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Emater incentiva produção de tomates orgânicos em Minas Gerais

Parceria com prefeitura de Arcos implantou unidades demonstrativas na cidade que seguem princípios da agroecologia (Fotos: Zenaido da Fonseca/Emater MG)

Como em muitos municípios mineiros, a produção de tomate com uso de agrotóxicos é a mais comum em Arcos, na região Central de Minas Gerais. Para divulgar formas alternativas de cultivo, a Emater-MG, em parceria com a prefeitura, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Embrapa Hortaliças, Sicoob União Centro-Oeste, Poder Judiciário, Grupo Guaxinim, entre outros, implantou duas unidades demonstrativas na cidade, seguindo os princípios da agroecologia. Uma das lavouras produz tomate orgânico, sem agrotóxicos e adubos químicos. A outra produz tomates sem agrotóxicos, mas o uso de adubos químicos é permitido.

O município de Arcos tem cerca de 150 tomaticultores e chega a produzir 3.200 toneladas do fruto por ano, dentro do método convencional, em que há aplicação de agrotóxicos registrados para a cultura. Os produtos são utilizados para combater pragas e doenças, porém seu uso desordenado pode causar danos às lavouras, ao meio ambiente e à saúde dos agricultores. Esses problemas podem ser evitados com a implantação dos sistemas alternativos de produção, utilizados nas unidades demonstrativas.

As unidades foram criadas em junho de 2011, após as etapas de análise de solo, tratamento do solo com produtos homeopáticos e adubação verde para melhorar a fertilidade e disponibilidade de nutrientes. As sementes foram adquiridas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as mudas, produzidas nas próprias unidades, com o acompanhamento da equipe de extensionistas do escritório da Emater-MG em Arcos.

Também foi utilizada a técnica de plantio direto, em que não é preciso arar nem revolver a terra. As lavouras foram adubadas com compostos orgânicos líquidos e sólidos. De acordo com o extensionista Zenaido da Fonseca, as unidades foram cercadas e, ao redor delas, são cultivados girassóis e outras plantas que ajudam a atrair insetos que não danificam as lavouras e que são inimigos naturais das pragas do tomate.

As duas lavouras cultivam quatro variedades de tomate e a produção total estimada é de oito toneladas por ano. Segundo Fonseca, nessas duas unidades, o custo de produção ficou 20% menor.

– Além disso, temos de lembrar que, nesses sistemas alternativos, os produtores têm uma qualidade de vida melhor, perdem-se menos tomates e obtêm-se produtos mais duráveis e saborosos – afirma o extensionista.

As lavouras foram implantadas na propriedade do produtor Desedino José Soares. Há 20 anos, a família dele produz tomates pelo sistema convencional. Um dos motivos que levou o produtor a adotar procedimentos agroecológicos foi evitar o contato com agrotóxicos.
Há alguns anos, a esposa do agricultor, Sirlene Maria do Carmo Soares, começou a sentir constantes dores de cabeça e mal-estar. A família acredita que esse quadro foi causado pelos agrotóxicos e mudou a forma de cultivo. Hoje, Sirlene tem acompanhamento médico e já se sente melhor e mais tranquila.

– Agora eu consigo perceber os benefícios do tomate orgânico – afirma.

Além de preservar a saúde da família, Desedino Soares está satisfeito com os resultados da produção e diz que o tomate é valorizado no mercado.

– A demanda é grande, e quase não conseguimos atender. Estou pensando em aumentar a produção – disse o produtor.

Para estimular a produção agroecológica de alimentos, a Emater–MG, em parceria com a prefeitura de Arcos, produtores e outros órgãos, pretende criar uma associação de agroecologia.

–Nós acreditamos que esse será um passo importante para o município produzir alimentos com qualidade cada vez maior – aponta o extensionista Irani Muniz.

Fonte: Agência Minas.

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