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Considerados saudáveis, alimentos orgânicos conquistam clientes

Hoje eles podem ser vistos em toda a parte. Seja nas prateleiras dos mercados ou em lojas voltadas especificamente para eles, os produtos orgânicos vêm ocupando cada vez mais espaço na mesa de baianos e brasileiros. Para se ter uma ideia, segundo um estudo inédito da multinacional inglesa Dunnhumby, empresa especializada na ciência do consumidor, o momento é promissor para alimentos saudáveis no país e os produtos orgânicos estão dentro deste contexto.

Os dados apontam que 58% dos brasileiros preferem comprar este tipo de produto quando estão disponíveis. Este número é maior do que em países como Reino Unido e Estados Unidos, aonde este índice não chega a 30%. Quem lida com a agricultura orgânica diariamente também tem a expectativa de que este mercado tenha cada vez mais avanços. “As pessoas têm passado por uma mudança de mentalidade muito importante, uma vez que o consumidor tem se preocupado mais com a saúde e com o que está indo à sua mesa. Por isso, temos observado, principalmente nas feiras livres por onde vendemos o nosso produto, que a saída tem sido muito grande”, afirmou Damião Muniz, gerente de agricultura da Associação Agrícola Cosme e Damião, que fica em Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

Desconfiança
 Nos mercados de Salvador, no entanto, os consumidores ainda enfrentam resistência em utilizar os produtos orgânicos. “Pelo que a gente ouve falar e tem acompanhado, estes produtos nós podemos consumir sem medo. Eu até gostaria de consumi-los mais. Porém os altos preços, comparados com os produtos não orgânicos, são absurdos”, reclama a dona de casa Eloísa Lima.

Além dos preços tem gente que desconfia da real qualidade desses produtos. É o caso da aposentada Irene Canovas: “Pra ser bem sincera, não sei se é verdade se esses produtos têm uso de agrotóxicos ou não. Como nós não temos acesso ao processo de produção destes alimentos, ficamos reféns apenas do que vemos nas prateleiras”, comentou. Já a também dona de casa Antônia Santos vai na contramão, e vê com bons olhos essas novas opções ao consumidor: “Realmente é mais caro que outros produtos similares. Mas acho que, a longo prazo, a nossa saúde vai agradecer por não estarmos ingerindo uma grande quantidade de produtos químicos que são inseridos nestes alimentos”, disse.

Realmente é notório perceber a diferença entre os preços dos produtos orgânicos e aqueles em que não há química em sua composição. Em alguns mercados de Salvador, por exemplo, o preço do tomate comum está em     R$ 2,75 o quilo. Já o orgânico está em R$ 9,70. O valor do quilo do chuchu é de R$ 1,95, R$ 3,65 mais barato do que o orgânico. A mesma situação foi percebida com a cebola, cujo preço variou entre R$ 2,35 (comum) e R$ 7,28 (orgânico).

Damião explica que os preços altos, no entanto, se justificam. “Se formos analisar, os produtos orgânicos, há cinco anos, não tinham uma penetração grande no mercado, então é uma coisa relativamente nova em termos de opção ao consumidor. Além disso, o processo de produção dos produtos orgânicos é bastante diferente do modo convencional. Há também a questão da mão de obra, que tem que ser especializada. Tudo isso traz um resultado muito melhor tanto na qualidade do produto, quanto no sabor, o que é melhor para o consumidor”. Ele ressaltou ainda que a Associação produz os próprios fertilizantes e inseticidas que, segundo ele, são naturais e não prejudicam o meio ambiente.

Técnica de plantio e cultivo 
Para qualificar ainda mais as pessoas que lidam com este tipo de produto, o gerente da Associação informou que parcerias com as Secretarias Municipais e com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) são feitas de forma constante a fim de auxiliar os produtores e instruí-los sobre a melhor maneira de realizar o plantio e o cultivo do produto, que é vendido, além de Camaçari, em outras cidades como Conde, Araçás, Esplanada e Entre Rios.

Nos cursos do órgão estadual, por exemplo, os alunos aprendem técnicas para a produção agroecológica tais como o emprego de compostagem – processo biológico em que os microorganismos transformam matéria orgânica em um composto que pode ser usado como adubo –, adubação verde, manejo orgânico do solo e diversidade de culturas.

Por outro lado, Muniz elenca alguns percalços pelo qual passa a Associação, que existe há mais de 20 anos na região. “Infelizmente nós não temos uma política definida para essa área. Temos uma dificuldade imensa para conseguir o Selo Orgânico, o que nos permitiria colocar os nossos produtos em grandes mercados consumidores. Por causa disso, nós estamos apenas liberados para vender nas feiras livres, por exemplo”, citou.

O Selo Orgânico existe desde 2011 e tem por objetivo facilitar ao consumidor identificar os produtos orgânicos e comprovar sua qualidade. Para conseguir o selo, é preciso que alguns pontos, que vão desde o controle dos impactos ambientais até o pagamento anual da certificação que varia entre R$ 2.500 e R$ 15.000, têm que ser respeitados.

Fonte: Tribuna da Bahia.

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