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Jovens camponeses haitianos levam ao seu país práticas agroecológicas

Como resultado das ações da Via Campesina, no Brasil, em apoio e solidariedade ao Haiti, um grupo de 76 jovens camponeses haitianos deve retornar ao seu país de origem na próxima quarta-feira (14) deste mês, com mais conhecimento e prática na área rural. Isso foi possível por conta de um intercâmbio iniciado há um ano, onde os (as) participantes puderam ter acesso a técnicas de agroecologia, informações sobre estrutura de cooperativas, funcionamento de acampamentos e assentamentos, entre outros.
Os estudantes deste intercâmbio são militantes de movimentos sociais do Haiti, oriundos dos dez departamentos que compõem o país. Ao todo são 54 homens e 22 mulheres que foram selecionados para esta iniciativa.

No primeiro mês, os (as) jovens tiveram aulas na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), localizada no município de Guararema, interior do estado de São Paulo.

Integrante da equipe pedagógica responsável pelo intercâmbio, Geani Paula de Souza explica que, durante o primeiro momento na ENFF, os (as) militantes puderam se familiarizar com a língua portuguesa e tiveram contato com movimentos camponeses do Brasil e de outros países da América Latina.

Depois disso, foram divididos em oito estados brasileiros – Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Essa etapa durou cinco meses e possibilitou aos jovens conhecer acampamentos, assentamentos agrícolas, cooperativas rurais e técnicas de Agroecologia.

“A ideia era conhecer o funcionamento das cooperativas, como se constituem, como os trabalhadores se organizam, assim como conhecer a luta nos acampamentos, as estratégias do Movimento, e organização nos assentamentos. Assim eles poderão voltar ao Haiti e se guiar por esses métodos para fortalecer sua organização lá”, detalhou.

Já a última etapa do intercâmbio consistiu em um curso técnico em Agroecologia, no qual o grupo foi dividido em dois, com base nos estados de Paraná e Sergipe. “Eles aprenderam como lidar com a terra, e com o meio ambiente, que foi uma questão que apontaram como muito precária no Haiti, e também como lidar com a água e a conservação de fontes”, disse.

No fechamento deste ciclo de um ano, Geani destaca que os jovens e a Via Campesina fazem uma avaliação bastante positiva sobre o período. “Houve muita aprendizagem, solidariedade. Para a gente isso é muito importante porque mostra que o Haiti não é só o que a Globo apresenta, só destruição. Mostra, para quem acredita que o Haiti não tem nada, que lá tem muita coisa interessante sim. Tem pessoas que lutam por um país melhor”, destacou.

Outras experiências – O intercâmbio de jovens haitianos começou a ser gestado a partir da experiência da Brigada Internacionalista da Via Campesina, no Haiti, desde 2008.

Com o terremoto que devastou o país em janeiro de 2010, a Via Campesina decidiu realizar o intercâmbio com jovens haitianos, no marco de suas ações de apoio técnico e político, ao passo que reforçou a brigada no Haiti, enviando mais 34 pessoas.

De acordo com Geani, o primeiro grupo de haitianos deveria ter 150 pessoas, mas o alto custo inviabilizou o número. Contudo, a ideia do movimento é dar continuidade a ação e, possivelmente, um novo grupo de 30 jovens militantes haitianos chegará ao Brasil no início de 2012.

Por Camila Queiroz, jornalista da Adital.

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