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Produtos orgânicos são a principal fonte de renda de assentadas sergipanas

Lutando contra preconceitos e dificuldades, agricultoras do assentamento Treze de Maio, no município de Japaratuba, em Sergipe, se organizaram para produzir verduras, legumes, ervas de forma orgânica. O coletivo de trabalhadoras rurais Grupo Lutar para Vencer obteve a certificação para comercializar produtos orgânicos e se prepara para colher os frutos de produzir alimentos livres de agrotóxicos e insumos químicos industrializados.

A certificação é emitida pela Organização de Controle Social do Território Leste Sergipano (OCS). Para alcançar a certificação social, há dois anos as produtoras recebem apoio técnico do Programa de Assistência Técnica do Incra e inspeção de produtores vinculados à OCS e fiscais da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural de Sergipe (Seagri). Durante este período o cultivo de todos os produtos se deu sem o uso de qualquer tipo de “veneno”, como são chamados pelos produtores os pesticidas e herbicidas. O acompanhamento certifica a qualidade dos alimentos e transmite mais confiança aos consumidores. “Vendo o documento, as pessoas compram as verduras e legumes com mais tranquilidade. Elas têm mais certeza de que eles são feitos sem veneno”, analisou a agricultora assentada Gisélia Brito Fortuna, que liderou a criação do grupo.

Com uma estratégia de venda, que alia a comercialização dos alimentos de porta em porta e a manutenção de espaços permanentes em duas feiras semanais realizadas em Japaratuba, o grupo foi, aos poucos, vencendo resistências e conquistando um número cada vez maior de consumidores. “No início, elas iam para a feira e sofriam, porque o povo, acostumado ao modelo mais comum de produção, optava sempre por legumes e frutos maiores. Hoje, com a consciência do sabor e da qualidade, as pessoas têm preferência pelos produtos delas, que são mais saudáveis. Antes do final da feira já compraram tudo e elas voltam sem ter mais nada para vender”, explicou a técnica em agropecuária, Gláucia da Silva Santos, que auxilia no acompanhamento do grupo.

Impacto na renda
Inserida no assentamento como uma atividade destinada à complementação da renda, a horticultura, aos poucos, começa a ocupar o posto de carro-chefe na renda de algumas famílias. “A horta, hoje, para a gente, já dá mais do que a macaxeira. O que a gente vende toda semana na feira está garantindo um dinheirinho bom”, afirmou o agricultor José Anízio de Oliveira, o Noé, casado com uma das integrantes do grupo.

Segundo ele, que decidiu apoiar as atividades do grupo desde a sua fundação, os benefícios alcançados com o cultivo livre de agrotóxicos compensam o esforço extra no plantio e na manutenção da cultura. “É preciso ter mais paciência e mais cuidado, mas vale a pena pela renda e pela saúde. Dá mais trabalho, mas é válido”, analisou o agricultor.

Uma aposta que, de acordo com  a técnica em agropecuária, vem gerando bons frutos, graças ao perfil do grupo. “Eles são muito trabalhadores e participativos. Estão sempre abertos a novas experiências. Em pouco tempo, perceberam que era preciso ter paciência, porque o produto orgânico não se desenvolve tão rápido, mas que todo o esforço compensava”, ressaltou.

Novo grupo
O sucesso alcançado pelo grupo de agricultoras do Treze de Maio estimulou o início de novas experiências dentro e fora do assentamento. Em agosto deste ano, foi criado no local um novo grupo, composto por homens e mulheres, batizado como Arte Verde.

O grupo, que já conta com cerca de 20 agricultores, pretende ampliar a produção de ervas, legumes e verduras livres de agrotóxicos, investindo, também, na elaboração de produtos artesanais para a complementação da renda familiar. “O trabalho começou com o grupo das mulheres e, agora, os homens também já estão entrando. A gente quer aumentar a produção de alimentos aqui do assentamento e fortalecer a renda das famílias”, explicou o agricultor Eraldo dos Santos Selvino, membro do novo grupo e presidente de uma das associações do Treze de Maio.

A experiência também começa a ser replicada em outras áreas de reforma agrária. Por meio de uma articulação entre técnicos do programa de assistência técnica, dona Gisélia e outras integrantes do Lutar para Vencer estão visitando áreas de reforma agrária implantadas em outros municípios para apresentar os resultados do trabalho realizado no Treze de Maio e incentivar a construção de ações coletivas. “Estamos visitando o São Sebastião e o José Emídio (assentamentos implantados, respectivamente, nos municípios de Pirambu e Capela) e mostrando para eles nossos produtos. A gente conta como o trabalho vem sendo feito aqui, dá oficinas e tenta incentivar o pessoal a produzir coletivamente”, explicou dona Gisélia.

Planos para o Futuro
Para ampliar a renda das famílias do assentamento, representantes dos dois grupos se uniram em busca de novos projetos produtivos para o Treze de Maio. Entre as mulheres, a primeira conquista já foi assegurada. O grupo, apoiado pela equipe de assistência técnica que atua no local, obteve a aprovação de um projeto para a criação de aves e a intensificação da horticultura. Os recursos serão disponibilizados pelo Crédito Apoio Mulher, oferecido pelo Incra.

Outra aposta dos agricultores é a cultura da macaxeira. Para alavancá-la, os assentados buscam projetos em duas frentes. O primeiro deles, já aprovado, deverá garantir a implantação de uma Casa de Farinha no assentamento. O investimento será efetuado pela Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe (Pronese).

O segundo, ainda em fase de elaboração, buscará recursos do Programa Terra Sol, gerido pelo Incra, para a instalação de um agroindústria de beneficiamento de macaxeira. A ideia é agregar valor ao produto, trabalhando com diversos derivados, como doces, bolos e pães.

Fonte: Ascom MDA.

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