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Assistência técnica é aliada da produção agroecológica e orgânica

Até 2015, cerca de 120 mil agricultores familiares e assentados da reforma agrária receberão, em suas propriedades, profissionais que prestam Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), com foco na produção agroecológica e orgânica. A iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, prevista no Plano Safra da Agricultura Familiar 2014/2015, tem como objetivo agregar inovação tecnológica e estimular a adoção de boas práticas no campo à produtividade e a renda da família.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), no Rio Grande do Sul, André Müller, a ação envia técnicos para as propriedades rurais com o objetivo de orientá-los sobre planejamento e modernização de processos direcionados à agroecologia e à transição para este sistema. “O primeiro passo é apresentar, para o produtor, os benefícios da produção agroecológica. Depois, analisar se a cultura tem boa adaptação ao tipo de solo, verificar se a divisa com os vizinhos é segura e avaliar se a comunidade e a propriedade contam com recursos que podem ser mais bem aproveitados.”

Com o diagnóstico em mãos, os técnicos fazem visitas frequentes às propriedades familiares, com o objetivo de capacitar os agricultores. “Nossa função é ajudar os trabalhadores rurais a começar ou a diversificar o tipo de produção de forma segura. Durante todo o processo, existe uma troca de experiência e conhecimento entre o agricultor e o profissional. Isso é importante para que não exista uma dependência e para que o beneficiário possa ser multiplicador das instruções recebidas”, observa André.

A agricultora familiar Marcia Inês Ferrari, 46 anos, atribui os êxitos alcançados em 11 anos de produção agroecológica à Assistência Técnica e Extensão Rural. Foi com o auxílio de profissionais extensionistas que ela transformou a pequena horta da família em fonte de renda e de saúde. “Sem a ajuda dos técnicos, eu não saberia nem por onde começar. Além de avaliar o solo e nos orientar sobre o modo correto de cultivar os produtos, eles nos ajudaram a articular formas de comercializá-los – seja em mercados, feiras ou por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).”

Crédito aliado à capacitação
O coordenador de Crédito da Agricultura Familiar no MDA, Mauri Andrade, salienta, entretanto, que existem duas formas do agricultor familiar ser atendido pela Ater. “O produtor pode ser incluído em chamadas públicas, realizadas pelo Governo Federal. Nessa modalidade, os beneficiários recebem orientações sobre agricultura familiar agroecológica, orgânica e agroextrativista local, do cultivo até a comercialização, sem necessariamente contratar crédito”, explica.

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) também conta com linhas de crédito para produção agroecológica em que o acompanhamento de profissionais extensionistas é obrigatória como no Pronaf Agroecologia e Produtivo Orientado.

A primeira linha, de investimento, possibilita crédito para sistemas de produção de base agroecológica e orgânica, com taxa de juros diferenciada de 1%, limite de R$150 mil, além de Ater obrigatória.

Já no Pronaf Produtivo Orientado a assistência técnica é obrigatória e remunerada nos três primeiros anos do projeto de investimento. A linha financia o pagamento dos serviços de Ater mediante a apresentação ​ de projeto técnico e dos laudos de acompanhamento das unidades familiares. “Nesse caso, o agente de crédito vai indicar, ao agricultor familiar, as empresas capacitadas para prestar o serviço e incluir o valor da remuneração do extensionista no crédito concedido. Os agricultores, nesse caso, terão um bônus de adimplência, de R$3,3 mil, que pode ser elevado para R$ 4,5 mil quando o crédito for destinado a financiamentos de empreendimentos nos municípios da região Norte”, finaliza Mauri.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Açúcar refinado vicia e pode causar até câncer

O consumo de açúcar vem crescendo a cada ano, é considerado uma droga estimulante, lícita, e pouco se discute sobre seus prejuízos à saúde humana. Para se ter uma ideia, de acordo com a Embrapa, em 50 anos, os brasileiros adicionaram 68 gramas do produto por dia em suas refeições. Isso equivale a cinco colheres de sopa. De acordo com o órgão de pesquisa agropecuária, nós consumimos cerca de 150 gramas de açúcar diariamente – a média mundial é de 57 gramas.

