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FAE organiza em Porto Alegre/RS oficina sobre cultivo de uvas ecológicas

Uvas e seu cultivo livre de venenos são os destaques na área central da Feira dos Agricultores Ecologistas, FAE, neste sábado, 11 de fevereiro. O produtor Nilson Camatti mostra como são cultivadas as videiras seguindo o manejo orgânico e a nutricionista Herta Karp Wiener degusta cinco variedades da fruta, enfatizando seu valor nutricional.

Destacando a excelente safra de 2012, cujas frutas doces resultam do tempo seco, a nutricionista Herta distribui informações e pequenos cachos de uvas, para os interessados diferenciarem algumas variedades, a partir das 9h30min na Banca do Meio. Na Oficina de Videira Orgânica, serão expostos o tipo de solo de cultivo, a adubação verde, insumos para tratar os parreirais e galhos com folhas e frutos. A Oficina realiza-se em duas edições, às 9h e às 11h junto ao caldo-de-cana. 

Fruta histórica

 Cultivada há milhares de anos pelos povos da Região Mediterrânea, a videira, seus frutos e derivados estão presentes tanto na mitologia grega quanto nas antigas tradições judaicas e cristãs. No Rio Grande do Sul, esse cultivo desenvolveu-se a partir da agricultura dos imigrantes italianos. A maior quantidade de uva encontrada na FAE provém destes descendentes que têm suas propriedades em vertentes do Planalto Meridional, conhecidas como Serra Gaúcha.

“Um dos grandes desafios no cultivo dos parreirais é o clima úmido. Caso chova muito na floração, ela aborta os cachos. Se isso acontecer na colheita, eles apodressem e ficam com baixo teor de açúcar”, explica o produtor Jamir Vígolo residente no interior do município de Antônio Prado e integrante da Aecia, Associação dos Agricultores Ecologistas do Centro de Ipê e de Antônio Prado. 

Também é válido para o cultivo das uvas um dos fundamentos da agroecologia: “o ponto de partida para a agricultura orgânica é uma planta saudável e isto começa no solo. Quando este estiver bem equilibrado, ele fornece uma boa alimentação e reduz as doenças que podem afetar os cultivos” enfatiza Vígolo. Além da nutrição do solo em si, onde a composteira que irá fornecer os materiais orgânicos para os cultivos tem local de destaque nas propriedades, uma prática adotada pelos produtores de uva é a adubação verde.

“Costumamos plantar embaixo do parreiral espécies como nabo forrageiro, ervilhaca, aveia e centeio. Como são cultivos de inverno, no verão eles secam, mantendo o solo abrigado do calor excessivo e, ao mesmo tempo, deixam de competir pela água, fundamental para as videiras desenvolverem seus frutos”.

Cuidados especiais

 Ao longo do ano, para desenvolver-se bem, uma videira recebe alguns tratamentos permitidos pela certificação orgânica. Ainda no inverno, antes da poda que acontece a partir metade da estação mais fria, é feita uma limpeza no caule das plantas para eliminar os fungos que sobreviveram ao inverno. Após a poda, vêm os tratamentos a base de cinzas de casca de arroz para prevenir as doenças típicas do início da brotação como a traquinose, conhecida na região de Antônio Prado como “varola”. Em seguida são feitas outras aplicações para evitar a “mufa” que pode ocorrer nas folhas e nos cachos quando estes estão na fase de “grão-chumbinho”. No mês de dezembro, é realizado um último tratamento com a finalidade de conservar as folhas na videira por mais tempo. “Quanto mais conseguirmos mantê-las verdes e fixas no tronco, menos doenças a planta terá no ano seguinte” ensina Vígolo.

Diferencial na paisagem e na saúde

“Enquanto que no manejo orgânico existe um tapete de vegetação em baixo do parreiral, na agricultura convencional os produtores aplicam herbicidas para eliminar os inços junto ao solo” afirma Nilson Camatti, também produtor da Aecia, que coordenará as oficinas na FAE.

Para fertilizar o solo ainda no inverno, os nutrientes orgânicos formados nas composteiras são espalhados sobre a adubação verde que posteriormente sofre uma poda para não ficar muito alta. “Outra vantagem desta cobertura que fornece nitrogênio de maneira natural, a partir dos microorganismos presentes nas raízes das leguminosas, é que a palha seca protege a área do aparecimento de outras plantas invasoras”. Camatti irá explicar o manejo das videiras a partir de elementos concretos.

O grupo de produtores da Aecia, que possui cinco bancas na FAE, irá trazer para a feira amostras do solo, da adubação verde, dos produtos que utilizam nos tratamentos e os galhos de um parreiral. Nas oficinas que acontecem às 9h e às 11h, o produtor também esclarece aos interessados as dúvidas que possam surgir sobre o cultivo de uvas orgânicas. 

A Feira dos Agricultores Ecologistas realiza-se há vinte e dois anos na primeira quadra da avenida José Bonifácio, em Porto Alegre, aos sábados das 7h às 13h. Desde 2006, ela está sob a responsabilidade da Associação Agroecológica, que agrega os produtores da feira e trabalha pela garantia de conformidade na produção orgânica.

Por Cláudia Dreier, assessora de comunicação da FAE.

 

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