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Produtores de Ponta Porã tem mercado certo para o algodão orgânico

Algodão orgânico vale quase o dobro do convencional no mercado brasileiro

Campo Grande – A cotonicultura no Mato Grosso do Sul esteve, nos últimos anos, bastante restrita à produção de grande porte. A razão é explicada pelo diretor executivo da Associação Sul-mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampasul), Adão Hoffman, que elenca com facilidade as dificuldades do cultivo na agricultura familiar. “O algodão atrai uma variedade de pragas: pulgão, lagarta, bicudo… só para o bicudo é preciso seis aplicações de veneno”.

Gastos constantes com agrotóxicos – incompatíveis com o baixo valor de mercado da produção familiar –, o contato direto com toxinas e o alto consumo de água na irrigação (cada botão da planta consome mais de 2,5 litros) colaboram para manter a cultura do algodoeiro distante do pequeno produtor.

Esta situação, no entanto, vem se transformando desde 2009, por conta da iniciativa de oito produtores de Ponta Porã, integrantes do assentamento Itamaraty, que apostaram na produção de 11 hectares de algodão orgânico.

A aposta, no caso, não tem nada de incerta. É que os custos que poderiam inviabilizar o negócio, como o processo de certificação e a compra de sementes e insumos, foram subsidiados por uma empresa de confecções, a YD, em troca de fornecimento exclusivo. “O cultivo do produto em sua forma orgânica é a única maneira do pequeno produtor se inserir no mercado do algodão”, relata Vitor Carlos Neves, um dos membros do assentamento e secretário do Núcleo de Agroecologia do local.

O espaço certo para o escoamento da produção e o valor agregado na venda foram os principais incentivos para os produtores do Itamaraty levarem adiante a ideia. “Logo na primeira colheita, a arroba do algodão de caroço orgânico foi vendida por R$ 27 para a YD”, diz. Quase 50% a mais do que o convencional, cuja mesma quantidade valia R$ 14.

De acordo com Neves, a negociação com a empresa se deu durante uma visita técnica organizada pelo Sebrae à Biofach – edição nacional da maior feira de orgânicos do mundo. A caravana teve o objetivo de apresentar aos produtores as possibilidades do mercado de orgânicos. Foi o que aconteceu. “Em 2006, a gente cultivava soja orgânica. Desde essa época não usávamos agrotóxicos na terra”, relembra. “Isso acelerou bastante nosso processo de certificação e começamos logo a produzir o algodão”, conta.

A YD, que possui uma grife exclusivamente voltada para a moda orgânica, atualmente, compra o algodão produzido por agricultores do Paraná, de Minas Gerais e do assentamento em Mato Grosso do Sul. No entanto, de acordo com o consultor do Sebraej Mato Grosso do Sul, Jair Pellegrin, a produção brasileira ainda é insuficiente para suprir a necessidade da empresa. “Sendo bastante otimista, só 25% do que a empresa precisa é produzido no País. O restante precisa ser importado do Paraguai, do Peru e até da Índia”.

Para ele, este é um mercado que ainda pode ser muito explorado. Em 2009, segundo a Organic Exchange, associação internacional de algodão orgânico, esse tipo de produção cresceu 20% e mesmo assim ainda representa apenas 0,76% do que é produzido no mundo.

Jair Pelegrin explica que a indústria de confecções é a grande consumidora do produto orgânico, e sua alta demanda é reflexo da consciência que vem tomando o público consumidor. Para ele, a ideologia orgânica ultrapassa a alimentação. “Os compradores desses produtos são universitários ou consumidores de meia-idade que já incorporaram o orgânico ao seu estilo de vida. Aceitam pagar mais para saber que estão colocando em contato com sua pele uma roupa sem nenhum tipo de toxina”, relata.

As cerca de 450 peças disponíveis para venda são confeccionadas exclusivamente com algodão adquirido de produção familiar, e a pigmentação é realizada através de tinturas naturais: pau-brasil para a cor vermelha, a erva-mate para verde e o jamelão para azul. Todos igualmente com certificação de orgânicos.

Por Andriolli Costa e Janaína Mansilha, da Agência Sebrae de Notícias.

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