Seu consumo exacerbado vem trazendo consequências perigosas para a população, chegando a ser considerado um problema de saúde publica, atualmente, por gerar uma série de desequilíbrios sistêmicos.

A dependência química do açúcar gera sensação de prazer, estimulando neurotransmissores cerebrais. Essa reação boa leva ao vício, pois dura pouco tempo e nos faz querer sempre mais dessa substância. Como explica a nutricionista Andrezza Botelho, o produto refinado não traz beneficio algum para o organismo, por não conter nenhum nutriente, apenas calorias vazias. A energia em excesso é armazenada na forma de gordura, por meio do hormônio insulina, que, ao ser estimulado ou secretado constantemente, pode levar ao diabetes.

“O açúcar é apenas um alimento calórico, de baixa qualidade nutricional, que não oferece benefícios para o organismo. Ele rouba nutrientes, podendo alterar o meio digestivo no estômago, prejudicar a absorção de vitaminas e minerais, interferir na digestão e na absorção intestinal, além de facilitar o aumento da excreção de alguns nutrientes dentro do organismo”, explica a especialista.

Pouca gente sabe, mas o açúcar traz prejuízos ao intestino, pois é o alimento preferido de bactérias patogênicas, fazendo com que as colônia cresçam rapidamente, e, ao mesmo tempo, diminui o número dos organismos que ajudam a flora intestinal. Outros malefícios são o aparecimento de diabetes, o aumento de cáries, infecções e osteoporose, relacionada à perda lenta e constante de cálcio e magnésio, lesão nas paredes dos vasos sanguíneos, obesidade, envelhecimento precoce (aumento de radicais livres), hiperatividade, ansiedade e dificuldade de concentração e irritabilidade.

“É fundamental o uso controlado e limitado desse alimento, para garantir a qualidade e o equilíbrio do corpo. Por meio de trocas inteligentes, como o uso de açúcar mascavo e o demerara, podemos ingerir alguns nutrientes interessantes. Mesmo assim, o consumo tem de ser consciente e equilibrado, para garantir a saúde física e mental”, diz a nutricionista Andrezza Botelho.

Um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, feito com ratos de laboratório, mostrou que uma dieta com elevada dose de açúcar deixa o cérebro mais lento, prejudicando a memória e o aprendizado. De acordo com o estudo, o consumo excessivo pode interferir na capacidade da insulina de regular como a célula usa e armazena esse ingrediente, o que é necessário para o processamento de pensamentos e emoções.

Fonte: Portal UAI.

PNAE brasileiro foi apresentado no Congresso da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica, na Turquia

A médica veterinária gaúcha, do Instituto do Bem Estar, Angela Escosteguy, foi uma das representantes brasileiras no 18º Congresso da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), que encerrou no último dia 15, na Turquia. O evento teve mais de 800 participantes, representando cerca de 150 países. Ao falar sobre o congresso para EcoAgência, Angela Escosteguy enfatizou que esta foi a primeira vez a IAHA – IFOAM Animal Husbandry Alliance, grupo que integra, participou do congresso, organizando dois eventos no tema de pecuária orgânica.

“Representei no Congresso Mundıal da IFOAM, o Programa Nacıonal de Alımentação Escolar (PNAE). No Brasıl poucos sabem, mas dıarıamente 47 mılhões de crıanças em escolas públicas recebem ao menos uma refeıção por dıa. O PNAE, desde 2009, instituiu que as compras governamentaıs de alımento para escolas públicas sejam pelo menos 30% provenıentes de produtores famılıares, prıorızando os alımentos orgânicos”, explicou ela.

Dessa forma, segundo Angela, foram resolvıdos doıs graves problemas: por um lado os pequenos produtores, historicamente com dıfıculdades de vender seus produtos e, do outro, mılhares de crıanças precısando de alımento.

