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Mulheres consomem mais produtos orgânicos do que os homens

Engenheiro agrônomo Ulisses Bocchi, da empresa Organic Services - Foto COMODO / AG. RIGUARDARE

Pesquisa inédita, apresentada durante a 7ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia, na Bio Brazil Fair, que encerrou neste domingo (24), no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo, mostrou que 69% dos consumidores de orgânicos são mulheres. Desse total, 29% tem entre 31 a 45 anos de idade e 39%, de 46 a 60 anos. A pesquisa foi apresentada durante palestra do engenheiro agrônomo Ulisses Bocchi, da empresa Organic Services.

Ele explicou que a pesquisa foi realizada em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Goiânia e Belém), abrangendo 1.907 entrevistas, das quais 765 foram feitas via internet e 1.139 nos principais pontos de venda de orgânicos dessas cidades. “O fato de a maior parte das consumidoras ser de mulheres de meia idade pode ser um indicativo de maior preocupação com a saúde a partir de determinado estágio da vida”, enfatizou Bochhi.

Considerada uma das maiores feiras de orgânicos do país, a Bio Brazil Fair reuniu mais de 200 expositores e milhares de pessoas durante quatro dias. Segundo os organizadores, o evento deste ano buscou a segmentação do universo orgânico, da produção ao ponto de venda, passando por toda a cadeia orgânica, respeitando a biodiversidade e acompanhando o novo cenário que se desenha no mercado.

Participaram da Feira produtores e processadores de alimentos,entre os quais, laticínios, frutas, vegetais e cereais, massas, carnes e ovos, bebidas, roupas e cosméticos, insumos, equipamentos, consultoria e certificação; e fornecedores de matérias-primas para a produção de cosméticos e biofármacos.

Gargalos

Já o coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rogério Dias, ao falar sobre o cenário atual da agricultura orgânica no Brasil e seus desafios, lembrou que o grande desafio para o setor de orgânicos é retirar os “gargalos” que dificultam seu crescimento, mas preservando os princípios. É necessário, disse ele, garantir a qualidade do que é produzido. E a qualidade hoje, mesmo sendo estratégica, não é suficiente, É necessário termos políticas governamentais que garantam o desenvolvimento da agricultura orgânica.

Os principais problemas da agricultura orgânica, segundo Rogério Dias, são: falta de assistência técnica qualificada, formação de professores nessa área, ausência de informação tecnológica, incentivo à pesquisa, insumos para a área, melhorar a logística e incentivo ao programa de alimentação escolar, já que 30% da merenda escolar deve vir da agricultura familiar, que em essência é orgânica.

Sementes

O engenheiro agrônomo da Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica, Pedro Jovchelevich, lembrou que o Brasil possui mais de 19 mil propriedades orgânicas, segundo dados do IBGE de 2006, e o mercado continua a crescer. No entanto, o grande desafio é a produção de sementes, principalmente de hortaliças adaptadas ao manejo. “Cerca de 95% das sementes usadas na produção de orgânicos vem do comércio convencional”, enfatizou.

Mesmo possuindo entre 15 a 20% da diversidade biológica mundial, a economia agrícola brasileira é dependente dos recursos genéticos externos, acrescentou o engenheiro agrônomo. Entre os exemplos citados por Pedro Jovchelevich está o da abóbora. Segundo ele, das 17 mil espécies de abóboras existentes no mundo, 1.300 foram coletadas pela Embrapa aqui no Brasil. Mas quantas são conhecidas pelos brasileiros, perguntou. E concluiu: “Estamos comendo um número cada vez menor de espécies de abóboras”.

Por Juarez Tosi, de São Paulo, para Vida Sustentável. 

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