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FAE, em Porto Alegre, distribui sementes e reduz o uso de plástico

Para comemorar a Semana do Alimento Orgânico e o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Feira dos Agricultores Ecologistas, FAE, têm atrações especiais neste sábado, 04 de junho. Presença das ONGs Fundação Gaia e InGá, distribuição de sementes de variados milhos e hortaliças, degustação de sucos da floresta e sorteio de vale-compras movimentam a feira.

Há 22 anos, desde que foi criada pela Cooperativa Coolméia, a FAE defende o meio ambiente a partir de uma prática agrícola tradicional, que foi chamada agricultura ecológica e hoje está difundida como agricultura orgânica. Muito antes do selo e da certificação vistoriada do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, os feirantes garantiam a procedência dos seus produtos através da venda direta e das visitas feitas tanto pelos colegas feirantes como por urbanos que frequentam a feira.

Sementes tradicionais - Uma amostra da biodiversidade de cultivos, cada vez mais afetada pela agricultura moderna que elencou poucas espécies para serem produzidas em larga escala e alimentarem a população mundial, foi vista no último sábado, na exposição de milhos e pipocas coloridos. Ao seu lado, foi realizada uma oficina para demonstrar como se produz um solo fértil e saudável. Muitos queriam levar as sementes, que serão distribuídas no dia 04 a partir das 7h. “Primeiro é preciso preparar a terra, para depois semear”, justifica Vilson Stefanoski que demonstrou quais os ingredientes são essenciais para obter uma terra que transforme as sementes em plantas saudáveis.

Guardadas da colheita anterior e aptas à reprodução, diferindo das híbridas vendidas pelas sementeiras, essas sementes usualmente chamadas de crioulas trazem no histórico de tal vocábulo um sentido pejorativo. “Em uma pesquisa, Sebastião Pinheiro descobriu que a denominação “crioula” referia-se às espécies excluídas do rol de sementes comercializadas pela Fundação Rockefeller. Assim, devemos utilizar outra expressão mais apropriada à técnica de reproduzir os cultivos de maneira autóctone ao longo dos anos e décadas” explica Nelson Dihel, um dos fundadores da FAE.

Além dos milhos e pipocas tradicionais das Américas, a partir das 9h30min, também serão distribuídas sementes orgânicas de hortaliças. Estas são produzidas pela empresa gaúcha Bionatur e foram doadas à Semana do Alimento Orgânico pelo projeto Sementes, do Banrisul. O projeto trabalha com sementes crioulas, de horticultura agroecológica e com mudas e sementes de árvores nativas. “Um dos objetivos do nosso trabalho é permitir que o agricultor mantenha a variedade genérica das culturas e consiga uma maior autonomia em termos de segurança e soberania alimentar” explica Simone Azambuja, coordenadora do projeto. Simone é bióloga e mestre em desenvolvimento rural e estará na FAE distribuindo as sementes.

Preparar a terra –  O ambientalista José Lutzenberger, que trabalhou por muitos anos na Basf, empresa de adubos químicos e venenos agrícolas, pediu demissão no início da década de 1970 e voltou ao Brasil para defender a agricultura tradicional, contrapondo-se à Revolução Verde. Ao realizar palestras pelo território gaúcho, estimulou centenas de agricultores a voltarem ao sistema de produção ensinado por seus pais e avós. Entre aqueles, alguns tornaram-se produtores da FAE.

Em 1987, Lutz criou a Fundação Gaia e na sua sede rural, o Rincão Gaia, colocou em prática suas teorias a respeito de um sistema produtivo equilibrado que respeite as leis e características dos processos naturais. Presente na FAE neste sábado, a Fundação Gaia irá distribuir uma “receita” para um solo saudável e um alerta sobre o uso dos venenos. A ONG estará localizada em frente à Banca do Meio.

Menos plástico –  Os interessados em receber as sementes de milhos ou hortaliças precisam poupar os feirantes da distribuição de sacolinhas brancas. Ao comprar na banca trazendo sua sacola de casa, a pessoa deve pedir o seu cupom . Este dá direito a receber as sementes e também, a participar do sorteio de vale-compras que podem ser trocados por produtos escolhidos na primeira quadra da José Bonifácio, onde acontece a FAE. A urna dos sorteios fica na Banca do Meio, ao lado da Banca das Sementes e do caldo-de-cana.

Para degustar os sucos das frutinhas da floresta, os frequentadores da feira devem trazer as suas canecas, outra atitude saudável para melhorar a qualidade dos alimentos e diminuir a quantidade de copos plásticos descartados na natureza. Os sucos são oferecidos pela Família Bellé e degustados na Banca do InGá, ao lado da Via Sapiens. A ONG também promove um abaixo-assinado em prol “da coleta e do manejo sustentáveis, bem como do beneficiamento de frutas nativas”.

A Feira dos Agricultores Ecologistas acontece na primeira quadra do canteiro central da avenida José Bonifácio, em Porto Alegre, aos sábados das 7 às 13h. 

Íntegra do abaixo-assinado promovido pelo InGá:
No dia 06 de dezembro de 2010 ocorreu o Seminário “Frutas Nativas do RS: manejo, beneficiamento e comercialização”, na UFRGS em Porto Alegre com a participação de agricultores, técnicos, pesquisadores, estudantes, indígenas e demais interessados no tema. Considerou-se que o uso das frutas nativas (cuja diversidade biológica totaliza mais de 180 espécies só no RS) tem papel estratégico relacionado à conservação da biodiversidade, segurança alimentar, inclusão social e geração de renda para agricultores familiares e populações locais.

Esta importância contrasta com o atual quadro desanimador de ausência de políticas públicas sobretudo em nível estadual que viabilizem estas atividades, diferente de outros estados do país que as tem fomentado.

Nesse sentido, nós, abaixo-assinados, requeremos do poder público procedimentos facilitados para a agricultura familiar no que se refere à coleta e ao manejo sustentáveis e beneficiamento de frutas nativas.

Texto da  jornalista Cláudia Dreier.

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