“Isto significou na pratica”, enfatizou, “que 30% dos 1,5 bilhões de dólares anuais (segundo dados de 2013) destinados às compras para o abastecımento de escolas, foram destinados aos pequenos produtores de orgânicos que, historicamente, sempre tıveram dıfıculdades de vender seus produtos e partıcıpar de lıcıtações. E ainda unıversalızou o consumo de alımentos orgânicos, normalmente acessíveis somente à elite da população”.

A Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM) é a maior e mais importante entidade mundial do movimento de agricultura orgânica e sustentável. A cada três anos, realiza um congresso mundial para discutir os rumos da segurança alimentar, das certificações e processos relacionados à agricultura familiar, como enfrentar as mudanças climáticas e intensificação ecológica. O próximo congresso será realizado em 2017 na Índia.

Por Juarez Tosi para EcoAgência de Notícias e Vida Sustentável.

Outubro Rosa – Boa alimentação ajuda na prevenção do Câncer de Mama

O mês de Outubro traz para as mulheres reflexões sobre o câncer de mama e a necessidade de uma boa alimentação para prevenir da doença. Em tese, sabemos que é indispensável que tenhamos uma dieta balanceada com muitas frutas, verduras, legumes e grãos para manter uma alimentação balanceada.

As dicas que as nutricionistas dão é manter o peso em níveis adequados, pois as células de gordura podem aumentar a produção de estrogênio, hormônio que pode estimular o crescimento de células cancerígenas. E a única forma de manter a boa forma é o consumo de alimentos saudáveis e de uma dieta rica em nutriente. Fazer o uso de alimentos ricos em antioxidantes para evitar danos causados por radicais livres, o que também pode induzir o desenvolvimento de células cancerígenas.

Entre os alimentos que podem ajudar no bom funcionamento do fígado e na eliminação de toxinas que favorecem o crescimento de tumores estão brócolis e couve. Consumir diariamente frutas e legumes variados também auxilia na prevenção do câncer de mama e outras doenças.

Confira as dicas do que não pode faltar na sua alimentação
Vitamina C: encontrada nas frutas cítricas, em especial, na acerola, caju, kiwi, morango, laranja, goiaba, no tomate, pimentão e repolho.
 Vitamina E: encontrada no gérmen de trigo, vegetais de folhas verdes escuras, gema de ovo e castanhas.
 Licopeno: pigmento encontrado no tomate, goiaba, pitanga, melancia e uva.
 Betacaroteno: pigmento encontrado em vegetais e frutas alaranjadas – cenoura, mamão, manga e abóbora.
 Fibras – As fibras estão presentes nos seguintes alimentos: grãos e cereais integrais, leguminosas, castanhas e sementes, hortaliças e frutas.

Brócolis -  Recomenda-se o consumo de meia xícara de chá do alimento por dia.

Soja e derivados como leite de soja e tofu, contêm nutrientes em sua composição chamados fitoestrogênio. Ele é similar ao hormônio estrogênio natural, produzido pelo corpo feminino a partir da adolescência e, por isso, ocorre uma competição entre ambos dentro do nosso organismo. rutas Frutas Vermelhas

Frutas vermelhas como framboesa e amora, contêm fitonutrientes anticancerígenos chamados antocianinas que retardam o crescimento de células pré-malígnas e evitam a formação de novos vasos sanguíneos, que podem alimentar um tumor.

Cenoura é rica em beta caroteno, que protege o DNA contra a oxidação, evitando a formação de radicais livres.

Verduras – Escolha duas ou três verduras, como alface lisa, alface roxa, rúcula e brócolis. As folhas escuras são ricas em ferro e ácido fólico. As verduras também contêm fibras, que auxiliam o trânsito intestinal.

Fonte: Mais Bahia.

