Vida Sustentável

Vida Sustentável

Vida Sustentável RSS Feed
 
 
 
 

Respeito à vida: a necessidade de refletir a cultura de exploração

Para Carlos Naconecy, discriminação entre as espécies, permeia a nossa realidade

Busca pelo comprometimento com a antiviolência e a atitude de respeito aos animais. Iniciou nesta quinta-feira (16), no SESC Campestre, em Porto Alegre, o III Congresso Vegetariano Brasileiro. Até domingo, dezenas de palestras discutem o vegetarianismo de diversos pontos de vista, desde a ética, o autoritarismo, os impactos ambientais do consumo de carne e em nossa própria saúde.

Na palestra de abertura, o doutor em filosofia e autor do livro “Ética e Animais”, Carlos Naconecy, falou sobre “os desafios psicológicos e estratégicos para a defesa animal”. Para o filósofo, a mentalidade especista, ou seja, de discriminação entre as espécies, permeia a nossa realidade. “Cada vez que se vê um animal é tido como inferior ao humano, tu estás em pleno processo de atitude especista, isto se dá nas mais variadas dimensões, 24 horas por dia”.

A mentalidade comum é a de que os humanos são superiores moralmente, portanto que é correto comer animais e, também, de que precisamos comê-los por uma questão de saúde. Entretanto, sabe-se dos malefícios de uma dieta carnívora e de sua associação a muitos tipos de câncer, diabetes e outras doenças.

O filósofo fez a distinção entre vegetarianos e os veganos. O vegetariano tem um viés alimentar em relação aos animais, enquanto que o vegano tem a mesma atitude de respeito, mas amplia para outras dimensões da vida. Diante disso, Naconecy defende que ninguém é vegano em sua totalidade, mas que se busca ser diariamente, minimizando a opressão destas espécies, porque os animais servem para a produção não apenas de alimentos, mas também de roupas, pneus, medicamentos, cosméticos e muito mais.

O ativismo acaba sendo a saída para tentar promover um debate crítico em relação a nossa cultura, que não deve ser vista como algo estático, mas sim em mudança contínua. O filósofo defende como a melhor forma para conseguir a adesão das outras pessoas em relação ao não-consumo e não-exploração dos animais é através da busca pelo envolvimento de quem é carnívoro, ao invés de tratá-lo como bandido. Grande parte da militância vegetariana acaba sendo um tiro no pé porque ao ser agressivo e taxativo com o interlocutor, o outro se coloca numa posição de defesa e ataca de volta, preservando sua auto-estima.

Outro desafio é o de não transformar o movimento numa seita, numa doutrina, o que acaba gerando o isolamento e enfraquecimento. O ideal é espalhar as idéias para o maior número de pessoas, a fim de tornar a causa de aceitação popular.

Para mudar-se um comportamento tão enraizado em nosso cotidiano, assim como a exploração animal, é preciso informação e reflexão. Carlos Naconecy lembra que não podemos forçar alguém a ser algo que ainda não se está preparado a ser. “Fomos ensinados e condicionados aos nossos conceitos”, as mudanças são graduais e é preciso o trabalho em conjunto para que não se fique apenas apontando o dedo.

Texto e foto de Danielle Sibonis/EcoAgência de Notícias Ambientais.

Comente!!

Indicamos

Receba nossas informações:

Nome:



Email: