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13ª Semana de Agricultura Orgânica de Campinas terá grande programação cultural

A 13ª Semana de Agricultura Orgânica de Campinas, que tem como tema a ‘defesa da autonomia alimentar e da produção sustentável’ terá uma vasta programação que vai tratar do avanço da agricultura orgânica na região.
O evento, organizado pela A Cidade Orgânica, acontece entre os dias 17 e 23 de outubro de 2016.
Neste ano, o evento toma novas proporções graças à consolidação da rede e do trabalho colaborativo entre organizações e profissionais do setor, e traz uma programação rica e variada relacionada ao tema. Haverá discussões sobre produção, consumo e políticas públicas, além de palestras, oficinas, exposição de filmes e outras atividades culturais que acontecerão em diversos locais do município.
Parceiros voluntários também organizarão uma série de eventos paralelos pela cidade, com o intuito de discutir, vivenciar e popularizar o acesso aos alimentos orgânicos.
Um dos pontos fortes do evento é a Cerimônia de Abertura, dia 17/10, no CIS Guanabara, que fará homenagem aos 25 anos da Associação de Agricultura Natural de Campinas – ANC, pioneira nas atividades voltadas para a agricultura orgânica na região.
Ao longo da semana também haverá discussões sobre produção orgânica e utilização de agrotóxicos, avanços e desafios para a comercialização, encontro com grupos de consumo e cursos sobre cultivo de plantas alimentícias não convencionais (PANCs), certificação participativa, entre outros.
Além disso, através de oficinas diversas, o público poderá conhecer de perto a diferença entre produtos orgânicos e não orgânicos, aprender a fazer pães com fermento natural, suco verde e até participar da caminhada ecológica (20/10) ou da visita à Fazenda Santa Elisa (Instituto Agrônomo – IAC), no dia 21/10 das 9h às 12h.
Paralelamente, as tradicionais feiras semanais de produtos orgânicos também terão programações especiais. Entre elas estão a Feira do Parque Ecológico, do Bosque do Jequitibá e a Feira Pé na Roça, que acontece às sextas-feiras no CIS Guanabara.
Serviço
Programação completa no Facebook
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MAIS INFORMAÇÕES: Giovanna Fagundes | tel: [19] 3235 1566| Email: acidadeorganica@gmail.com
Realização: ANC; CATI; IAC;; RAU – Unicamp; Verde Água; Brotou no Chão; CIS Guanabara; Unicamp; Sindicato Rural de Campinas; EMBRAPA, PREAC – Unicamp.
Fonte: Carta Campinas.

Brasil vai participara da maior feira de orgânicos do mundo

A Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) vai selecionar 13 empreendimentos para participarem da edição 2017 da BioFach, de 15 a 18 de fevereiro, em Nuremberg, na Alemanha. O evento é considerado a maior e mais importante feira de orgânicos no mundo. Os selecionados vão expor no estande Brasil – Family Farming.
Principal entrada para o mercado europeu, a edição de 2016 atraiu 2,2 mil expositores de 126 países, mais de 100 mil produtos foram expostos e o público chegou a 42 mil visitantes. São importadores, exportadores, distribuidores, atacadistas e redes varejistas.
A feira é uma vitrine da agricultura familiar brasileira para todo o planeta. A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre) participou do evento nos anos de 2014 a 2016. A gerente de vendas da Coopeacre, Melise Santos de Souza, fala dos frutos dessas participações. “Na BioFach 2016, fechamos contratos com empresas europeias. Outro benefício foi que conseguimos exportar as castanhas para Estados Unidos, Austrália e estamos em negociação com Alemanha”, disse.
Para a analista de políticas públicas da Sead, Heloísa Batista Correia Fontes, a importância da feira vai além da exposição de produtos. “É, principalmente, um espaço de reflexão sobre o setor e onde se lança as tendências internacionais para a agricultura familiar”, observa.

Relevância
A Sead estimula a participação de agricultores familiares em feiras internacionais. A BioFach, especialmente, por tratar de orgânicos, fonte de alimentação saudável e segura. “A feira faz parte das estratégias da Secretaria Especial para impulsionar o cooperativismo, gerar renda e agregar valor aos produtos da agricultura familiar do Brasil”, explica Heloísa Fontes.
A participação da Sead inclui, além da promoção dos produtos no estande, participação em espaços de discussão paralelos à feira e fórum de expositores, por exemplo. Além de reuniões dos expositores com possíveis clientes e visitas técnicas.