Mulheres agricultoras transformam suas vidas no Semiárido brasileiro

“Queria ser poetisa pra tudo poder escrever
Em rima, versos, cordéis, que todos pudessem ler
E dar boas gargalhadas na alegria de viver
Hoje eu quero escrever, sobre um bicho em extinção
Era muito autoritário, de leste, oeste e Sertão
Com desculpa esfarrapada desde o tempo de Adão
Uma cultura que houve sem Deus e a criação
Quando a desobediência fez cair em tentação
Os dois comeram os frutos, mas o que disse Adão?
Foi a mulher quem me deu, ela quem primeiro viu!
Jogou toda a culpa em Eva, foi um verdadeiro breu.
Eva não se defendeu e toda a culpa assumiu”.
Luzia Bezerra da Silva, Itatiuba, Paraíba.

É também através dos versos, como este acima, que dona Lita, como é conhecida a agricultora Luzia Bezerra Silva, da comunidade Serra Velha, em Itatiuba, na Paraíba, reflete sobre a situação de opressão que muitas mulheres ainda sofrem e a importância de que elas não se deixem ser tomadas por essa situação. Reflexão também feita pela agricultora Maria Madalena Oliveira Leite, de Montes Claros, em Minas Gerais, conhecida como dona Nenzinha. “A gente às vezes trabalha mais que os homens porque sabemos que o que a gente faz hoje não é só ajuda, a gente trabalha em tudo. Tem gente que diz que mulher é fraca, mas não tem isso de fraqueza não, mulher é forte e inteligente”, diz.

Mulheres como dona Lita e dona Nezinha conhecem seus direitos e passam a se reconhecer como agricultoras experimentadoras e protagonistas da construção da convivência com o Semiárido. Mas nem sempre foi assim e os desafios ainda são muitos para serem superados. No entanto, esse cenário vem mudando, e isso se dá pela iniciativa e luta das próprias mulheres do Semiárido. “As agricultoras experimentadoras são referências que já tiveram vidas negadas, mas que foram quebrando a negação e descobrindo o mundo a partir do conhecimento delas que são hoje experimentadoras, são guerreiras do Semiárido e suas histórias são importantes para outras mulheres”, explica Cristina Nascimento, coordenadora da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) pelo estado do Ceará.

A luta diária das mulheres na construção e desenvolvimento de suas regiões não é nova, nem de agora. As mulheres sempre tiveram um papel importante na construção da sociedade. No Semiárido, por exemplo, elas sempre foram as principais responsáveis pela garantia da água e alimentação da família. Era das mulheres o trabalho de buscar água nos barreiros e açudes, muitas vezes acompanhada das crianças, enquanto os homens trabalhavam no roçado. Essa realidade do Semiárido tem se transformado, principalmente pela organização das agricultoras e agricultores da região e de organizações da sociedade civil que tem convivido com o Semiárido ao invés de combater à seca. Esse processo tem colocado em prática, por exemplo, a ação da ASA, de descentralização e estocagem da água na região, a partir de tecnologias sociais, como as cisternas de placas, e da valorização do conhecimento das agricultoras e agricultores. “É importante pensar a perspectiva da mulher e de sua importância para a o Semiárido, mas também de extrapolar a relação da importância a partir apenas das tecnologias, de pensar na relação das pessoas com o seu lugar. As mulheres no seu processo produtivo muitas vezes não são reconhecidas. Tem jornadas triplas de trabalho, pois acordam mais cedo, cuidam do quintal, da casa, do roçado, dos animais e às vezes elas mesmas não enxergam tudo isso como trabalho”, pontua Cristina.

Com essa nova realidade, as mulheres continuam exercendo um importante papel no desenvolvimento da região. Experimentam formas e práticas de convivência com o Semiárido a partir de sua produção, do beneficiamento dos alimentos, da comercialização, e percebem a importância de sua organização. “Elas vão percebendo seus conhecimentos e experiências que passam de geração em geração. Quando chegam as inovações de tecnologias, como a primeira água para consumo e a segunda água para produção de alimentos, isso se conecta com as experiências e conhecimentos das mulheres e causa mudanças incríveis para a vida delas”, diz Glória Araújo, coordenadora da ASA pelo estado da Paraíba.
O quintal das casas é um dos lugares em que as mulheres estão mais presentes, é neles que as mulheres experimentam suas práticas e inovações. Plantas medicinais, hortaliças, pequenos animais, flores, entre outras produções compõem os quintais. Mas elas não trabalham apenas nesse arredor de casa enquanto se faz o almoço. Elas trabalham e se dedicam ao quintal também porque buscam os alimentos saudáveis para toda a família, porque tem esse cuidado com a alimentação. “Eu fico feliz em saber que toda a minha família tem uma alimentação saudável, mas não só a gente, mas minha comunidade, minhas vizinhas, minhas amigas da cidade que compram minhas hortaliças”, conta dona Lita.

