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“Agroecologia é caminho para o novo mundo”, defende Leonardo Boff

“É preciso inventar uma nova forma de habitar, de consumir, de nos relacionar entre nós e com a terra". Foto: Anelise De Carli.

”O pensamento que criou a crise não pode ser o mesmo que vai nos tirar dela”. Citando Einsten, assim iniciou a fala de Leonardo Boff na conferência de abertura do VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia, que ocorre até quinta-feira (28) no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.

Boff é teólogo e filósofo, fundador da teologia da libertação e autor de O tao da libertação. “É preciso”, analisou Boff, “inventar uma nova forma de habitar, de consumir, de nos relacionar entre nós e com a terra. Há cientistas que dizem que ou mudamos de rumo, ou morremos”, alertou.

O filósofo afirmou que as pessoas presentes eram a alternativa de transformar a tragédia em crise que permite um salto de qualidade, diferente da ideia de “ganhar o máximo possível em menos tempo”, desrespeito aos bens e serviços da natureza. A preservação da Terra é instintiva ao homem, fundamental para sua sobrevivência e não a do planeta, pois “ela pode continuar coberta de cadáveres, sem nós e até melhor sem nós”, frisou Boff.

O modelo de civilização de acumulação de bens materiais à custa da devastação da natureza já mostrou sua falência, daí a importância da agroecologia, que trabalha com o ritmo da natureza. “Sentindo-se não senhor da terra, mas aos pés dela”, sentenciou o teólogo. Boff disse que não gosta da expressão bens e serviços, bem melhor é o termo indígena “as bondades da natureza”. Esta visão, afirmou, que entende o ser humano junto com o planeta terra funda as bases filosóficas que estão no princípio desta agricultura e pressupõe uma nova visão de mundo.

Boff lembrou o pensamento de Fritjof Capra de que se os seres humanos soubessem entender o tempo da Terra e conviver uns com os outros não precisaríamos falar em ecologia, citando princípios que contribuem para a saúde da terra: a ética do cuidado, que impedirá futuras feridas ao planeta, a responsabilidade coletiva, a cooperação, uma vez que  nosso sistema vigente não se rege desta forma, mas sim pela competição, e a compaixão, noção que vem do oriente.

“Não é ter peninha do outro, mas se colocar no lugar do outro e caminhar junto com ele”. Precisamos, provou ele, resgatar a razão cordial, a razão sensível. Diferente do que dizemos, que isto prejudica a objetividade, na verdade contribui para devolver saúde à terra. Não devemos, frisou, perder a capacidade de projetar sonhos e utopias, tornando-os realidade através das práticas. “Para dar novo rumo à nossa história e salvar a Terra” finalizou Leonardo Boff.

Por Raíssa Genro e Débora Gallas – especial para a EcoAgência.

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