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Produtores de orgânicos no Paraná buscam certificação

Programa Paranaense de Certificação dos Produtos Orgânicos vai atestar produção (foto: Fred Veras - ASN/PR)

Atuam hoje no Paraná mais de quatro mil produtores rurais dedicados à agricultura orgânica, mas menos de 10% deles possuem certificação de seus sistemas de produção ou processamento. A informação, que é da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB), mostra um dado preocupante: a falta do atestado dificulta o acesso a mercados e a melhor remuneração dos produtos.

Para começar a mudar essa realidade, o Sebrae/PR vem incentivando os 16 integrantes da Associação de Agricultores de Produtos Orgânicos de Ribeirão Claro (APO), no norte do Paraná, a obterem a certificação de seus produtos. A solução apontada 0 foi o Programa Paranaense de Certificação dos Produtos Orgânicos, uma iniciativa do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

Os associados da APO adotaram, em julho de 2009, o sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS). O projeto, apoiado pelo Sebrae/PR e outras entidades na região, permite a produção de alimentos sem o uso de fertilizantes sintéticos, pesticidas, organismos geneticamente modificados, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos sintéticos para a alimentação animal.

Denise Bensi Domingues, engenheira agrônoma do Programa Paranaense de Certificação dos Produtos Orgânicos, conta que 11 propriedades já receberam visitas técnicas para avaliação das condições para obtenção do documento. Segundo ela, o conceito de certificação para agricultura orgânica baseia-se em aspectos sociais, ambientais e econômicos. “Nas visitas são feitas orientações aos produtores e recomendação de soluções. Todos os agricultores avaliados têm grande potencial para conquistar a certificação. Falta cumprir alguns requisitos de rastreabilidade dos produtos. Os interessados em obter o selo precisam registrar, por meio de planilhas, anotações completas sobre todo processo de produção. Esse é o principal desafio para eles”, explica Denise.

A agrônoma menciona ainda que uma das exigências para a obtenção da certificação de produção orgânica é a elaboração de um plano de manejo, documento no qual devem constar as ações futuras previstas para cada horta certificada. Segundo a profissional, antes de emitir as certificações, o Tecpar irá realizar uma análise de resíduos da produção. “Quando o auditor realiza a auditoria, analisa o passado da produção, por meio dos documentos de registro, o presente, por meio da visita ao local e o futuro por meio do plano de manejo. Todos os documentos pesam no momento da obtenção do certificado. A auditoria somente será requerida a partir do consenso de que os produtores estão aptos para submeterem suas propriedades à análise. Isso deve ocorrer até julho”, explica Denise.

Semanalmente, os agricultores ligados à APO produzem cerca de cinco mil pés de alface, além de almeirão, couve, escarola, rúcula, agrião e cheiro verde, entre outras hortaliças. Beterraba, cenoura, ovos, frutas e frangos também integram a produção orgânica de Ribeirão Claro.

O consultor do Sebrae/PR em Jacarezinho e gestor do projeto de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), Odemir Capello, destaca que o sistema combina respeito ao meio ambiente, estímulo ao relacionamento entre as famílias, geração de renda e melhoria de qualidade de vida das comunidades. “A certificação propicia aos produtores suporte técnico e incentivo à capacitação, o que assegura maior confiabilidade para o consumidor em relação à origem dos produtos. Também abre novos mercados e possibilita elevar o valor da produção”.

Com o apoio do Sebrae/PR, os produtos produzidos por meio da tecnologia PAIS ganharam embalagens especiais para identificação. Odemir Capello explica que foram idealizados dois tipos de embalagens, um para acondicionar as verduras e outro para cheiro verde. “A produção orgânica de Ribeirão Claro está sendo comercializada em supermercados de Jacarezinho, município vizinho. As embalagens foram desenvolvidas por uma empresa paulista. Estamos treinando produtores para realizarem plantões no varejo para divulgar os benefícios desses produtos”, frisa o gestor.

O grupo de agricultores, que deve chegar a 30 em breve, aceitou o desafio de implantar em suas propriedades hortas de formato circular. Diferentemente da horta comum, as hortas agroecológicas são demarcadas em forma de mandala, abrigam um galinheiro ao centro e três círculos de canteiros que recebem mudas variadas de hortaliças e leguminosas.

A irrigação dos canteiros é feita por meio do sistema de gotejamento. Uma área de compostagem supre a necessidade de adubação das culturas e um quintal circular é destinado à produção de frutas, grãos e outras culturas. A produtora orgânica e presidente da APO, Marilda Aparecida Baggio Victor, enumera alguns benefícios da produção agroecológica.

“Um dos mais importantes entraves da produção orgânica no Paraná é que, apesar de muitos agricultores cultivarem de acordo com as normas da agricultura orgânica, os produtos acabam sendo vendidos como convencionais por falta da certificação. Com ela, além de receber o valor justo pela produção, os produtores têm a vantagem de manusear produtos sem os riscos tóxicos de uma produção tradicional”, avalia Marilda.

Ao contrário dos institutos tradicionais, cujo processo pode custar em torno de R$ 2 mil, por meio do Programa Paranaense de Certificação dos Produtos Orgânicos, os agricultores familiares não têm custos para certificar sua produção orgânica.

Participam do Programa a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e a Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (Fafipar). O PAIS é uma parceria do Sebrae/PR, Núcleo de Aprendizagem Paulo Sogayar (NAPS), Prefeitura de Ribeirão Claro, Instituto Paranaense de Extensão Rural (Emater) e Instituto Ventura. O projeto conta com o apoio do Banco do Brasil e do Sindicato Rural de Ribeirão Claro.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias/PR.

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