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FAE demonstra uso culinário das folhas de batata-doce

Hortaliça com grande valor nutritivo

Resistindo ao excesso de chuvas e ao calor tórrido do verão, as folhas de batata-doce possuem grande valor nutritivo. “O consumo de apenas 100g garante nossa necessidade diária de vitaminas C e A” informa a nutricionista Herta Karp Wiener. Ela ressalta ainda o alto teor de cálcio e de ferro presente nas ramas que costumam ser descartadas.

“Há muito tempo as folhas de batata-doce fazem parte da dieta de povos asiáticos. Elas são comumente encontradas nas feiras e quitandas na Liberdade, o famoso bairro oriental de São Paulo”, comenta Herta.

Uma Oficina de Culinária, demonstrando receitas com as folhas de batata-doce, acontece nesse sábado na Feira dos Agricultores Ecologistas. As atividades iniciam às 9h30min, na Banca do Meio localizada ao lado do caldo-de-cana.

Além de deliciarem-se com a torta salgada, há outras receitas disponíveis e os interessados podem aprender o processo de branqueamento que neutraliza os fitatos. Estas substâncias funcionam como um agrotóxico natural da planta que a protege dos insetos. No cozimento, os fitatos tornam insolúveis proteínas e minerais, propiciando o surgimento de cálculos renais.

Extremos de calor e umidade

Condições meteorológicas das últimas semanas têm dificultado a produção de hortaliças orgânicas. O excesso de chuva seguido pelo calor tórrido impede o desenvolvimento de várias culturas típicas de um cardápio saudável.

O produtor Jonato Coelho, do município de Morungava, lista beterraba, cenoura, brócolis, couve, rúcula, alface e tempero verde como alguns produtos cuja oferta tende a diminuir na Feira dos Agricultores Ecologistas. “Usar a folha de batata-doce em molhos ou saladas pode ser uma boa alternativa, pois ela está adaptada às adversidades do verão.”

Outras variedades cultivadas com sementes crioulas resistem melhor às intempéries. “Chegamos a perder metade do que foi semeado”, comenta José Mariano Matias, que com outras quatro famílias cultiva três hectares de hortaliças no município de Eldorado do Sul. Para Matias, o que sobrevive melhor nessa época: “é batata-doce, azedinha, dente-de-leão, manjericão, bertalha e outras nativas que podem ser comestíveis”.

Inços e PANCs

Muitas espécies tidas como inços, integram o grupo das Plantas Alimentícias Não Convencionais, as PANCs. O botânico Eduardo Rapoport, da Universidade de Bariloche, foi quem iniciou a divulgação sobre as plantas comestíveis nativas das Américas, junto ao meio acadêmico. Segundo ele, um terço das plantas consideradas como ervas daninhas pode ser utilizada como alimento.

“Trazer as espécies nativas para o nosso cardápio é uma maneira de defender a biodiversidade e contrapor-se ao imperialismo gastronômico europeu” argumenta Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, e membro do Ingá, Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais.

Integrando um projeto de Extensão da UFRGS com o InGá, foi elaborada a cartilha Biodiversidade pela boca: Plantas Alimentícias Não Convencionais, PANCs. A primeira parte da cartilha, feita em 2009, trata das hortaliças, apresentando seu valor nutricional e algumas receitas.

A Cartilha das PANCs está disponível na FAE, pelo menos uma vez por mês, quando o InGá vem à feira para divulgar seu trabalho em defesa do meio ambiente, protestando contra a construção das hidrelétricas nas Bacia Hidrográficas Gaúchas.

A Feira dos Agricultores Ecologistas acontece todos os sábados no canteiro centaral da primeira quadra da avenida José Bonifácio em Porto Alegre , das 7h às 13h.

Publicações relacionadas às PANCs:
KINUPP, Valdely F. & BARROS, I. B. I. 2007. Riqueza de Plantas Alimentícias Não-Convencionais na Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Biociências, v. 5, supl. 1, p. 63-65. http://www.bibliotecadigital.ufrgs.br/da.php?nrb=000635324&loc=2008&l=8ef1c2fd11f70952
RAPOPORT, E. Malezas comestibles: hay yuyos y yuyos…CienciaHoy, v. 9. N. 49, nov-dec, 1998. (http://www.cienciahoy.org.ar/hoy49/malez01.htm) Gomzalez, A. Janke, R. & Rapoport, E. H. Valor nutricional de las malezas comestibles (http://www.cienciahoy.org.ar/ln/hoy76/malezas.htm).

Texto da jornalista Cláudia Dreier – feiracoolmeia@yahoo.com.br.

One Response to “FAE demonstra uso culinário das folhas de batata-doce”

  1. 1
    Joacir Zaramella:
    POR FAVOR, MORO EM SÃO PAULO E PRECISO URGENTE DE FOLHAS DE BATATA DOCE. ONDE POSSO ENCONTRÁ-LAS NESTA CIDADE.
    OBRIGADO

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