Inscrições
A Chamada de Seleção para a BioFach 2017 está aberta até o dia 12 outubro de 2016.
Por Victor Michel, Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.

Educação de qualidade só se contrói através da agroecologia

Foto: MST/Bahia

De 15 a 17 de setembro aconteceu o 18º Encontro Estadual de Educadores e Educadoras do MST, no Centro de Treinamento da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Salvador, com 350 profissionais da educação que atuam em dez regiões do estado nos assentamentos e acampamentos de Reforma Agrária.

O Encontro trouxe como lema “Educação do Campo: por uma escola agroecológica e da classe trabalhadora”, que se ampliou a partir de diversas rodas de conversa e temas debatidos em plenária pelos educadores e educadoras.

Jozenilza Figueiredo, do coletivo estadual de educação, acredita que a agroecologia tem sido um debate importante a nível nacional dentro do MST, por ser mais um instrumento de luta que compõe a Reforma Agrária Popular e que traz em sua centralidade a alimentação saudável.

“Esse debate precisa ser apropriado por nós enquanto educadores e educadoras do Movimento, já que entendemos a escola como um espaço central para expandi-lo. É nesse intuito que o Movimento juntamente com os setores de produção, de saúde e os demais traz esse debate à tona”, explicou.

Simbologia

A simbologia das lutas populares esteve presente no encontro através das ferramentas de trabalho, dos gritos de ordem, atividades culturais e das crianças que participaram de diversas atividades na Ciranda Infantil sobre a agroecologia e o cuidado com a natureza.

Além disso, o atual cenário político brasileiro foi discutido e problematizado, tendo como ponto pricinpal, o Programa Escola Sem Partido do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (PMDB).

Zena afirmou que o Programa quer amordaçar a construção política dos movimentos e organizações populares do campo e cidade, porque ele destrói todas as conquistas que obtivemos no plano de uma educação crítica e autônoma. “Essa proposta não nos permite ocupar as salas de aula com as construções coletivas da classe trabalhadora. Somos contra a tudo isso e nosso encontro nos ajudou a refletir mais sobre”.

A luta da classe trabalhadora em defesa de uma educação do campo de qualidade ocupou as mesas de discussões e ao final, os educadores se comprometeram a fortalecer o coletivo estadual de educação do MST consolidando frentes de atuação a partir das modalidades de ensino, como educação infantil, adolescência e juventude.

Durante o encontro, diversas representações públicas estaduais e nacionais marcaram presença, como a secretária de promoção da igualdade racial, Fábia Reis, e o deputado federal Valmir Assunção (PT).

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia.

Cooperativa de assentados gaúchos aposta em novos produtos orgânicos

Foto: Keila Reis

Uma das principais linhas produtivas dos assentamentos da região metropolitana de Porto Alegre (RS) – o arroz agroecológico –, está em exposição mais uma vez na 18ª Feira da Agricultura Familiar, durante a 39ª Expointer, que ocorre até domingo (4) na cidade de Esteio (RS).

Em busca de novos mercados, a Cooperativa de Produtores Orgânicos da Reforma Agrária de Viamão (Coperav) inovou neste ano, oferecendo farinhas de arroz com certificação orgânica e panificados elaborados com esse tipo de produto. Entre os itens mais vendidos estão o bolo de mandioca/aipim e de laranja e os cupcakes feitos com farinha de arroz  – na média de 20 unidades de cada, todos os dias. A lista inclui pacotes (500 gramas) de farinha de arroz branca e integral, pacotes de arroz orgânico arbóreo e vermelho, biscoitos a base de trigo e aipim (congelado e higienizado).

A cooperativa apostou em novas receitas a fim de atrair um público específico, principalmente aquele com restrições ou intolerâncias a algum tipo de substância (como o glúten, por exemplo). “No ramo dos panificados, temos uma boa oferta na agricultura familiar. Procuramos um produto diferenciado, com valor agregado, que o mercado absorve tranquilamente. Conseguimos fornecer ao consumidor por um preço mais acessível, já que deriva da nossa produção principal, que é o arroz agroecológico”, comenta o responsável pelo setor de vendas da Coperav, Guilherme Vivian. Após participarem por três anos consecutivos da Expointer, em 2015 os cooperados preferiram investir em aperfeiçoamento para apresentar os  produtos derivados do arroz nesta edição. “É uma oportunidade de negócio porque abre muito mercado. Aqui temos contato direto com o cliente”, acrescenta Guilherme.

Um dos interessados é o empresário Alexandre Debus Hefler, que pretende inaugurar um armazém de produtos coloniais em novembro próximo, na cidade de Novo Hamburgo. Ao prospectar fornecedores na Feira, ele conheceu o arroz (com destaque ao vermelho) e a farinha da Coperav. “Meu objetivo é olhar oportunidades de pequenos agricultores para disponibilizar aos meus clientes um produto natural. Meu foco é o orgânico, porque além de ter boa aceitação, remete à ideia de saúde, qualidade de vida e longevidade. Hoje, as pessoas têm um nível de consciência mais avançado e se preocupam com isso”, justifica.

O estande da Coperav também foi visitado, na última terça-feira (30/8), por um grupo de estudantes e professores da Escola da Família Agrícola de Caxias do Sul. Eles conhecem o trabalho dos assentados de Viamão, pois a agricultura orgânica integra a grade curricular. A professora Heloísa Camello salienta que, na Expointer, a turma teve a oportunidade de conferir uma das últimas etapas da cadeia produtiva – a comercialização.

Coperav
Há dois anos a cooperativa vêm se especializando na fabricação de farinhas, com o objetivo de reaproveitar os subprodutos do arroz agroecológico. A presidente da entidade, Rose Canzarolli, explica que “é uma forma de transformar o que sobra em alimento”. O grão quebrado ou menor não é selecionado (a legislação prevê apenas 7% deles em um quilo de arroz) e segue para o engenho. Segundo Rose, em todas as receitas de pães, biscoitos e cucas, feitas com farinha de trigo, é adicionado cerca de 30% de farinha de arroz. O próximo desafio é a produção de macarrão de farinha de arroz.

Os alimentos são comercializados em feiras ou por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar – em contratos com escolas de Viamão, Porto Alegre, Alvorada, Gravataí, Cachoeirinha, Balneário Pinhal, Cidreira, Capivari do Sul e Palmares do Sul. Somente de arroz são vendidos entre 8 mil e 10 mil quilos por mês.

A Coperav é formada por 184 famílias do assentamento Viamão/Filhos de Sepé e mais 14 agricultores familiares. Conta com uma agroindústria de panificados, outra de vegetais e o moinho.

Veteranos
O pavilhão da agricultura familiar na Expointer reúne 227 empreendimentos, dos quais nove são da reforma agrária. Seis deles em estandes: Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan – localizada em Nova Santa Rita), Cooperativa da Agropecuária Cascata (Cooptar – em Ronda Alta), Agroindústria Mãe Natureza (de Pedras Altas), Agroindústria Familiar Camponês (de Jóia), Bionatur (Candiota), além da Coperav. Elas oferecem arroz orgânico, salames e embutidos, queijos e bebidas lácteas, panificados e sementes orgânicas.

Outros três representantes estão na praça de alimentação do pavilhão: a Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap – Eldorado do Sul), que há 16 anos oferece o tradicional carreteiro (prato típico gaúcho com arroz agroecológico), e os sucos naturais das famílias Camargo (assentada em Viamão) e Zatti (de assentamentos de Nova Santa Rita).

Para Antônio Camargo Fernandes, a Expointer é uma vitrine para a reforma agrária e para os assentamentos. “É um espaço muito bom, onde podemos mostrar tudo que produzimos e fazemos. As vendas são boas, mas o melhor mesmo é a vitrine”, afirma ele, que vende sucos desde a primeira Feira da Agricultura Familiar, há 18 anos.  Animado, o assentado comemora o aumento das vendas, 10% superior às do ano passado.

Por: Assessoria de Comunicação Social do Incra/RS

Rio Grande do Sul ganha mais feiras orgânicas ou ecológicas

Pesquisa recente mostra o aumento do número de feiras orgânicas ou ecológicas Rio Grande do Sul: são 89 feiras no interior e sete em Porto Alegre, registradas e divulgadas pela Comissão Estadual da Produção Orgânica (Ceporg), por Organizações Não-Governamentais (ONGs) e pela Emater/RS-Ascar. “Está em negociação, pelos membros do Ceporg, a realização de um segundo levantamento para atualizar também o número de agricultores ecológicos e disponibilizar esses dados para o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec)”, disse o responsável pela pesquisa, Ari Uriartt, assistente técnico estadual de Agroecologia da Emater/RS-Ascar.

