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Oito em cada dez pacientes com câncer de cabeça e pescoço são fumantes

Oito em cada dez pacientes com câncer de cabeça e pescoço são ou já foram fumantes. É o que aponta um levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP. Desses pacientes, 60% são homens.

Dentre as diversas neoplasias que podem ser desenvolvidas devido ao uso de cigarros estão as que se manifestam na região da cabeça e pescoço. Dos pacientes tratados no setor, 60% são acometidos por tumores localizados na boca e 40%, na faringe ou laringe. O estudo aponta ainda que as ocorrências são mais frequentes em pessoas acima de 50 anos.

Além do tabagismo, o consumo excessivo de álcool também está associado ao desenvolvimento desse tipo de câncer. “O álcool, assim como o tabaco, tem uma relação expressiva com a doença. Cerca de 50% dos nossos pacientes são etilistas”, alerta o médico Marco Aurélio Kulcsar, chefe de Clínica da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Icesp.

Os dados ratificam os índices apontados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), que mostram que o consumo das duas drogas juntas pode aumentar em 20 vezes as chances de uma pessoa desenvolver esse tipo de tumor.

Sintomas x Prevenção
O câncer de cabeça e pescoço compreende um grupo de neoplasias classificadas por localização, em áreas diretamente envolvidas com as funções de fala, deglutição, respiração, paladar, olfato e outros.

Entre os sintomas manifestados estão: manchas brancas na boca, dor, lesão ulcerada ou com sangramento e cicatrização demorada, nódulos no pescoço presentes por mais de duas semanas, mudanças na voz ou rouquidão persistente e dificuldade para engolir.

Apesar do grande número de casos, o potencial de prevenção da doença é alto, devido a sua relação inerente com o tabagismo e etilismo. Medidas simples como não fumar e nem consumir bebidas alcoólicas em excesso, além de dar preferência a alimentos pobres em gordura e ricos em fibras, ajudam a evitar o desenvolvimento dos tumores.

Especialistas orientam também que as pessoas se habituem a examinar sua boca regularmente, já que, se detectadas na fase inicial, as neoplasias apresentam até 80% de chances de cura.

“O diagnóstico precoce é sem dúvida um dos nossos aliados. Quando falamos em tratamento, enquanto um paciente com um tumor avançado chega a ficar até 10 dias internado depois da cirurgia, aqueles que apresentam casos iniciais podem receber alta em apenas dois dias, sem precisarem sequer passar pela radioterapia”, diz o médico.

Para moradores da cidade: alimentos transgênicos e os agrotóxicos usados na sua produção matam

Parece comida, mas não é comida”, afirmou Leile Teixeira. (Fotos: Leonardo Sá / Agência Porã)

Uma mensagem especial deve ser levada pelos trabalhadores do campo aos moradores da cidade: os alimentos transgênicos e os agrotóxicos usados na sua produção causam várias doenças, inclusive o câncer, e matam. O alerta foi apresentado  no VI Encontro Estadual do Movimento dos Pequenos Produtores (MPA) no Espírito Santo. O evento é realizado em Vitória e será encerrado nesta quinta-feira (2).

A autora da recomendação para que os camponeses discutam a questão dos alimentos com os moradores das cidades, alertando para os riscos do que consomem,  é da professora Leile Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A professora afirmou que a produção e consumo dos alimentos devem estar no centro da atual conjuntura. “Na cidade,  consumimos o que está a nossa disposição e, na maioria das vezes, o que comemos são alimentos multiprocessados. Parece comida, mas não é comida” afirmou  Leile Teixeira.

Para ela, é preciso que a clareza que se tem dos riscos dos alimentos transgênicos, que são modificados para que possam receber mais venenos agrícolas, deve ser levada para todos em discussões que liguem os trabalhadores do campo aos moradores da cidade. A professora afirma que é fundamental vermos o alimento para além de sua capacidade nutricional, “muito mais que proteínas e sais minerais, nos alimentamos de manga, de limão, e isso tem um rastro cultural muito forte”.

Entre uma gama de dados sobre o tema alimentação, a professora Leile Teixeira alertou sobre os problemas causados pelo agronegócio na humanidade.  A entrada do capital na agricultura marca um novo momento, pois é a partir disso que o que comemos começa também a nos matar. “O agronegócio é uma violência contra o solo, a água e o corpo humano”, sentencia. Lembrou que entre as doenças causadas pelos alimentos disponíveis, estão o diabetes, o câncer, e doenças genéticas.

A professora foi palestrante na abertura do  VI Encontro Estadual do MPA no Espírito Santo, nessa terça-feira (30). Pela primeira  vez, o evento está sendo realizado em Vitória, e conta com 25 organizações urbanas, sindicatos, parceiros e parceiras do MPA. Participarão pelo menos  300 camponeses e camponesas do total previsto, cerca de 500. Os trabalhadores estão acampados no centro sindical dos Bancários. Muitos, com seus filhos, inclusive lactantes.

Outro palestrante foi o professor Mauro  Iasi (foto à esquerda), também da UFRJ. Ele assinalou que o momento em que estamos vivendo marca um fim de um ciclo, que no Brasil se abriu no final da ditadura militar.  “O dilema da conjuntura é que o capital está em crise, mas essa crise está sendo jogada nos ombros da classe trabalhadora”, afirma.  E ressalta que “não será possível nenhuma alternativa de transformação que não venha da base da sociedade”.

As palestras foram ricas de informações. Humberto Ribeiro,  da direção nacional do MPA, afirmou que o congresso tem a histórica da classe trabalhadora, por retomar uma pauta histórica na luta de classes, no processo de aliança dos camponeses com os trabalhadores da cidade. “O fator concreto que faz o elo entre o campo e a cidade é o alimento”, afirmou.

Vários trabalhadores participaram debatendo os temas levantados e discutindo outras formas de aliança entre os trabalhadores do campo e da cidade. Foram criticados os valores astronômicos colocados à disposição do agronegócio pelos governos, Lula e Dilma entre eles. A cifra hoje atinge R$ 188 bilhões para o agronegócio, 20% a mais que na última safra.

São recursos destinados ao agronegócio para a safra 2015/2016, anunciados pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), em evento que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff. Kátia é a maior representante dos que defendem o agronegócio, conhecido como o grupo da motossera, tamanha sua voracidade.

O agronegócio também é assentado no emprego de transgênicos e no intenso uso de venenos agrícolas, considerando que as sementes são modificadas para que possam receber mais agrotóxicos. Empresas como a  Monsanto (Estados Unidos), Syngenta (Suíça), Dupont (EUA), Basf (Alemanha), Bayer (Alemanha) e Dow (EUA) atuam nos setores de produção de transgênicos e de agrotóxicos ao mesmo tempo.

Já o Novo Plano Safra da Agricultura Familiar 2015-2016 lançado pelo governo federal prevê o valor de apenas R$ 28,9 bilhões, ou seja, 20% a mais que na safra anterior. Embora os pequenos e médios agricultores produzam cerca de 70% dos alimentos consumidos no país, respondam por 77% da mão de obra no campo, e detenha o maior número de propriedades rurais.

Os temas desta quarta-feira pela manhã desta quarta-feira (1) foram Organicidade, por Humberto Ribeiro, da direção nacional do MPA, e Plenária da Mulher. À tarde, outra plenária, da Juventude Mulheres, além de Relação de Gênero; Juventude Camponesa; Educação Camponesa; Terra e Território; Soberania Alimentar; e  Plano Camponês serão discutidos por Valmir Noventa, Hugo e Dione.

O encerramento nesta quinta-feira (2) será com discussões entre 7h20min e 12h, com encaminhamento para o congresso nacional. Às 13h30, haverá atos de assinatura da moradia, do trator e implementos, coordenados por Dione e Dorizete Cosme.

O VI Encontro Estadual do Movimento dos Pequenos Produtores (MPA) no Espírito Santo reafirma a necessidade de produzir alimentos de qualidade e colocá-los na mesa dos trabalhadores da cidade, como parte da estratégia da Aliança Camponesa e Operária.

No evento, o MPA visa a preparação para o I Congresso Nacional do MPA, que será realizado no mês de outubro, entre os dias 12 e 16, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Plano Camponês, Aliança camponesa e operária por soberania alimentar e poder popular são os temas do congresso.

Fonte: Século Diário.

FAO e OIT lançam nova cartilha ilustrada para proteger crianças de pesticidas

Com a ajuda de uma nova cartilha desenvolvida pela FAO e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), os agentes de extensão agrícola na África e em outros lugares vão poder trabalhar com as comunidades rurais para reduzir a exposição de crianças aos pesticidas tóxicos usados na agricultura.

