Vida Sustentável

Vida Sustentável

Vida Sustentável RSS Feed
 
 
 
 

Glúten gera polêmica entre especialistas em nutrição

O macarrão de domingo está em perigo, assim como a cervejinha de sábado e o pão nosso de cada dia. Aveia, trigo, cevada e centeio contêm glúten, uma proteína que tem gerado polêmica entre os especialistas em nutrição humana. Há quem defenda que ele pode se tornar prejudicial para o organismo de qualquer pessoa e não apenas para quem sofre de doença celíaca, patologia que atinge um em cada 214 paulistanos – de acordo com dados divulgados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com base em uma amostra de 3 mil voluntários.

A nutricionista funcional Valéria Paschoal, diretora da VP Consultoria Nutricional, faz parte da corrente que vê o glúten como vilão. “A má digestão do glúten pode causar sérios problemas intestinais, pois bactérias e fungos que vivem ali consumirão esse alimento fermentado para obter energia e se multiplicar. Em excesso, esses micro-organismos são prejudiciais e causam inflamações que levam a microfissuras na parede do intestino”, esclarece ela.

Valéria explica que a reação negativa do organismo a um elemento nutricional não é uma exclusividade do glúten e pode ser desencadeada por qualquer alimento consumido em excesso. No caso dele, contudo, a reação é importante porque se trata de um componente frequente na dieta: está presente em pães, bolos, biscoitos e em algumas massas. A má digestão do nutriente levaria ao desenvolvimento de uma hipersensibilidade alimentar, que pode se manifestar de várias formas: inchaço abdominal, diarreia ou constipação, rinite, asma, artrite, prurido, dermatite, acne – e até alterações de humor, como ansiedade. “Quando o organismo se depara com uma proteína mal digerida, como o glúten, ele reconhece aquilo como algo estranho, que deve ser eliminado. E dispara uma resposta inflamatória para combater o agente estranho”, detalha.

Na avaliação de Valéria, o excesso de glúten teria impacto negativo sobre a tensão pré-menstrual (TPM), estimulando a compulsão alimentar característica desta fase. “A proteína mal digerida pode formar substâncias chamadas de ‘opioides like’, ou seja, elementos que agem como drogas no organismo. Um exemplo é a gluteomorfina, elemento derivado do glúten. A pessoa sente falta do alimento alergênico e o busca frequentemente, como um vício”, detalha Valéria. Segundo ela, o glúten pode ser retirado do cardápio sem prejuízos nutricionais, mas a decisão deve ser discutida sempre com um profissional. “Pessoas hipersensíveis ao glúten, muitas vezes, já apresentam melhora apenas ao retirar trigo e derivados da dieta, sem ter de abolir, por exemplo, a aveia. Por isso, é importante uma avaliação individual antes de tomar qualquer decisão nutricional”, recomenda.

Para Valéria, existem vários alimentos de elevado valor biológico para substituir itens com glúten. “Quem for diagnosticado como celíaco, tiver hipersensibilidade ou quiser diminuir a ingestão do glúten pode trocar trigo, aveia, cevada, centeio e malte por arroz, milho, quinoa, soja, amaranto, batata, mandioca, inhame, entre outros”, indica a profissional.

A hipersensibilidade ao glúten também é associada por alguns profissionais ao excesso de peso. Esta é a aposta também da terapeuta Regina Racco, autora do livro “Glúten e Obesidade, a verdade que emagrece” (Editora RRacco, R$ 27,90). Na obra, ela defende que “o glúten interfere no bom funcionamento do organismo, causando excesso de peso e gordura localizada – principalmente na região do abdome”. A autora propõe uma abstinência de oito semanas para atenuar o quadro.

O nutricionista clínico Leonardo Haus, especialista em emagrecimento, também destaca uma sensibilidade maior ao glúten em obesos. “As reações inflamatórias intestinais que surgem em consequência da obesidade podem desencadear um quadro clínico muito similar ao do celíaco, embora não se trate da doença. Apenas os sinais e sintomas se assemelham. Neste caso, o indivíduo deve reduzir os carboidratos, especialmente os refinados”, detalha.

Haus também aponta ligações entre o glúten e uma alteração dermatológica conhecida como dermatite herpetiforme. “É uma doença cutânea crônica e benigna que se caracteriza por uma sensação de queimadura e coceira. Pode ser considerada uma variante da doença celíaca, em que o paciente tem lesões de pele, apresentando também intolerância permanente ao glúten. Fatores genéticos, o sistema imunológico e a sensibilidade ao glúten exercem um papel importante nesta doença”, diz.

Na avaliação do nutrólogo Edson Credidio, doutor em ciências de alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o ataque ao glúten deve ser visto como uma medida exagerada. “Hoje existem dietas da moda que colocam o glúten como verdadeiro veneno, mas não devemos dar importância a estas condutas. Basta lembrar que já nos proibiram os carboidratos, o leite, os ovos, o café , o chocolate … E, depois de muito tempo, notou-se que tudo não passava de engodo. O melhor a fazer é comer um pouco de tudo. Quanto mais colorido e variado for o prato, melhor. Na verdade, nada é proibido ou prejudicial se inserido em um plano alimentar harmônico e balanceado”, conclui.

Doença é mais comum entre as mulheres

A doença celíaca é uma patologia que afeta o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos, precipitada pela ingestão de alimentos que contêm glúten. “A doença causa atrofia das vilosidades da mucosa do intestino delgado, causando prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água. Os sintomas podem incluir diarreia, dificuldades no desenvolvimento (em crianças) e fadiga, embora a doença nem sempre provoque sintomas”, explica o nutrólogo Edson Credidio.

Segundo o médico, a doença é mais comum entre as mulheres. “Aparece na proporção de duas para cada homem. É considerada uma desordem autoimune, ou seja, quando o organismo ataca a si mesmo. Os sintomas podem surgir em qualquer idade após o glúten ser introduzido na dieta”, explica Credidio.

O tratamento da doença celíaca consiste em evitar alimentos que contenham glúten, substância que também pode aparecer em alguns medicamentos. Hoje, já existem vários alimentos específicos para celíacos no mercado. “Assim que o glúten é removido da dieta, a cura costuma ser total. Os sintomas desaparecem e a parede do intestino se recupera totalmente de seis a 12 meses após o início da dieta sem glúten”, detalha Credidio.

Pessoas que têm parentes com doença celíaca precisam ser investigadas, mesmo na ausência de sintomas. “Também corre mais risco quem tem diabete do tipo 1, doença autoimune da tiroide, síndrome de Turner e síndrome de Williams”, enumera. (G.R./AE).

Fonte: Yahoo! Notícias.

Comente!!

Compre aqui

Indicamos

Receba nossas informações:


Nome:



Email: