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Painel discute impactos dos agrotóxicos e transgênicos no Congresso Brasileiro de Agroecologia

Leonardo Melgarejo diz que os estudos sobre transgênicos são insuficientes e elaborados pelos próprios interessados

Quais os impactos do agronegócio, permeado pelo uso de agrotóxico e transgênicos? Quais os perigos para a saúde de quem vive no campo? Quais os riscos para o meio ambiente? Essas e outras questões são o tema do painel A luta contra os agrotóxicos e os transgênicos: impactos e perspectivas, realizada no Congresso Brasileiro de Agroecologia nesta terça-feira (26). A mesa, coordenada por Ana Valls (AGAPAN), convida a pensar um outro modelo agrícola.

Wanderlei Antônio Pignati (UFMT/ABRASCO) propõe pensar a cadeia completa do agrotóxico, de seu transporte à aplicação nas lavouras, apresentando os riscos aos trabalhadores rurais e os danos ambientais. O médico defende que não há uso seguro de agrotóxico e critica as campanhas institucionais de recolhimento de embalagens vazias, apontando o grande problema: “Onde foi parar o que estava dentro? E os milhões de litros de veneno?”. A partir de dados do IBGE, Pignati ilustra que o consumo de agrotóxicos aumenta conforme o tamanho da propriedade rural e demonstrou ainda o crescimento do número de doenças relacionados ao seu uso, como câncer e má formações.

O agrônomo Javier Souza (RAPAL) traz da Argentina a experiência de um grupo de pessoas que se opõe ao atual modelo de agricultura, caracterizado por um processo crescente de cientifização. Para Souza, os avanços da ciência, aplicados às monoculturas, modificaram o modo de fazer agricultura na América Latina, gerando um ciclo de dependência. As lutas comunitárias, entretanto, têm gerado resultados práticos e influenciado políticas públicas em diversos locais: é a estratégia do RAPAL, uma união de organizações e universidades de 14 países. A associação atua de forma a resolver problemas comuns, assumindo posições coletivas em órgãos internacionais como a FAO. De acordo com o agrônomo, apesar das particularidades de cada comunidade, é necessário que por toda a parte retomemos nossos laços com a natureza, propondo uma nova espiritualidade.

A última fala da manhã, conduzida pelo agrônomo Leonardo Melgarejo (GEA-NEAD/MDA), esteve focada nas deficiências e problemas das tecnologias do campo, principalmente os transgênicos. A partir de pesquisas, Melgarejo desconstrói o discurso de que transgênicos geram ganhos de produtividade, defendendo que os lucros ficam apenas para as empresas de sementes e insumos. Para ele, na época da entrada da soja transgênica no país, houve um conluio entre diferentes setores da sociedade para que se liberassem as sementes modificadas, sem que houvesse nenhuma preocupação social e ambiental. Melgarejo aponta problemas que ainda hoje enfrentamos em relação aos transgênicos: os estudos são insuficientes e elaborados pelos próprios interessados, há desrespeito às normas da CTNBio e também descaso a aspectos socioeconômicos.

No final da manhã, o espaço estava aberto para perguntas do público, que estava focado nas possibilidades de transformação e transição para a agroecologia. A situação, entretanto, é preocupante: “Não há como se proteger, a contaminação é inevitável. A única forma é criar áreas livres de transgênicos”, afirma Melgarejo. Para o agrônomo, o momento é de questionarmos o desenvolvimento e nosso papel nesse processo, a partir de um despertar de cidadania.

Por Ângela Camana – especial para a EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais.

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