Cerca de 100 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estão submetidas a trabalho infantil na agricultura, de acordo com estatísticas da OIT. Muitas estão diretamente expostas a substâncias químicas tóxicas, quando trabalham em atividades agrícolas. As crianças também ficam expostas quando ajudam nas tarefas familiares ou brincam nos campos, e por meio da comida que comem e a água que bebem.

As crianças são muito mais sensíveis aos pesticidas do que os adultos. A exposição pode levar a intoxicação aguda e a criança pode adoecer imediatamente após o contato. Mas muitas vezes também há consequências a longo prazo – e que podem se tornar crônicas – para a saúde e desenvolvimento.

Limitar o uso de pesticidas e promover alternativas não-tóxicas é importante para reduzir a exposição, mas a educação também é crucial.

A nova cartilha da FAO e da OIT: Proteger as crianças de pesticidas!, (Protect children from pesticides!) proporciona uma ferramenta fácil de usar e acessível. Ajuda aos agentes de extensão agrícola, professores rurais, inspetores de trabalho, e as organizações de produtores, a ensinar aos agricultores e suas famílias a identificar e minimizar os riscos em casa e na fazenda. Eles também aprendem a reconhecer e responder a sinais de exposição a substâncias tóxicas.

A cartilha conta com três módulos principais: como as crianças estão expostas a pesticidas; quais os riscos para a sua saúde – e por que as crianças são especialmente vulneráveis -; e o que pode ser feito para reduzir esses riscos.

Crescente interesse

“A ferramenta foi inicialmente desenvolvida em Mali, onde é agora amplamente utilizada pelos agentes de extensão, as escolas de campo para agricultores, inspetores de trabalho e as organizações de produtores”, disse Rob Vos, diretor da Divisão de Proteção Social da FAO. “Seu uso – acrescentou – também está se expandindo em Níger e em outros países africanos. Estamos vendo um crescente interesse de outras regiões. A cartilha não só está conscientizando sobre a necessidade de fazer alguma coisa, mas também mostra o que fazer”.

Nem todas as situações são iguais. A cartilha está disponível em várias línguas (inglês, francês, português e espanhol e em breve será traduzia ao russo), e também se adapta a diferentes contextos regionais, incluindo a Europa Oriental, o Cáucaso e a Ásia Central, a América Latina e o Caribe e a Ásia-Pacífico. Os gráficos e as ilustrações também se adaptam na mesma medida.

Apoio da Convenção de Rotterdam

O esforço para adaptar a cartilha ilustrada e promover a utilização mais ampla conta com o apoio da Convenção de Rotterdam, um tratado multilateral para promover a responsabilidade compartilhada em relação à importação de produtos químicos perigosos. A Secretaria da Convenção é presidida conjuntamente pela FAO e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

“Esse é um bom exemplo de como o trabalho normativo de uma convenção pode contribuir para atingir grupos mais vulneráveis e melhorar algo em suas vidas”, disse Christine Fuell, coordenadora da FAO para a Convenção de Rotterdam. “As coloridas Ilustrações – explicou – se baseiam no conhecimento local e se refere a situações muito concretas e reais, que também atraem as crianças, aumentando a sua própria consciência sobre os riscos associados aos pesticidas”.

A FAO lançou a cartilha durante uma cerimônia realizada no âmbito da Conferência das Partes para a Convenção de Rotterdam (RC COP-7), que está sendo realizada em Genebra (04-15 maio).

Por quê as crianças enfrentam o maior risco?

As crianças são particularmente vulneráveis à exposição de pesticidas por várias razões biológicas e comportamentais.
Respiram mais ar do que os adultos e, portanto, aspiram mais poeira, vapores tóxicos e gotas de pulverização. Em relação ao seu peso corporal, as crianças precisam comer e beber mais do que os adultos e se os alimentos estão contaminados, absorvem mais toxinas. A área da superfície da pele de uma criança por unidade de massa corporal é maior do que a de um adulto, e a pele é mais delicada. Todos esses fatores podem levar a uma maior absorção de produtos químicos, e os corpos das crianças são menos capazes de eliminar os pesticidas, porque eles ainda não estão plenamente desenvolvidos, alerta o manual.

