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Sementes crioulas contribuem com conservação da agrobiodiversidade

Guardiões de sementes têm um papel fundamental no processo de conservação genética (Foto: Ana Luiza Viegas Embrapa Clima Temperado)

Cerca de 180 pessoas participaram na quinta-feira (15), do primeiro dia de atividades do Seminário Internacional Sementes Crioulas – O hoje e o amanhã. O evento ocorreu na Embrapa Clima Temperado  e reuniu guardiões de sementes, produtores, estudantes, pesquisadores, professores e demais profissionais interessados no assunto.

“As sementes crioulas representam uma alternativa válida tanto para agricultores quanto para populações urbanas, pois resultam de um longo processo de adaptação ao ambiente das propriedades e, consequentemente, são ricas em variabilidade nutricional e funcional e podem favorecer muito o consumidor atual”, destacou o coordenador do evento, Irajá Ferreira Antunes.

Ele disse ainda que durante dois dias, através das atividades propostas foi possível conhecer melhor as formas de utilização das sementes, o que se pode vir a ser feito, identificar mecanismos que mantenham os guardiões e as pessoas que deverão substituí-los dando continuidade ao trabalho para as gerações futuras. “Junto com os colegas de outros países, procuramos dar um novo olhar e relevância ao processo de guarda de sementes crioulas na América Latina, afinal as sementes são patrimônio de todos, a serviço da humanidade”, concluiu Irajá.

O Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, Clenio Nailto Pillon destacou que os guardiões de sementes têm um papel fundamental no processo de conservação genética, pois as instituições públicas não dispõem de mecanismos para cuidar sozinhos desse patrimônio da humanidade. “Esse é um trabalho muito rico e importante. Esperamos delinear novos caminhos que possibilitem estabelecer políticas públicas em prol desses guardiões, que estão preservando a nossa agrobiodiversidade e contribuindo com a valorização da cultura e das características regionais”, disse ele.

A Diretora Executiva da Embrapa, Tatiana Deane de Abreu Sá, proferiu palestra sobre as sementes crioulas no contexto do ecodesenvolvimento, enfocando os desafios da pesquisa e da transferência de tecnologia relacionada à temática. Em sua fala destacou a relevância do Trabalho desenvolvido pela Embrapa Clima Temperado em relação à temática e afirmou “essa Unidade pode ser considerada como uma guardiã da biodiversidade dentro do sistema Embrapa”.

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rubens Nodari falou sobre as possíveis consequências da redução da diversidade genética, através da perda das variedades crioulas. Para o meio rural, ele se referiu ao aumento significativo da vulnerabilidade dos agricultores, diminuição da capacidade de enfrentar os problemas oriundos pelas mudanças climáticas, geração dos serviços ambientais, redução da possibilidade de inovação, perda de autonomia sobre as sementes e diminuição do acesso a outros produtos que não sejam alimentos. “Esses riscos também se estenderiam aos moradores das cidades, que poderiam enfrentar problemas relacionados a redução de acesso aos alimentos tradicionais, simplificação da dieta e maior fragilidade frente ao mercado, favorecendo o aumento de preços em função da redução da oferta de determinados tipos de alimentos”, explicou.

Nodari disse ainda que a pressão pela seleção de cultivares que proporcionassem aumento no rendimento das lavouras, não levou em conta aspectos nutricionais. Houve uma redução na quantidade de vários nutrientes em algumas variedades, chegando até 70% no teor de cálcio (Ca) em variedades melhoradas de brócolis. “Assim, acredito que em dentro de um breve espaço de tempo, as variedades crioulas poderão proporcionar o material genético para recuperar esses aspectos que antes foram desprezados em função da pressão econômica sobre o resultado das lavouras”, explicou.

O “Seminário Internacional Sementes Crioulas – O hoje e o amanhã” contou com o apoio do Confie – Convênio Incra-Fapeg-Embrapa.

Por Christiane Rodrigues Congro, jornalista Embrapa Clima Temperado.

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