Já nos supermercados, a estimativa é de que 1,8% dos itens comercializados sejam ecológicos ou agroecológicos. As feiras ecológicas têm atraído cada vez mais consumidores, pois são espaços de comercialização de alimentos saudáveis e promovem a cultura, proporcionando troca-troca de sementes e o turismo rural, divulgando atrativos e ainda a possibilidade do público consumidor vivenciar as lidas do campo e as práticas agroecológicas.

Mas o principal motivo que fideliza o público é o contato direto entre produtor e consumidor, estreitando conhecimentos, interagindo e criando uma relação de confiança que só pode ser vivida e compreendida na prática.

Certificação Participativa

Para fortalecer essa confiança, os próprios agricultores, que têm essa visão da agroecologia e que se dedicam a essa prática de produzir alimentos em harmonia com a natureza, se organizam em redes participativas com o propósito certificar a produção ao lado de técnicos e consumidores, que visitam uns aos outros e compartilham ideias e conhecimento. É um trabalho colaborativo.
Há duas formas colaborativas de certificação conforme o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg): Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade (Opac) e Organizações de Controle Social (OCS).

No Rio Grande do Sul há vários desses grupos, como a Opac Rama, que integra 70 famílias de municípios da Região Metropolitana, em especial Porto Alegre e Viamão, e é reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Mapa). Há também a Opac Litoral Norte que reúne seis famílias de agricultores associados à Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas (Coomafit), ambas com ação direta da Emater/RS-Ascar, na prestação de orientações e Assistência Técnica e Social.

As OCSs estão organizadas com a finalidade de garantir a comercialização direta em feiras e para os programas federais de Alimentação Escolar (Pnae) e de Aquisição de Alimentos (PAA). “Há no Estado um bom número de OCSs reconhecidas”, afirma Uriartt, ao citar as organizações de agricultores ecológicos/orgânicos sediadas em Pelotas, Lajeado, Porto Alegre e Soledade. “Hoje, mais de 50% das OCSs que estão operando passaram pelas mãos dos nossos colegas da Emater”, complementa Ari, ao citar a OCS Rio Grande Ecológico, de Rio Grande, e a EcoNorte, de São José do Norte, que abrangem os pescadores da Ilha dos Marinheiros e do Distrito Povo Novo, que comercializam na feira do Produtor do Cassino, realizada todos os sábados, no canteiro central da avenida Atlântica, próximo à antiga estação rodoviária do Cassino, e cuja produção é também entregue para a merenda escolar.

Há ainda no RS as OCs de Arroio do Meio e de Sapiranga, que mantêm visitas periódicas de avaliação de conformidade de produção orgânica, garantindo, para os agricultores e principalmente para os consumidores, alimentos com a qualidade definida pelas normativas e pelo mercado, cada vez mais exigente.

“Produzir de forma ecológica requer conhecimento, dedicação e uma visão da propriedade como um todo, provocando mudanças inclusive de hábitos cotidianos de não desperdício de água e energia elétrica, até de aproveitamento integral dos alimentos”, observa Uriartt, ao destacar que produzir orgânicos é uma questão de perfil e de compromisso com a qualidade de vida de todos.

Aumento da produção e do consumo
A produção orgânica é registrada em 22,5% dos municípios brasileiros e vem crescendo. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2013 havia 6.700 unidades de produção orgânica. Hoje o número chega a 14.449 unidades. Para a organização da produção orgânica brasileira, o Ministério conta com as Comissões de Produção Orgânica (CPOR) nos estados, formadas por 578 entidades públicas e privadas, entre elas a Emater/RS-Ascar, que coordenam ações de fomento à essa agricultura, sugerindo a adequação das normas de produção e o controle da qualidade, ajudando na fiscalização e propondo políticas públicas para o desenvolvimento do setor.