Mas para conquistar essa felicidade em partilhar sua produção, dona Lita teve que lutar contra muitas adversidades. E foi experimentando, através de um sistema de irrigação por gravidade, que ela mesma produziu, e com a água armazenada na cisterna-enxurrada, que passou a produzir suas hortaliças e a partilhar com as vizinhas, até enxergar o potencial de comercialização que tinha. Mas teve que driblar o preconceito do marido, que não queria ver a mulher na feira, que para ele era lugar que só tinha homem. “Ele é cortador de carne e tem um box na feira. Um dia peguei meus sacos cheios de hortaliças, pedi pra minha menina fazer um cartaz com o nome produtos orgânicos e cheguei lá. Ele disse que eu num ia fazer isso, mas eu devagarzinho comecei a vender. Hoje ele também vende as hortaliças na feira”, conta dona Lita, exemplificando que o preconceito com o trabalho da mulher ainda é muito forte.

A experimentação vem da prática, mas não só da agricultura. As agricultoras não só inovam buscando formas de conviver com o Semiárido através da produção, mas também experimentam do ponto de vista da organização. “Todas as conquistas que tivemos no campo das políticas e direitos foram a partir da luta das mulheres. É importante refletir com elas da importância do espaço coletivo. Elas se encontram, elas veem que o problema de uma é de outra. Se junta em torno de uma causa que não é minha é da outra. O espaço coletivo é fundamental para a reafirmação dos direitos a exigência de efetivação de direitos”, relata Cristina.

Para a agricultora Luciana da Silva, do Rio Grande do Norte, a organização contribui e fortalece os processos produtivos. “Eu casei com 14 anos e a vida só começou a melhorar quando eu entrei e me organizei na associação. Porque aprendi com as outras mulheres como é importante nós estarmos em todos os espaços produtivos da propriedade criando e experimentando: na horta, no roçado e na criação. Depois que comecei a dominar a produção a vida melhorou muito passamos a cultivar para comer e comercializar”, Luciana da Silva, agricultora do Rio Grande do Norte.

A troca de conhecimentos entre as agricultoras é muitas vezes o estímulo às experimentações e ao processo organizativo. Os momentos de intercâmbios de experiências, por exemplo, metodologia usada pela ASA, contribui para o fortalecimento desse conhecimento. “A gente vai fazendo os intercâmbios, vai trocando as experiências e vai colocando em prática, vai experimentando. É por isso que a gente é agricultora experimentadora”, conclui dona Nenzinha.

Para Glória, os intercâmbios são momentos de diálogo de agricultora pra agricultora em que se enxerga a força do que está fazendo. “Essa troca busca também o aperfeiçoamento daquilo que elas estão inovando, seja no manejo da água, na criação de animais, em como lidar com os períodos de estiagem. Trocam conhecimento da valorização do patrimônio genético do Semiárido brasileiro, como com as sementes. Muitas são guardiãs e não se percebem, elas vão se sentindo fortalecidas a partir do diálogo de agricultora pra agricultora”, explica Glória.

Encontro Nacional – Mais de 100 mulheres agricultoras de todos os estados do Semiárido estiveram reunidas nos dias 23 e 24, em Lagoa Seca, na Paraíba, durante o I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras, com o lema Celebrando conquistas na trajetória da ASA. O objetivo do encontro era de valorizar e dar visibilidade ao conhecimento e as capacidades das mulheres agricultoras e suas formas de inserção na organização do trabalho da agricultura familiar, além de construir coletivamente caminhos para superação das situações de desigualdade. As agricultoras voltam para suas comunidades após o encontro mais fortalecidas e com novos conhecimentos, a partir da troca de experiências que vivenciaram.

