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Justiça na Era do Hiperconsumo é o tema da nova edição da Ecologist Brasil

O atual modelo de desenvolvimento econômico predador e o estilo de vida de constante desperdício são analisados no artigo, “A Justiça na Era do Hiperconsumo”, destaque de capa na edição número 21 da revista Ecologist Brasil, que será lançada nesta terça-feira (dia 29), no saguão do auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do RS, como parte das atividades do XI Seminário Internacional e XII Seminário Estadual de Agroecologia. O lançamento da revista vai ocorrer às 17 horas.

Em seu editorial, a revista posiciona-se contra as alterações no Código Florestal Brasileiro, alegando que “o que está acontecendo no Congresso é uma manobra orquestrada por alguns que desmataram além do permitido pela lei e querem alterar a legislação para adequá-la a seus interesses pessoais mesquinhos, evitando assim o pagamento das multas que atingem 40 bilhões de reais”.

E deixa como ensinamento as palavras de Ana Primavesi, uma das pioneiras da Agroecologia no Brasil. Segundo ela, “são as florestas que alimentam as nascentes dos rios. Com floresta a água é armazenada no solo e quando a chuva passa, resta toda a umidade retida no solo penetrado pelas raízes. No entanto, quando nós, seres humanos, desmatamos, rompemos este ciclo natural e a água da chuva deixa de penetrar no solo e abastecer as nascentes e passa a escorrer rapidamente para os rios, causando enchentes. E enchente é sinal de seca mais adiante, pois se a água não foi naturalmente retida no solo, vai faltar na sequência temporal. Enchentes e secas são consequências do desmatamento. O único jeito de reequilibrar o sistema é plantando árvores nativas, recompondo florestas originais”.

A revista trata ainda a situação da água no planeta, os 40 anos da AGAPAN, a luta dos índios Guarani em defesa da vida e de seus territórios, a viabilidade da energia solar no Brasil, a campanha contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, além de uma homenagem à ativista queniana recentemente falecida Wangari Maathai. Também aborda o tema trabalhar em casa: rumo a uma nova sociedade, entre outros assuntos.

Sucesso no lançamento – Fundada em 1969 na Inglaterra, a  revista The Ecologist, foi lançada em março de 1999 no Brasil, através de um esforço de várias entidades do movimento ecológico gaúcho para trazer informações sobre os malefícios dos transgênicos para a vida. A primeira edição foi um grande sucesso. Foram feitas várias tiragens, sendo distribuídos, no total, cerca de 18.000 exemplares. Diversas entidades apoiaram a edição, entre as quais a Fundação Juquira Candirú, GIPAS, Agir Azul, UITA, Fundação Gaia, Biomater, Arma Zen, AGAPAN e Cooperativa COOLMÉIA.

Ao ver o resultado do trabalho no sul do Brasil, o fundador da revista, Edward Goldsmith, enviou a edição “Climate Crisis”, para seu amigo ambientalista gaúcho José Lutzenberger. Este passou para o engenheiro agrônomo e florestal Sebastião Pinheiro, que encaminhou para as atuais editores Vanéte Farias Lopes e Rejane Maria Ludwig. Elas traduziram e lançaram, em setembro de 2001, a segunda edição da revista com a chamada de capa “A Crise do Clima”.

Arma zen – As editoras relatam: “Nossa motivação em continuar, apesar das inúmeras dificuldades, foi a vontade de compartilhar informação de qualidade, o que chamamos de arma zen. A vontade de subsidiar as pessoas com informações que sirvam para cada um refletir sobre seu consumo, suas atitudes e conscientizar sobre a necessidade urgente de mudanças rumo a uma sociedade com menor impacto ambiental. Chamar a atenção sobre a necessidade de recuperar habitats degradados. Dar espaço para ativistas se expressarem. Outro mote é compartilhar experiências positivas e boas práticas”.

Dessa forma, Ecologist chega ao número 21, com chamada de capa “A Justiça na Era do Hiperconsumo”, que é a edição mais brasileira de todas até agora, pois a maioria dos artigos são de autores brasileiros. A revista hoje conta com o apoio dos leitores que, ao longo do tempo, foram se juntando à proposta. Cada edição é enviada pelo correio para todo o Brasil e também para os demais editores nos outros países.

O fundador da The Ecologist, Edward Goldsmith, faleceu em 2009, aos 80 anos de idade. “Ele se empenhou fortemente para que a gente continuasse o trabalho e também em criar versões da Ecologist em vários países e idiomas distintos”, contam Rejane e Vanéte. Hoje, a rede Ecologist é editada no Brasil, Índia, Nova Zelândia, Grécia, Líbano, Itália, Colômbia, França, Espanha e Inglaterra.

Por Juarez Tosi, para Vida Sustentável.

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