A produção orgânica de alimentos tem vários sinônimos, como agroecológica, da permacultura, natural, biodinâmica, ecológica e até mesmo proveniente de agroflorestas. Independente da denominação, produzir e consumir alimentos considerados limpos tem sido priorizado em vários países e inclusive no Brasil. Isso porque a produção de alimentos orgânicos traz consigo valores que ultrapassam o simples ato de produzir mais e com altas produtividades.

Na agricultura orgânica, a qualidade é um princípio fundamental. Nela se insere também o respeito à cultura e aos saberes locais, a preocupação com a preservação da biodiversidade, prioriza os mercados consumidores locais, a não aceitação de trabalho infantil e escravo e, principalmente, não utiliza agrotóxicos e produtos químicos solúveis e não contém Organismos Geneticamente
Modificados (OGMs), ou Transgênicos.
A produção orgânica engloba todos os alimentos, desde frutas, legumes, grãos e até criações. A avicultura colonial, por exemplo, está crescendo, baseada num sistema de criação em transição para o orgânico, ou seja, os animais são criados soltos e não estabulados, e há maior atenção para a densidade, que é menor do que a criação convencional de aves. Na região de Porto Alegre, há inclusive algumas propriedades com certificação de avicultura orgânica, respeitando o padrão da Instrução Normativa (IN) 46/2011, que estabelece o Regulamento Técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal.

O cultivo de morango em substrato orgânico também é outro trabalho que a Emater/RS-Ascar incentiva, assim como a agrofloresta, proposta que alia produção de hortigranjeiros, ou frutas, ou ainda criações, com a preservação da mata nativa. De acordo com dados do Cadastro Florestal do RS, de agosto de 2015, o Estado possui sete Unidades Agroflorestais cadastradas, com registro de manejo junto à Divisão de Licenciamento Florestal (Debio), antigo Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap), vinculado à Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. No total, são em torno de 110 hectares de sistemas florestais legalmente manejados.

A posse desse registro na Debio permite ao produtor manejar, cortar e aproveitar na propriedade produtos madeiráveis, como o louro, o angico branco, a cabriúva e a canjerana, e os não madeiráveis, como laranja e bergamota, de onde se extrai suco e óleo essencial, através do raleio, e também como as frutas nativas, como butiá da praia, araçá, pitanga e jabuticaba.

“Todas essas práticas fazem parte do Programa de Agricultura de Base Ecológica, que por sua vez é parte do Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, também conhecido como Rio Grande Agroecológico, cujas ações são executadas pela Emater”, destaca Ari Uriartt, assistente técnico estadual de Agroecologia da Emater/RS-Ascar.

Por Adriane Bertoglio Rodrigues – especial para a EcoAgência.

Jornada de Agroecologia confirma potencial do setor

“Mesmo na crise, todo mundo precisa comer”. É a frase de Roberto Pereira, tecnólogo em agroecologia, enquanto apresenta os mais de 40 produtos colocados à venda pela Cooperativa Terra Livre na feira de produtos agroecológicos da 15ª Jornada de Agroecologia, realizada na Lapa (PR).

O agricultor é um jovem formado na Escola Latino-americana de Agroecologia (ELAA), no assentamento Contestado, na Lapa (PR). Roberto defende que hoje em dia é possível um processo de produção que supere o uso de agrotóxicos.

Há dois anos, a iniciativa agroecológica da cooperativa apresenta certificação para os produtos. Fornece alimentos para programas federais como é o caso do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Aquisição Escolar (Pnae).

A dificuldade, de acordo com ele, é reunir a mão de obra necessária.  “Hoje em dia, com famílias menores no campo, muda o patamar de produção. Por isso, fazemos trabalho coletivo e mutirão. O lado positivo é ver jovens indo estudar e voltando ao campo com conhecimento para ajudar na produção”, explica.

Várias dimensões de produtores
Ceres Hadich, integrante da coordenação do Jornada de Agroecologia, aponta que o objetivo neste ano foi organizar uma feira com produtores do campo e também praticantes da Economia Solidária da cidade. Cerca de 70 estandes foram montados no espaço de um barracão, enfeitado com imagens da luta e com as sementes crioulas.

“Pensamos em reunir várias dimensões, desde bancas de projetos e campanhas, passando pelas organizações urbanas, indígenas. E também temos os produtos da agricultura familiar, que vão da culinária até a exposição de sementes”, comenta.

Ao final do encontro, no sábado (30), será distribuído aos participantes da Jornada um estoque de sementes de 60 espécies e 200 variedades diferentes.