Fonte: AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Uso da agrobiodiversidade pode ajudar a enfrentar as mudanças climáticas

Os governos da América Latina e do Caribe devem aprofundar as políticas públicas para que a agricultura familiar e os povos tradicionais possam se beneficiar da agrobiodiversidade regional e fazer frente aos desafios da mudança climática, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Participantes do V Seminário Regional Agricultura e Mudança Climática, organizado pela CEPAL e pela FAO, com apoio da Cooperação Francesa e com patrocínio do IICA e Oxfam Grã-Bretanha, assinalaram que é necessário reconhecer os potenciais dos conhecimentos tradicionais acumulados pelos agricultores familiares e os povos originais para adaptar a agricultura regional à mudança climática.

“Fortalecer a agricultura familiar, permitindo aproveitar de forma cabal a riqueza dos recursos da nossa região e aproveitar as expressões de conservação da agrobiodiversidade vinda dos povos tradicionais, vai possibilitar, não somente, fortalecer a esses setores, mas também é uma forma de potenciar a segurança alimentar de toda região”, ressaltou o representante regional da FAO, Raúl Benítez.

Guardiãos da biodiversidade – A agrobiodiversidade é um recurso indispensável para garantir que as gerações atuais e futuras contem com uma base produtiva que sustente a segurança alimentar.

“Faz falta aproveitar o capital da biodiversidade que temos para encontrar espécies mais resistentes a mudança climática. Toda essa riqueza que temos na região podemos analisar e aproveitar”, assinalou durante  o Seminário, Graciela Magrín, integrante do Painel Intergovernamental de Mudança Climática.

A FAO apontou ainda que os países devem fazer esforços para conservar e aproveitar os recursos de maneira racional, melhorando e democratizando o acesso e eles, especialmente para os agricultores familiares, que são os que produzem a maior parte dos alimentos do consumo local nos países da região e para os povos tradicionais que vem desenvolvendo práticas agrícolas e de conservação durante milhares de anos.

“Precisamos desenvolver sistemas agrícolas mais diversificados e resilientes, desenvolver alternativas produtivas em condições climáticas variáveis”, enfatizou Alicia Bárcena, secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), que ressaltou a importância de refletir sobre “o papel da agricultura familiar não somente como produtora de alimentos, mas também como protetora da agrobiodiversidade”.

Alicia Bárcena lembrou que a região tem sido o centro de origem de diversas espécies agrícolas, como o milho e a batata, destacando “o tremendo papel que tem exercido os povos tradicionais e os agricultores familiares selecionando e usando essas variedades de geração em geração. Essa acumulação de conhecimento não foi suficientemente reconhecida”, acrescentou.

Insegurança alimentar – O representante regional da FAO chamou a atenção sobre o fato de que tanto os agricultores familiares, como os povos indígenas muitas vezes vivem na pobreza e na insegurança alimentar, apesar do papel chave na produção de alimentos e na preservação de tradições e espécies milenárias na região.

“Se os governos adotam as políticas públicas adequadas para dotar de recursos os agricultores familiares e os povos tradicionais, vamos dar um passo importante para assegurar que a atual geração de latino-americanos e caribenhos seja a última em conviver com a fome”, explicou Benítez.

Pascal Delisle, conselheiro regional da Cooperação da França, disse que “nesse Ano Internacional da Agricultura Familiar nos parece muito importante analisar, não somente a contribuição para o setor agrícola, mas também a reconhecida capacidade e resiliência à mudança climática”.

Fonte: ONU Brasil.

Encontro reúne agricultores orgânicos do estado

I Encontro de Agricultores Orgânicos de Sergipe (Foto Ascom/Sebrae).

O compartilhamento de experiências e a discussão de propostas para melhorar a atividade no estado, foi o tema do  I Encontro de Agricultores Orgânicos de Sergipe, que reuniu produtores rurais de diversos municípios do Estado, no Campus do Instituto Federal de Sergipe (IFS) em São Cristóvão.