As crianças pequenas frequentemente brincam no chão, colocam objetos na boca e são atraídas por recipientes coloridos, todos esses são comportamentos típicos que aumentam o risco de uma intoxicação.

Fonte: FAO/Vida Sustentável.

Semana dos Alimentos Orgânicos está acontecendo em todo País

O Brasil está realizando durante toda essa semana a Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos. O evento acontece até o dia 31 e tem o objetivo de oferecer informações aos consumidores quanto aos produtos orgânicos, onde encontrá-los e como são produzidos.

A ação é uma iniciativa da Coordenação de Agroecologia, do Departamento de Sistemas de Produção e Sustentabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (Coagre/Depros/SDC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O evento é organizado todos os anos para oferecer informações aos consumidores quanto aos produtos orgânicos, onde encontrá-los e como são produzidos. A proposta é divulgar para a população os benefícios ambientais, sociais e nutricionais desses alimentos.

Em Brasília (DF) a abertura ocorreu no domingo no Parque da Cidade. As atividades visam destacar os benefícios dos produtos e conscientizar consumidores, que muitas vezes acham altos os valores cobrados no mercado.

A população pôde conferir uma variedade de produtos, entre eles, molho de tomate, calda de maracujá e tomate seco, todos orgânicos, além de vegetais, legumes e frutas também produzidos de forma sustentável.

Brasil tem 10 mil produtores orgânicos

Os produtores rurais de todo o País estão cada vez mais interessados pelo plantio de alimentos sem agrotóxicos. A produtora rural Silvia Pinheiro dos Santos adotou o sistema de agroflorestas em sua propriedade de 21 hectares no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, na região de Brazlândia, no Distrito Federal.

As verduras, frutas e madeiras de lei estão plantadas juntas, em consórcio, e, segundo Silvia, a biodiversidade é tão grande que evita muitas pragas e dá mais saúde para os vegetais. No terreno crescem, entre outras plantas, a hortelã, que afasta os insetos, e o feijão-guandú, capaz de fixar o nitrogênio no solo.

Para a agricultora, o sistema agroflorestal é uma evolução do orgânico.“No orgânico há ainda quem plante como na cultura tradicional, uma só espécie, e o produto fica mais caro porque não se pode aplicar nada, então precisa de muita gente para fazer a limpeza. No agroflorestal, você só induz a natureza, então vai poder ter um preço mais competitivo”, disse, acrescentando que utiliza a própria poda das árvores e o húmus produzido no sítio como adubos para as plantas.

Produção orgânica

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ao agricultor não é permitido o uso de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e transgênicos na lavoura, durante a produção de alimentos orgânicos. O processo de produção também deve respeitar as relações sociais e culturais, além de seguir os princípios agroecológicos, com o uso sustentável dos recursos naturais.

O engenheiro agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Distrito Federal (Emater-DF), Rafael Lima de Medeiros, conta que o mercado de orgânicos está crescendo e a Emater já trabalha o programa de agroecologia como prioritário.

Medeiros conta que a Emater trabalha para atingir o agricultor convencional, para que ele passe a utilizar práticas mais sustentáveis, diminuindo o uso de agrotóxicos. “Eles começam a se adequar e, no futuro, isso pode servir de incentivo para que passem definitivamente para a produção orgânica”.

Veja aqui a programação completa:

http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/organicos/semana-dos-alimentos-organicos

Fonte: Portal Brasil com informações da Agência Brasil e Ministério da Agricultura.

Rede Ecovida – União e compromisso com a ecologia e com a saúde

O refrão da música do agricultor e compositor Marco Gottinari finalizou o 9° Encontro Ampliado da Rede Ecovida, que uniu as Américas num compromisso pela Agroecologia no Dia Mundial da Terra, em 22 de abril. Mais de 2 mil participantes se abraçaram e cantaram “Ó Terra Mãe, um filho teu não vai desistir!”
O espírito de união e compromisso com a agroecologia é a marca da Rede Ecovida. A entidade foi criada para promover a produção e o consumo e para certificar as propriedades agroecológicas através de um sistema participativo. Significa dizer que os alimentos certificados com o selo Ecovida são absolutamente confiáveis.
Do sistema de certificação da Ecovida participam agricultores, técnicos, comerciantes e os próprios consumidores, que são convidados para as visitas realizadas às propriedades agroecológicas para acompanharem de perto o sistema de trabalho. As visitas são mensais e abertas aos interessados, mas precisam ser agendadas com antecedência nos pontos de venda de alimentos orgânicos.

Mais de 3 mil famílias, organizadas em 12 núcleos, participam da Rede Ecovida nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Sul de São Paulo e Sul de Mato Grosso. “É uma grande rede de pessoas envolvidas, que se sentem felizes por estarem congregadas em torno de um sistema de produção de alimentos honesto e que gera saúde”, diz o consumidor Orlando Michelli, recém eleito coordenador da Rede Ecovida na região da Serra Gaúcha.

O modelo participativo da Rede Ecovida está jogando sementes para além das fronteiras. Neste IX Encontro, realizado na cidade de Marechal Cândido Rondon, no Paraná, participaram membros de todos os núcleos e das entidades apoiadoras e representantes de nove países da América do Sul e América Central que vieram conhecer de perto a experiência da Rede Ecovida.

“Foram três dias para compartilhar conhecimento, encontrar amigos, estabelecer novos contatos e sair fortalecidos e confiantes com a sensação de que a Mãe Terra abençoou e acolheu a todos no seu dia”, conclui a agricultora orgânica Andrea Basso.

Por Vera Mari Damian, Jornal Bem Estar.

Semana do Alimento Orgânico mobiliza produtores e consumidores de todo o país

Inicia neste domingo (24) em todo o Brasil a 11ª Semana do Alimento Orgânico. O principal objetivo do evento, que ocorre anualmente em vários estados, é divulgar para os consumidores os benefícios ambientais, sociais e nutricionais desses alimentos, bem como incentivar a população a aumentar o consumo de orgânicos. A campanha é coordenada pelas Comissões de Produção Orgânica, que contam com a participação de órgãos governamentais e da sociedade civil. O evento está mobilizando produtores e consumidores de todo o país.

No Rio Grande do Sul, a abertura oficial da semana ocorre nessa segunda-feira (25), no auditório do INCRA/RS, em Porto Alegre, com a palestra Produtos Orgânicos, proferida por Thiane Ristow, mestre em nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutoranda em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ela vai abordar temas como o que são produtos orgânicos, como são produzidos, sua relação com a saúde e onde podem ser encontrados.

A Semana tem também o sentido de divulgar os alimentos orgânicos e ampliar o acesso aos consumidores; ampliar a percepção do consumidor sobre as “qualidades” dos produtos orgânicos; dar continuidade ao processo de conscientização sobre a importância do consumo responsável para um desenvolvimento sustentável; valorizar os produtores orgânicos e estimular outros produtores para a transição agroecológica e conversão para sistemas orgânicos de produção; esclarecer questões relativas ao sistema de produção orgânica e sobre a legislação que a regulamenta, bem como ampliar a produção e o consumo nacional de produtos orgânicos.

A campanha deste ano pretende ainda transmitir ao consumidor a importância e o cuidado que o produtor orgânico tem ao produzir os alimentos que chegam à mesa, mostrando que o respeito a essa prática de cultivo, ultrapassa a preocupação de não usar agrotóxico, já que inclui questões relacionadas à diversidade e à qualidade nutricional dos alimentos, ao bem estar animal, à conservação e uso sustentável dos recursos naturais, à justiça nas relações de trabalho e comerciais, e a soberania e segurança alimentar.

Durante toda a semana, os eventos se espalham por cidades como Pelotas, Erechim, Floriano Peixoto, Eldorado do Sul, entre outras. Estão previstas palestras, sorteios de cestas em feiras e restaurantes orgânicos, encontros para troca de sementes crioulas, exibição do filme “O Veneno está na Mesa 2”, além da campanha sobre as Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs).

O encerramento oficial da semana vai ocorrer no próximo dia 29 de maio, com exposição de charges, autógrafos e venda de livros do chargista Santiago e degustação de alimentos orgânicos. No entanto, os eventos prosseguem até domingo, dia 31 de maio.

Por Juarez Tosi para EcoAgência de Notícias.

Workshop debaterá desafios e oportunidades de produtos orgânicos

O crescimento do interesse popular e o aumento no consumo impulsionaram a produção de produtos orgânicos no Brasil. Porém, é importante abrir o debate sobre desafios e oportunidades existentes na comercialização desses produtos, assim como questões ligadas à produção, ao consumo e à certificação. Tendo em vista essas questões, em 28 de maio, a partir das 8h, ocorre o II Workshop sobre Comercialização de Produtos Orgânicos.

O evento será na Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), local que conta com estacionamento e restaurante universitário. A participação é gratuita mediante inscrição no site ou no local, caso ainda haja vagas. Para os ouvintes que quiserem certificado, confirma na aba “inscrições” para mais informações.

O workshop está sendo organizado pelo PESCAR – Grupo de Pesquisa em Sistemas Cooperativos Agroalimentares da UFRGS e pela equipe do Projeto sobre Circuitos Curtos de Comercialização de Produtos Orgânicos em Porto Alegre/RS. O evento faz parte da Programação da Semana Nacional do Alimento Orgânico, promovido pelo MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e está sendo apoiado pelo ReSNEA _ Rede Sul de Núcleos de Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção e pela CPORG-RS _ Comissão de Produção Orgânica do Estado do Rio Grande do Sul.

Data: 28 de Maio de 2015
Local: Auditório da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Endereço: Avenida Bento Gonçalves, 7.712 – Porto Alegre\RS
Inscrições: workshoporganicos.wix.com/workshop

A programação
Manhã:  ”Da produção de orgânicos à comercialização: perspectivas e desafios”
08h30min – Início do Evento
Eliane Ribeiro de Souza: produtora, feirante e sócia da COOMAFITT (Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas)
Rodrigo Wolf: produtor, presidente do Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade (OPAC) Litoral Norte/RS e vice-presidente da COOMAFITT (Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas)

Ricardo Tiel de Oliveira Valim: Técnico Agropecuário da Emater de Itati/RS
José Cleber Dias de Souza: Eng. Agrônomo, Fiscal Federal Agropecuário e coordenador da CPOrg/RS (Comissão Estadual de Produção Orgânica do Rio Grande do Sul)/ MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)

10h45min – Intervalo
10h45min – Debate referente às exposições
12h30min – Intervalo para almoço

Tarde: ”Confiabilidade da produção orgânica: rastreabilidade, certificação e controle social”
14h – Início do painel da tarde
Maria Luiza Tagliaro: Cirurgiã-Dentista, Sócia Proprietária do Armazém e Café Colônia Villanova em Porto Alegre/RS
João Batista Amadeo Volkmann: Eng. Agrônomo, Proprietário da Fazenda Capão Alto das Criúvas e produtor de arroz biodinâmico
Tiago Flores: proprietário do restaurante Prato Verde, em Porto Alegre/RS

15h30min – Intervalo
15h45min – Debate referente às exposições
17h – Encerramento do evento.

Fonte: Grupo de Pesquisa em Sistemas Cooperativos Agroalimentares (PESCAR).

Glifosato causará autismo em 50% das crianças até 2025, afirma cientista do MIT

Corroborando uma crescente tendência no aumento das taxas de autismo, uma cientista sênior de pesquisa do MIT, alertou que de todas as crianças, um inquietante 50% serão autistas em 2025. Quem é o culpado? Round-Up, o mais vendido da Monsanto que contém glifosato, está no topo da lista. O uso excessivo de glifosato em nossa alimentação está causando doenças como Alzheimer, autismo, câncer, doenças cardiovasculares e deficiências da nutrição, entre outros.

Stephanie Seneff,  uma bióloga PhD, que já publicou mais de 170 artigos acadêmicos revisados ​​por pares, e estudou essas doenças por mais de três décadas, aponta os transgênicos como um dos principais contribuintes para doenças neurológicas em crianças.

Em uma recente conferência, a Dra. Seneff declarou:
“No ritmo atual, em 2025, uma em cada duas crianças serão autistas.”

Atualmente, uma em cada 68 crianças nos EUA nascem com autismo. Atualmente é a deficiência de desenvolvimento de mais rápido crescimento, com taxas aumentado em quase 120% desde o ano de 2000. Em dez anos, o custo para tratar as pessoas afetadas pelo autismo irá custar 400 bilhões de dólares por ano nos EUA, além dos custos emocionais incalculáveis, os ​​quais as famílias pagarão diariamente para viver e apoiar uma criança com autismo.

