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Estudantes apontam a agroecologia como alternativa saudável

Vandana Shiva diz que não estamos produzindo alimentos, mas sim comodities

Grupo de estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou durante a Cúpula dos Povos que existem novas alternativas de consumo para alimentos, entre elas a agroecologia. Ativista da Índia enfatiza mótodo como caminho para o futuro.

Devido à carência da temática no currículo de ciências biológicas da universidade, estudantes se organizaram em um grupo auto-gestionado, a fim de estimular o debate acerca dos impactos da agricultura moderna e suas alternativas.

O objetivo do grupo é fazer estudo do manejo agroecológico em espaço de experimentação; incentivo à feira agroecológica; extensão universitária para agricultores; experimentação de técnicas para recuperação de áreas degradadas através do Sistema Agroflorestal (SAF); realização de mutirão de manejos que estimulem a cooperação e a construção conjunta de saberes.
“Conseguimos trazer a matéria de agroecologia para a grade curricular da UFRJ, começamos plantando no fundão da nossa universidade. Lá é um aterro, uma terra muito degradada, então no começo foi bem difícil, mas recuperamos a área”, afirma Luisa Genis, estudante de biologia da UFRJ.

Os estudantes conseguiram também construir uma feira agroecológica dentro da universidade que acontece todas às quintas-feiras.

Por que agrofloresta?

A agrofloresta configura-se como a produção de alimentos dentro do ritmo da natureza.
São sistemas de alta diversidade de espécies e plantio de culturas como leguminosas, maximizadas por atividades de manejo baseada na sucessão natural, reintegrando o homem e natureza. Ela é uma alternativa saudável alimentícia, livre de agrotóxicos.
Primeiro é feita adubação do solo, com legumininosas, sendo uma etapa de preparação.
É importante também fazer buracos no solo para deixar a água passar. O sistema de agrofloresta é rico em espécies e animais, torna-se um ecossistema.

“Começamos com sementes pioneiras, para adubação do solo. Leguminosas como feijão grandú, mucuna preta, algodão, abóbora, por exemplo, são importantes para a fortificação do solo. Depois, passamos para o estágio seguinte, com sementes de pitanga, acerola, graviola e amora. Estamos em um lugar de Mata Atlântica, então tentamos utilizar espécies dessa região. Nosso objetivo também é trocar sementes, uma vez que está tendo extinção de algumas”, diz Adrian Pereira, estudante de biologia da UFRJ.

O coletivo formado por alunos graduados em biologia da Universidade Federal do Rio (Unirio) decidiu montar uma empresa que apresenta formas sustentáveis para o dia-dia, tais como: bioconstrução com terra e materias alternativas, aquecedores solares, composteiras, captação e armazenamento d’água via cisterna, tanques, lagos, jardinagem ecológica. (Fonte: Agência Jovem de Notícias)

Em entrevista para imprensa, Vandana Shiva da Índia, que é ativista ambiental há mais de 40 anos, enfatiza os novos caminhos para a produção de alimentos.

Até 2050 a demanda de alimentos no mundo deve aumentar 70%. Hoje já temos 20 milhões de pessoas subnutridas. Como lidar com isso?

Vandana Shiva-  Desde que as grandes empresas começaram a falar de fome, elas produziram mais fome. Hoje, temos bilhões de pessoas famintas. Não estamos produzindo comida para as pessoas, estamos produzindo comodities a um custo muito alto. Dirigimos o carro com comodities, biodiesel e biocombustível; e alimentamos os animais com comodities. Esta é a razão pela qual a maior parte da terra produtiva não serve para alimentar as pessoas. Pessoa precisam de comidas e variedade de alimentos.
Meu trabalho na Índia mostrou que quanto mais biodiversidade se tem em uma lavoura, mais nutritiva é a comida que se produz. Uma vez que temos menos terra e há mais pessoas para serem alimentadas temos que intensificar formas agroecológicas de cultivo, com mais biodiversidade, para maximizar a qualidade do alimento e não a produção de comodities, que são usados para mover automóveis e alimentar animais. O cálculo está errado. Comida é comida, não é comodities.
Temos que calcular a qualidade e o potencial nutritivo dos alimentos e não o lucro das grandes corporações que levam milhões de fazendeiros na Índia ao suicídio e outras bilhões de pessoas a sentirem fome.

São os pequenos agricultores que produzem a maioria dos alimentos. Como eles podem produzir em escala para alimentar a todos?

Vandana Shiva- O pensamento macanicista e cartesiano tem como padrão a escala e acredita que o que existe em grande escala é o mais importante. Mesmo assim não reconhece que metade da humanidade produz 80% dos alimentos hoje e fazem parte de uma grande rede ou grande escala de pequenos agricultores. Não podemos esquecer que a maioria das pessoas que vivem no planeta são agricultores. Na Índia, eles são 70% da população. Não podemos nos esquecer que eles precisam comer. Eles precisam comer. Se eles não cultivam o alimento que comem, se eles não cultivam o alimento que comem, se eles não cultivam alimentos de forma a não desgastar o solo, a terra ficará exaurida, as famílias que cultivam alimentos ficarão famintas, e o restante dos 2 bilhões de pessoas que comerem, se alimentarão de comida ruim, que causa obesidade. Escala não significa empresas ocupando terras do planeta. Escala significa milhões de pequenos agricultores produzindo mais comidas, porque pequenos agricultores produzem mais comidas.
Esta é a maneira de nós chegarmos ao futuro.

Fonte: Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários  Regulamentados (CNTU).

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