Todos os agricultores são beneficiados pelo Programa de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), uma iniciativa desenvolvida pelo Sebrae em parceria com a Fundação Banco do Brasil, Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social (Seides), Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que busca estimular a sustentabilidade através da agricultura orgânica.

Além de oferecer uma nova alternativa de trabalho e renda para a agricultura familiar, o programa busca garantir o respeito ao meio ambiente e aos hábitos e costumes da população, sempre utilizando técnicas que já são conhecidas no meio rural. A ideia é produzir alimentos sem o uso de qualquer tipo de agrotóxicos, aliando a criação de animais à produção vegetal, preservando a qualidade do solo e das fontes de água e incentivando o associativismo.

“ Temos alcançado resultados bastante expressivos com esse modelo de produção e agora desejamos que aqueles que se conseguiram se destacar possam compartilhar as práticas exitosas junto aos demais agricultores. A proposta é difundir informações para que possamos melhorar ainda mais essa atividade, proporcionando mais benefícios ao público que mora no campo”, explica a gestora do Pais, Lívia Feitosa.

Além de acompanhar a exposição de casos de sucesso, o público também teve a oportunidade de participar de grupos de trabalho para discutir ações que possam auxiliar o desenvolvimento da atividade. Um documento com as sugestões será encaminhado a todos os órgãos que cooperam para o fortalecimento da agricultura orgânica em Sergipe. A programação do evento também incluiu uma feira para troca de sementes entre os agricultores.

“ A produção agroecológica mudou a vida da minha família e hoje ajuda a garantir o nosso sustento. Como toda atividade, o início foi marcado por muitas dificuldades e superações. Depois de muito esforço, já consigo comercializar toda a minha produção na feira livre da cidade onde moro e em breve conseguirei vender as hortaliças nos mercados de Aracaju”, comemora a agricultora Marta Santos, que reside no município de Gararu.

O Pais

O Programa de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) começou a ser implementado no Brasil em 2005 e desde então beneficia agricultores de 19 Estados e do Distrito Federal. O modelo chegou a Sergipe em 2009, graças ao empenho do Sebrae e da Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Coodevasf). Desde então, mais de mil famílias de todos os territórios do estado já foram contemplados pela proposta.

O modelo para o cultivo dos alimentos consiste na presença de um galinheiro central e três círculos de hortas em uma área de cinco mil metros quadrados. No local, também é instalada uma caixa d’água para garantir a irrigação do terreno através da técnica de gotejamento, em que a água é vagarosamente fornecida a uma área específica, próxima às raízes da planta.

A escolha das espécies a serem plantadas leva em conta as condições de produção e comercialização. A presença do galinheiro garante a integração dos animais com o cultivo das hortaliças, facilitando a utilização dos estercos das aves para enriquecer o solo e o uso das sobras dos plantios para alimentar os animais. Todo o processo de montagem da estrutura é acompanhado por técnicos do projeto.

Por redação Vida Sustentável com informações da Ascom/Sebrae.

Orgânicos: alimentação saudável é tema do Pólo Gastronômico no Sebrae/RS

O “Diálogo sobre Tendências”, promovido pelo Pólo Gastronômico de Porto Alegre prossegue nesta quinta-feira, 31/7, na sede do SEBRAE-RS da região metropolitana na rua São Manoel, 282.

O encontro irá tratar de oportunidades de negócios na alimentação saudável e orgânicos e irá reunir os painelistas Rosangela Cabral da Secale Pães e Juarez Tosi da Grão Natural.

Desenvolvido pelo SEBRA-RS, a iniciativa tem como objetivo promover o desenvolvimento do setor de alimentação com o oferecimento de cursos, treinamentos e dicas úteis para micro e pequenos empresários e trabalhadores do ramo.

- Este é um projeto que tem três pilares, que é qualificar gestão, garantir a segurança na manipulação de alimentos internamente nas empresas e ajudar os empresários a aproveitar as oportunidades que acontecem na capital -  afirma Roger Klafke, gestor do projeto junto ao SEBRAE-RS.

Mais informações aqui ou através do fone Fone: 0800.570.0800.

Fonte: De Mala & Cuia.

Até 2015, R$ 8,8 bilhões serão investidos na agricultura familiar

Até o final de 2015, 50 mil agricultores serão certificados em produção orgânica. No mesmo período, entre 120 mil e 150 mil famílias receberão Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para produção agroecológica.

Esses são alguns objetivos do Plano Nacional de Agroecologia e Produção de Orgânico,  apresentado e debatido na tarde de terça-feira (1º), em Audiência Pública, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

O secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), Valter Bianchini, fez um resumo sobre resultados e perspectivas do Plano que tem 14 metas e 125 iniciativas até 2015, com um investimento de R$ 8,8 bilhões, para agricultores brasileiros.

Bianchini detalhou que, além de custeio para sistemas de produção agroecológica, 30% de bônus do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) para produtos da agroecologia e com juros de 1% para os investimentos, o Plano vai universalizar para 120 mil agricultores a Ater para a transição para a agroecologia.

“Nas políticas de Ater, de crédito e de compras públicas, há um comprometimento com a sociedade para cumprir as metas do Plano”, pontuou Bianchini. Ele citou como exemplo no crédito para a agricultura familiar, o Pronaf Produção Orientada, linha que destina recursos para projetos agroecológicos de até R$ 40 mil.

O secretário-executivo da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), Selvino Heck, ressaltou importantes avanços do programa, mesmo com pouco tempo de criação da Política Nacional voltada para o tema e observou que, nesse momento, a Comissão está trabalhando para a redução do uso de agrotóxicos no País.

Representante da Articulação Nacional de Agreocologia (ANA), Generosa de Oliveira, afirmou, na Audiência, que o Plano “é um mérito por ter acolhido as reivindicações da sociedade civil de uma agricultura sustentável”, além de importante para uma agricultura que produz alimentos saudáveis e sem agrotóxicos.

A audiência contou com representantes da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O Plano

A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica foi instituída em 2012, após sua construção de forma participativa entre governo federal, sociedade civil, organizações e movimentos sociais.

O Plano tem uma Câmara Interministerial (Ciapop), formada por dez ministérios, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, e uma Comissão Nacional (CNAPO), com membros do governo e da sociedade. Suas ações estão voltadas para quatro eixos: produção; uso e conservação do solo; conhecimento; comercialização e consumo.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Rússia se opõe ao cultivo de alimentos transgênicos

O Governo russo adiou por três anos o registro estatal dos organismos geneticamente modificados (OGM), segundo informa o site do Kremlin. O relatório publicado afirma que “é necessário um longo tempo para elaborar os testes de acordo com os mais recentes avanços científicos e a experiência internacional, assim como para equipar adequadamente os laboratórios do país”. A mesma fonte acrescenta que o decreto se aplicará de 1.º de julho de 2014 a 1.º de julho de 2017.

Em setembro de 2013, o Primeiro-Ministro Dmitri Medvedev assinou um decreto segundo o qual, a partir de 1.º de julho deste ano, os campos russos poderiam começar a ser cultivados com sementes geneticamente modificadas.

Em fevereiro de 2014, um projeto de lei para proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados foi submetido ao Parlamento russo. O Vice-Primeiro-Ministro Arkady Dvorkovich disse na ocasião que o decreto do Governo que visa a legalizar os transgênicos seria modificado.

O Serviço Federal Russo de Controle Veterinário e Fitossanitário tem afirmado repetidamente que a qualidade da semente é a base da segurança alimentar da Rússia e que os países desenvolvidos têm um rigoroso sistema de controle nessa área. Além disso, o governo russo também afirma que o desenvolvimento, os testes e a produção das sementes são monopolizados por poucas corporações transnacionais, capazes de limitar o acesso a informações sobre os efeitos adversos do uso de seus produtos.

Fonte: Diário da Rússia.

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