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Chá de folha de yacón em alta dose causa dano renal em ratos

Estudos realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP mostram que o consumo exagerado do chá de folhas de yacón pode causar lesões renais. Nos testes realizados com ratos, os animais foram submetidos a regimes de doses repetidas por um período de 90 dias. Os resultados revelaram que o chá das folhas da planta causou lesão renal nos animais. “A dose que lesionou os ratos equivale a três xícaras de chá consumidas diariamente por um humano de aproximadamente 70 quilos”, estima Rejane Barbosa de Oliveira, autora da tese de doutorado Atividades anti-diabética, antiinflamatória e toxicologia do yacón (Smallanthus sonchifolius [Poepp. & Endl.] H. Robinson – Asteraceae), defendida na FCFRP, sob orientação do professor Fernando Batista da Costa.

Chá das folhas não deve ser consumido diariamente por diabéticosCom base nos resultados da pesquisa, Rejane acredita que o chá das folhas de yacón não deve ser consumido em quantidades diárias por pessoas portadoras de diabetes mellitus. “Caso consumam em doses repetidas, estas pessoas podem ter agravado seu quadro hiperglicêmico e estarão expostas ao risco de lesão renal”, afirma a pesquisadora.

O yacón é originário da região dos Andes, onde suas raízes tuberosas são consumidas cruas por seu sabor adocicado e pela grande quantidade de inulina que armazena. A inulina é um oligofrutano de baixo valor energético. “As raízes de yacón podem ser consumidas por pessoas diabéticas. Mesmo tendo um sabor adocicado, não elevam os níveis de glicose sanguínea”, diz a pesquisadora. Ela lembra, porém, que a batata do yacón não tem a capacidade de diminuir o diabetes. “Ela é simplesmente um alimento de baixo valor energético que pode ser consumido de forma moderada por pessoas diabéticas sem os riscos de um aumento nos níveis da glicose sanguínea”, ressaltando que, “a presença da inulina torna a raiz da planta um alimento funcional.” Alimentos funcionais são aqueles que, além das suas propriedades, podem prevenir ou atuar como coadjuvantes no tratamento de doenças.

Rejane lembra que os oligofrutanos possuem a capacidade de modificar a microbiota intestinal, favorecendo o crescimento de bactérias benéficas no intestino que diminuem a putrefação alimentar e aumentam o trânsito intestinal. “Há uma diminuição da formação de compostos tóxicos no intestino, prevenindo alguns tipos de câncer”, relata a pesquisadora.

Na internet – Dos Andes, o yacón se espalhou para outros países, como Japão, Brasil e algumas nações europeias. Além das raízes, as folhas passaram a ser consumidas na forma de chás com propriedades hipoglicemiantes. “Atualmente, é possível encontrarmos vários sítios na internet que vendem o chá das folhas com a promessa de alívio para pessoas portadoras de diabetes”, alerta Rejane.

Mesmo que alguns trabalhos científicos tenham demonstrado que o chá era realmente capaz de diminuir a glicose sanguinea em ratos e camundongos diabéticos e tendo sido comprovada a ausência de toxicidade após o consumo das raízes, não existiam, segundo Rejane, trabalhos sobre a segurança do consumo do chá das folhas do yacón. “O perigo da toxicidade decorrente do consumo do chá das folhas era bastante provável, visto que as folhas, e não as raízes, possuem substâncias denominadas lactonas sesquiterpênicas, que geralmente são altamente tóxicas para animais, incluindo os humanos”, descreve Rejane.

Estudo argentino - Vários sites na internet comercializam o chá das folhas de yacónA pesquisadora conta que em 2010, cientistas argentinos publicaram um artigo sobre a investigação que fizeram sobre a toxicidade aguda do consumo do chá das folhas de yacón. “Eles concluíram que os animais tratados não desenvolveram sintomas que caracterizassem a toxicidade. Mas, a diferença em relação ao nosso estudo está no tempo em que o chá foi administrado aos animais. No trabalho do grupo argentino, o chá foi administrado uma única vez”, conta Rejane. Os ensaios de toxicidade na FCFRP foram realizados em 2009, com um tempo de tratamento de 90 dias para cada grupo de animais. Os estudos de Rejane começaram em 2007. Porém, apenas em 2010 é que foi concluída a etapa de caracterização das substâncias presentes nas folhas da planta.

Em relação ao simples consumo do chá das folhas de yacón por humanos, Rejane diz que não há estudos sobre a segurança deste consumo. “Nossos estudos foram realizados com animais de laboratório. As lesões observadas nos rins dos animais foram graves, equivalentes aos da doença renal crônica observada em humanos. Se o consumo desencadear os mesmo efeitos em humanos, o uso do chá por pessoas diabéticas, mesmo em doses baixas, poderia piorar o quadro dos pacientes”, observa. “Pessoas diabéticas têm a tendência de desenvolverem doença renal crônica”, lembra, enfatizando que, “da mesma forma, como base em nossos estudos, não deve ser recomendado o uso do chá por pessoas sem diabetes, nem mesmo em doses baixas.”

Por Antonio Carlos Quinto, Agência USP de Notícias.

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