A Dra. Seneff notou que os sintomas de toxicidade do glifosato assemelha-se estreitamente com aqueles do autismo. Ela também apresentou dados na conferência que mostram uma correlação estranhamente consistente entre o uso de Roundup em plantações (e a criação das sementes transgênicas Roundup-ready), com o aumento das taxas de autismo. A correlação entre os dois incluem biomarcadores, tais como a deficiência de zinco e ferro, baixo serum sulfate, convulsões e doenças mitocondriais.

Um colega palestrante que estava presente relatou após a apresentação da Dra. Seneff que: “Todos as 70 ou mais pessoas presentes estavam se contorcendo, provavelmente porque agora tinham sérias dúvidas sobre servir os seus filhos, ou eles próprios, qualquer coisa com milho ou soja, os quais são quase todos geneticamente modificados e, assim, contaminados com Roundup e seu glifosato.”

A Dra. Seneff apontou que grande parte dos alimentos em prateleiras de supermercado contém milho e soja transgênicos, todos com pequenas quantidades de vestígios de glifosato. Isto inclui refrigerantes adoçados com alto teor de frutose (geneticamente modificados) e xarope de milho, batatas fritas, cereais, doces, e até mesmo barras de proteína de soja.

Grande parte de nossa carne e aves também é alimentada com uma dieta de milho e soja transgênicos, os quais também contêm traços de glifosato. Você acha que seu pão está seguro? Pense de novo. O trigo é frequentemente pulverizado com produtos químicos Roundup nas vésperas da colheita, significando que, exceto que seus produtos de pão ou trigo sejam certificados não-OGM e orgânicos, eles provavelmente contêm traços de glifosato.

Quando você soma tudo isso – estamos jantando glifosato em quase todos os alimentos que ingerimos, e ele está causando doenças graves. A Dra. Seneff diz que, embora os traços de glifosato em cada alimento possam não ser grandes, é o seu efeito cumulativo que é motivo de preocupação. Sua preocupação parece bem fundamentada, considerando que tem sido encontrado glifosato no sangue e na urina de mulheres grávidas, e ele tem aparecido até mesmo em células fetais.

Fonte: Revista Ecológica.

O “alarmante” uso de agrotóxicos no Brasil atinge 70% dos alimentos

Imagine tomar um galão de cinco litros de veneno a cada ano. É o que os brasileiros consomem de agrotóxico anualmente, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). “Os dados sobre o consumo dessas substâncias no Brasil são alarmantes”, disse Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa. Segundo o Dossiê Abrasco – um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, publicado nesta terça-feira no Rio de Janeiro, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos. Desses, segundo a Anvisa, 28% contêm substâncias não autorizadas. “Isso sem contar os alimentos processados, que são feitos a partir de grãos geneticamente modificados e cheios dessas substâncias químicas”, diz Friederich. De acordo com ela, mais da metade dos agrotóxicos usados no Brasil hoje são banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, 70.000 intoxicações agudas e crônicas.

O uso dessas substâncias está altamente associado à incidência de doenças como o câncer e outras genéticas. Por causa da gravidade do problema, na semana passada, o Ministério Público Federal enviou um documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica de uma substância chamada glifosato e que a agência determine o banimento desse herbicida no mercado nacional. Essa mesma substância acaba de ser associada ao surgimento de câncer, segundo um estudo publicado em março deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) juntamente com o Inca e a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Ao mesmo tempo, o glifosato foi o ingrediente mais vendido em 2013 segundo os dados mais recentes do Ibama.

Em resposta ao pedido do Ministério Público, a Anvisa diz que em 2008 já havia determinado a reavaliação do uso do glifosato e outras substâncias, impulsionada pelas pesquisas que as associam à incidência de doenças na população. Em nota, a Agência diz que naquele ano firmou um contrato com a Fiocruz para elaborar as notas técnicas para cada um dos ingredientes – 14, no total. A partir dessas notas, foi estabelecida uma ordem de análise dos ingredientes “de acordo com os indícios de toxicidade apontados pela Fiocruz e conforme a capacidade técnica da Agência”.

Enquanto isso, essas substâncias são vendidas e usadas livremente no Brasil. O 24D, por exemplo, é um dos ingredientes do chamado ‘agente laranja’, que foi pulverizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, e que deixou sequelas em uma geração de crianças que, ainda hoje, nascem deformadas, sem braços e pernas. Essa substância tem seu uso permitido no Brasil e está sendo reavaliada pela Anvisa desde 2006. Ou seja, faz quase dez anos que ela está em análise inconclusa.

O que a Justiça pede é que os ingredientes que estejam sendo revistos tenham o seu uso e comércio suspensos até que os estudos sejam concluídos. Mas, embora comprovadamente perigosos, existe uma barreira forte que protege a suspensão do uso dessas substâncias no Brasil. “O apelo econômico no Brasil é muito grande”, diz Friedrich. “Há uma pressão muito forte da bancada ruralista e da indústria do agrotóxico também”. Fontes no Ministério Público disseram ao EL PAÍS que, ainda que a Justiça determine a suspensão desses ingredientes, eles só saem de circulação depois que os fabricantes esgotam os estoques.

O consumo de alimentos orgânicos, que não levam nenhum tipo de agrotóxico em seu cultivo, é uma alternativa para se proteger dos agrotóxicos. Porém, ela ainda é pouco acessível à maioria da população. Em média 30% mais caros, esses alimentos não estão disponíveis em todos os lugares. O produtor Rodrigo Valdetaro Bittencourt explica que o maior obstáculo para o cultivo desses alimentos livres de agrotóxicos é encontrar mão de obra. “Não é preciso nenhum maquinário ou acessórios caros, mas é preciso ter gente para mexer na terra”, diz. Ele cultiva verduras e legumes em seu sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo, com o irmão e a mãe. Segundo ele, vale a pena gastar um pouco mais para comprar esses alimentos, principalmente pelos ganhos em saúde. “O que você gasta a mais com os orgânicos, você vai economizar na farmácia em remédios”, diz. Para ele, porém, a popularização desses alimentos e a acessibilidade ainda levarão uns 20 anos de briga para se equiparar aos produtos produzidos hoje com agrotóxico.

Bittencourt vende seus alimentos ao lado de outras três barracas no Largo da Batata, zona oeste da cidade, às quartas-feiras. Para participar desse tipo de feira, é preciso se inscrever junto à Prefeitura e apresentar todas as documentações necessárias que comprovem a origem do produto. Segundo Bittencourt, há uma fiscalização, que esporadicamente aparece nas feiras para se certificar que os produtos de fato são orgânicos.

No mês passado, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) sancionou uma lei que obriga o uso de produtos orgânicos ou de base agroecológica nas merendas das escolas municipais. A nova norma, porém, não tem prazo para ser implementada e nem determina o percentual que esses alimentos devem obedecer.

Segundo um levantamento da Anvisa, o pimentão é a hortaliça mais contaminada por agrotóxicos (segundo a Agência, 92% pimentões estudados estavam contaminados), seguido do morango (63%), pepino (57%), alface (54%), cenoura (49%), abacaxi (32%), beterraba (32%) e mamão (30%). Há diversos estudos que apontam que alguma substâncias estão presentes, inclusive, no leite materno.

No ano passado, a pesquisadora norte-americana Stephanie Seneff, do MIT, apresentou um estudo anunciando mais um dado alarmante: “Até 2025, uma a cada duas crianças nascerá autista”, disse ela, que fez uma correlação entre o Roundup, o herbicida da Monsanto feito a base do glifosato, e o estímulo do surgimento de casos de autismo. O glifosato, além de ser usado como herbicida no Brasil, também é uma das substâncias oficialmente usadas pelo governo norte-americano no Plano Colômbia, que há 15 anos destina-se a combater as plantações de coca e maconha na Colômbia.

Em nota, a Anvisa afirmou que aguarda a publicação oficial do estudo realizado pela OMS, Inca e IARC para “determinar a ordem prioritária de análise dos agrotóxicos que demandarem a reavaliação”.

Os alimentos mais contaminados pelos agrotóxicos

Em 2010, o mercado brasileiro de agrotóxicos movimentou 7,3 bilhões de dólares e representou 19% do mercado global. Soja, milho, algodão e cana-de-açúcar representam 80% do total de vendas nesse setor.
Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), essa é a lista da agricultura que mais consome agrotóxicos:
Soja (40%)
Milho (15%)
Cana-de-açúcar e algodão (10% cada)
Cítricos (7%)
Café, trigo e arroz (3 cada%)
Feijão (2%)
Batata (1%)
Tomate (1%)
Maçã (0,5%)
Banana (0,2%)
As demais culturas consumiram 3,3% do total de 852,8 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nas lavouras brasileiras em 2011.

Fonte: El País – Brasil.

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