. Por meio do Projeto Sargento Agrário, que passa a contar com parceria do Sebrae, está sendo disseminada nessas comunidades a tecnologia social Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS). Em 2010, o Exército pretende investir mais de R$ 500 mil na ação.

A parceria incentiva comunidades indígenas e mestiças, localizadas próximas aos pelotões de fronteira, a produzir hortaliças e frutas, além de criar animais de pequeno porte. A idéia é que a produção seja para consumo das próprias famílias, melhorando sua alimentação. O excedente da produção será comprado pelo Exército para abastecer os pelotões. “Com isso, estamos injetando riqueza na ponta e fazendo com que a comunidade se fixe e não derrube a floresta”, diz o general Marco Aurélio, da 12ª Região Militar – Comando Militar da Amazônia.

A nova perspectiva de vida das comunidades ribeirinhas surge com a união de dois programas: o Sargento Agrário, criado em 2007 pelo Exército brasileiro, e o PAIS, desenvolvido pelo Sebrae e outras instituições. “Queremos mudar a realidade dessas famílias. É uma grande oportunidade para elas passarem a oferecer produtos de qualidade e em quantidade”.

O PAIS é uma tecnologia social que reúne procedimentos simples de produção agroecológica e de promoção do desenvolvimento sustentável. Sua estrutura funciona com um galinheiro no centro, uma horta ao redor, um quintal agroecológico e um sistema de irrigação por gotejamento. Desde 2005, o Sebrae Nacional já investiu cerca de R$ 10 milhões na implementação dessa tecnologia social no País inteiro. Atualmente, esse sistema está implantado em 7 mil localidades espalhadas por 21 estados e Distrito Federal.

O Projeto Sargento Agrário conta com dois técnicos agrícolas nos Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) para prestar assistência técnica às comunidades próximas. Atualmente, existem 32 desses profissionais atuando em 11 pelotões na Amazônia. São sargentos do Exército com formação em técnica agrícola. O general Marco Aurélio explica que, neste momento, cada pelotão está se informando sobre a cultura local de plantio.

Primeiros passos

O trabalho terá início nas comunidades mais carentes, a maioria indígenas, presentes em 11 comunidades do Alto Rio Negro e do Alto Solimões no Amazonas, explica o general. Nesse primeiro momento, o Exército está implantando o modelo PAIS em cada um dos seus pelotões de fronteira. O Sebrae tem capacitado os Sargentos Agrários na metodologia do PAIS. Esses profissionais, por sua vez , terão a missão de repassar o conhecimento às comunidades. “Começaremos pelas comunidades indígenas do Norte. Têm comunidades que vão reagir e provavelmente jamais adotem o PAIS, como é o caso de Maturacá. Nessa comunidade, os índios mais velhos não querem plantar. O sargento local adotou a solução de trabalhar com as crianças, mostrando a horta e como se planta”, conta o general Marco Aurélio.

Na segunda fase do trabalho, as famílias ganharão insumos e assistência técnica do Exército, para que cada uma delas possa montar sua própria unidade do PAIS. “O Exército já gastou R$ 209 mil para implantar a tecnologia nos 11 pelotões. Em 2010, esse valor irá para R$ 500 mil”, afirma o general. O custo da montagem de uma unidade é de aproximadamente R$ 7 mil, além do custo dos insumos. “O primeiro requisito que o produtor terá que ter para fornecer para o Exército é estar incluído no Sistema Público de Aquisição (Seaf), além de oferecer qualidade e quantidade”, explica.

“Para as famílias da comunidade da região de fronteira do Amazonas, a produção de hortaliças e frutos de forma agroecológica vai trazer, além de mais qualidade na alimentação, uma visão de negócio”, ressalta Newman Costa, coordenadora nacional do PAIS pelo Sebrae. O Exército também irá apoiar as comunidades a escoar a produção excedente para ser utilizada pelos municípios vizinhos na merenda escolar.

Por Regina Xeyla, enviada especial da Agência Sebrae de Notícias(ASN).

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