Vida Sustentável

Vida Sustentável

Vida Sustentável RSS Feed
 
 
 
 

Feira Ecológica participa de campanha em prol das sementes crioulas

Neste sábado, 16 de abril, a Feira dos Agricultores Ecologistas participa de um movimento mundial em prol das sementes crioulas. A Banca do Meio disponibiliza o endereço de uma petição eletrônica e também folhas impressas para quem quiser assinar manifestando-se à favor da liberdade de circulação das sementes e das variedades agrícolas.

Militantes de vários países encontram-se, neste domingo e segunda-feira, 17 e 18 de abril, em Bruxelas na Holanda para manifestar sua opinião em prol das sementes questionando a “Lei das Sementes” a ser proposta em 2011 pela Comissão Europeia.
A petição assinada na feira em Porto Alegre, será remetida ainda no sábado à Portugal para ser enviada à Bruxelas.

As pessoas que assinarem o documento em meio eletrônico podem acessar o link (clique aqui)  e, após o preenchimento e envio, é preciso confirmar a assinatura através de um e-mail recebido no endereço eletrônico de quem participou da petição. Na página da campanha (clique aqui), que possui tradução inclusive para o português, existem documentos que justificam a proposta. Em seguida é feita a transcrição de alguns parágrafos.

Ocorrendo normalmente também no feriado da Páscoa, a Feira dos Agricultores Ecologistas acontece aos sábados, das 7h às 13h, na primeira quadra da avenida José Bonifácio, próximo à Osvaldo Aranha, em Porto Alegre, RS.

Briefing da campanha
As novas regras, a serem aprovadas, terão força de lei e sobrepor-se-ão às leis nacionais de cada Estado-Membro da União Européia, podendo vir a limitar drasticamente a livre circulação de sementes, impedir os agricultores de guardar sementes e ilegalizar todas as variedades de plantas não homologadas pelas empresas. Nestas incluem-se muitos milhares de variedades tradicionais, a herança genética vegetal da Europa.

Com esta nova lei, a Comissão Europeia pretende satisfazer as exigências da indústria de sementes, que nas últimas décadas assumiu os contornos de um oligopólio, com dez empresas – gigantes da agroquímica – a controlar atualmente mais da metade do mercado mundial das sementes comerciais e a quase totalidade do mercado das sementes transgénicas. A indústria de sementes considera que a prática de guardar sementes e a produção de variedades não registadas constituem concorrência ‘desleal’.

Ao eliminar esta concorrência, com o pretexto de criar um mercado ‘justo’ e de proteger a saúde pública, as grandes empresas de sementes podem começar a cobrar direitos aos cerca de 75% de agricultores de todo o mundo que ainda continuam a guardar e utilizar as suas próprias sementes. Esta privatização de fato das sementes, que são um bem comum criado pela ação humana ao longo de milénios, e que não tem conhecido fronteiras, constitui uma ameaça ao património fitogenético da humanidade, à segurança alimentar e à saúde dos ecossistemas cultivados.

Durante milhares de anos agricultores pelo mundo fora têm contribuído para a adaptação e melhoramento das plantas para produzir os nossos alimentos, tecidos e medicamentos. A produtividade e resistência destas plantas estão intimamente ligadas à sua diversidade. Mais diversidade significa maior probabilidade de salvar colheitas de alterações climáticas, intempéries ou pragas.

No entanto, nas últimas décadas, a sabedoria do agricultor qudiversificaca os seus cultivos e adapta pacientemente as variedades às diferentes condições de solo e de clima, foi abandonada em prol de uma agricultura industrial de grande escala, favorecendo as monoculturas de um número limitado de variedades e o uso intensivo de agroquímicos para forçar a produtividade e resistência das plantas.

Segundo dados da FAO, a comida que a maioria dos ocidentais coloca hoje no prato provém de apenas 12 espécies de plantas e 5 espécies de animais, quando existem entre 10.000 a 50.000 espécies comestíveis. Arroz, trigo e milho constituem 60% da alimentação humana vegetal. Por consequência, no último século, perdemos a nível mundial cerca de 75% da biodiversidade agrícola à medida que os agricultores abandonavam as múltiplas variedades locais a favor de variedades muito produtivas mas geneticamente uniformes.

Com a crescente resistência dos consumidores e agricultores à adoção de transgêncios, os gigantes do agronegócio procuraram uma via para entrar no mercado convencional. A subsequente concentração no mercado das sementes colocou, como já foi mencionado, mais de metade das sementes comerciais convencionais nas mãos das mesmas empresas que controlam os OGM, os agroquímicos e a biotecnologia.

O que lhes resta agora, é encontrar maneira de cobrar direitos aos agricultores que ainda guardam e reproduzem as suas sementes. E a Comissão Europeia está prestes a oferecer-lhes as ferramentas para concretizar este desejo. Com a Europa a bordo, o resto do mundo não terá outra hipótese senão aderir à lógica da industrialização e privatização da agricultura e submeter-se à hegemonia das multinacionais do agronegócio.

Por jornalista Cláudia Dreier, FAE.

Comente!!

Compre aqui

Indicamos

Receba nossas informações:


Nome:



Email: