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Alimentação escolar, agricultura familiar e agroecologia dão exemplo ao mundo

Visita da delegação estrangeira aos agricultores familiares de Brazlândia

Visita da delegação estrangeira aos agricultores familiares de BrazlândiaBrasília, 15 – Na Escola Classe Incra 7, em Brazlândia, no Distrito Federal, o consumo de alimentos mais saudáveis já se reflete em sala de aula. Desde 2010, com intervalo de alguns meses em 2011, os alunos contam com o reforço dos alimentos recebidos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O que complementa a alimentação das crianças são frutas e hortaliças frescas produzidas na região. A cidade fica a 45km de Brasília.

“A variedade dos alimentos aumentou, além de serem mais frescos e saborosos. Isso faz a diferença em sala de aula. Criança alimentada aprende melhor”, relata a diretora da instituição, Cristiane Rosa Milani. Ela conta que, quando chegou à escola, em 2007, o cardápio incluía muita comida processada e enlatados. Com a chegada do PAA, tudo mudou.

A escola tem 93 alunos da educação infantil ao quinto ano do ensino fundamental. Lá, eles consomem o café da manhã e o almoço. Duas vezes por semana, permanecem em período integral. Nesses dias, contam com um último lanche à tarde, antes de ir embora. A escola também possui laboratório de informática e este ano passou a ter acesso à internet.

Próximo à comunidade, funciona a Associação dos Produtores de Alexandre Gusmão (Aspag), de onde vêm as frutas e hortaliças enviadas à escola. Cento e trinta produtores são atendidos pelo PAA e mais de 30 aguardam na lista de espera para se associar. Mas nem sempre foi assim. Quando o programa chegou, ainda durante o governo Lula, muitos agricultores resistiam a aderir à associação e participar do programa federal. Eles não acreditavam que a iniciativa daria certo, conta o vice-presidente da Aspag, Fábio Harada.

Hoje eles trabalham para transformar a associação em cooperativa, o que permitirá aos agricultores mais agilidade, inclusive para obter crédito junto a instituições financeiras. “Para valorizar o produtor, é preciso rentabilidade. Quanto mais o Estado investe, maior é o ganho social”, observa Harada. “Essa renda extra é extremamente importante para o pequeno agricultor, porque, entre outras coisas, modifica o perfil das famílias.”

De acordo com o dirigente, antes era difícil um produtor enviar os filhos para a universidade. Poucas famílias conseguiam. Hoje, ele conta, são muitos os que fazem curso superior. “E não só faculdades ligadas à terra, mas também cursos como direito, administração e enfermagem.”

Agroecologia – A alguns quilômetros da sede da associação, no Assentamento Betinho, mora a agricultora Nailde Maria de Jesus. Uma das associadas da Aspag, ela produz morangos e hortaliças. Há três anos, vende parte de sua produção ao PAA. Antes, Nailde trabalhava em chácaras de outros proprietários. Hoje, a realidade é outra.

Ela tem a própria plantação e consegue preços bem melhores para seus produtos, o que faz toda a diferença para a família. De seus nove filhos, apenas três trabalham com ela na roça. A mais velha faz um curso na área de ciências agrárias e os cinco mais novos estão na escola. Para isso, Nailde conta também com reforço do Bolsa Família.

“Hoje estamos bem melhor. Antes era difícil, vendíamos a preços baixos. Agora dá para cobrir esses preços”, diz. Nailde consegue produzir alimentos mais saudáveis e manter a rentabilidade. Aos poucos, está convertendo em agroecológico o método tradicional de plantio. Atualmente, usa o mínimo de agrotóxicos e barreiras verdes, eficientes para a prevenção de pragas. A lavoura conta com dois tipos de irrigação: tradicional e de gotejamento. Tudo isso ajuda a reduzir o impacto sobre o meio ambiente, e com a produção garantida.

PAA – Os programas de transferência de renda e de acesso à alimentação e o aumento do salário mínimo, aliados ao estímulo à agricultura familiar, vêm contribuindo para reduzir o número de pessoas em situação de subnutrição no país. Relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revela que o Brasil reduziu a subnutrição de 14,9% para 6,9% da população brasileira. O exemplo dessa escola de Brazlândia comprova como o PAA ajuda a comunidade a melhorar a realidade local e a qualidade do que é servido às mesas.

O PAA promove o acesso a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para as populações em situação de insegurança alimentar, com inclusão social e econômica no campo, pois fortalece a agricultura familiar. O programa contribui para a formação de estoques estratégicos e para o abastecimento do mercado institucional de alimentos, que compreende as compras governamentais de gêneros alimentícios para fins diversos, entre eles a alimentação escolar, e permite aos agricultores familiares comercializar seus produtos a preços mais justos.

A coordenadora-geral de Monitoramento das Ações de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Carmem Priscila Bocchi, avalia que os dados da FAO mostram como o país está no caminho certo, embora reconheça que ainda há muito a ser feito.

“As políticas sociais no Brasil têm a qualidade de ser integradas. Além do acesso a renda, há garantia de outros processos estruturantes, como o fortalecimento da agricultura familiar, o acesso à água no Semiárido, o PAA. Esse conjunto de políticas que está dando certo confere ao Brasil status de país que consegue resolver os problemas da miséria e da fome”, observa a coordenadora. “Os países vêm aqui para saber o segredo do sucesso do Brasil nesse processo.”

Visitas – Carmem Bocchi se refere às visitas de delegações estrangeiras ao país, como à Escola Classe Incra 7, em Brazlândia, onde estiveram na semana passada representantes do Haiti, Níger, África do Sul, Bangladesh e República do Congo que participavam do V Seminário Internacional Políticas Sociais para o Desenvolvimento. Promovido pelo MDS com apoio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o encontro incluiu visitas de campo organizadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).

A ministra de Assuntos Sociais, da Ação Humanitária e Solidariedade da República do Congo, Emilienne Raoul, que participou das visitas, disse que seu país está engajado na redução da pobreza. “O Brasil é um exemplo para o mundo”, observou.

As visitas à escola e à produtora rural foram interessantes para a ministra, que pôde ver de perto como funcionam os programas sociais brasileiros. No entanto, ela ainda tem curiosidade em saber como se dá a formação dos trabalhadores da área social.

“Temos cantinas escolares e um programa de cartões de segurança alimentar, que funciona há cerca de sete meses. Eles se inspiraram no Programa Mundial de Alimentação da ONU e nos programas brasileiros, como o Bolsa Família”, conta. “Nossa maior dificuldade para implantar essas políticas são os recursos financeiros e a formação dos trabalhadores sociais.”

Texto e foto: Ana Paula Siqueira, Ascom/MDS.

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