Agricultor desenvolve variedades crioulas do milho
Valdecir “Vinagre” Cadena tem orgulho em exibir as variedades de milho crioulo cultivado pela família há doze anos, na região de Imbaú (centro do Paraná).

O nome também lhe dá orgulho e ele espera que a sua variedade de milho, chamada “milho caiano” – mais barata, sem transgênicos e agrotóxicos –, espalhe pela região.

“Queremos que se espalhe o milho caiano pelo Paraná. Não somos os únicos produtores, mas ele não é visto em outros lugares. É mais difícil”, afirma.

Fonte: Pedro Carrano, Brasil de Fato.

INCA lança site dedicado à alimentação e prevenção do câncer

Já entrou no ar o site do INCA dedicado à alimentação e nutrição e prevenção do câncer. Alimentação e nutrição inadequadas são classificadas como a segunda causa de câncer que poderia ser prevenida. O site apresenta recomendações sobre os fatores de risco e prevenção, oferece dicas sobre alimentação, esclarece mitos e verdades e traz uma seleção de publicações, vídeos e legislação referentes ao tema.

“Já temos evidências convincentes da relação entre a alimentação e nutrição e a prevenção de câncer. No entanto, a população ainda não reconhece que a alimentação adequada e saudável, a prática regular de atividade física e a manutenção do peso corporal podem prevenir vários tipos de câncer”, explica Maria Eduarda Melo, nutricionista responsável pela Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do INCA.
O site é voltado para a população em geral e apresenta dicas práticas, como o modo correto de preparar carnes de uma forma saudável, a maneira de reduzir o consumo de agrotóxicos e como identificar a quantidade de açúcar nos alimentos industrializados. Há também uma área que esclarece dúvidas frequentes, como, se aquecer as refeições no micro-ondas causa câncer e se atividade física previne o câncer independentemente de levar à perda de peso.
No Brasil, atualmente 53,9% da população estão acima do peso (Vigitel 2015), e o excesso de peso corporal aumenta o risco de ter câncer. “Temos um cenário epidemiológico atual preocupante, no qual mais da metade da população brasileira está com excesso de peso, a prevalência de sedentarismo é elevada e o consumo de alimentos e bebidas ultraprocessados é crescente”, alerta Maria Eduarda.
No site, profissionais de saúde também terão acesso às recomendações atualizadas de prevenção de câncer por meio da alimentação e nutrição preconizadas pelo INCA, com base no Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer/Instituto Americano de Pesquisa em Câncer e as publicações da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Saúde. Na área “impressos e multimídia” estarão as publicações do INCA referentes à temática, sugestões de vídeos e legislação dividida por temas específicos para facilitar o acesso do usuário.
Acesse o site de alimentação do INCA e confira: www.inca.gov.br/alimentacao.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

Agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos por brasileiro

Principal responsável pela comida que chega às mesas das famílias brasileiras, a agricultura familiar responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo o País. O Dia Internacional da Agricultura Familiar é comemorado neste 25 de julho com a consolidação dos avanços promovidos pelas políticas públicas integradas de fortalecimento do setor, intensificadas na última década.

O pequeno agricultor ocupa hoje papel decisivo na cadeia produtiva que abastece o mercado brasileiro: mandioca (87%), feijão (70%), carne suína (59%), leite (58%), carne de aves (50%) e milho (46%) são alguns grupos de alimentos com forte presença da agricultura familiar na produção.

Com melhores condições de crédito e a ampliação de mercado por meio de programas como o de aquisição de alimentos, a agricultura familiar segue estruturada e com investimentos crescentes. Anunciado pela presidenta Dilma Rousseff em junho, o Plano Safra 2015/2016 da agricultura familiar terá investimento recorde de R$ 28,9 bilhões pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os recursos representam um aumento de 20% em relação à safra anterior. Na safra 2002/2003, o crédito disponível foi da ordem de R$ 2,3 bilhões.

Na safra 2015/2016, o governo manteve baixas as taxas de juros, que variam entre 2% e 5,5%. Para a região do Semiárido, os juros ficaram ainda menores, entre 2% e 4,5%. O plano prevê ainda que a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) irá atender a 230 mil novas famílias de agricultores familiares, com foco na produção de base agroecológica.

“[O Plano Safra 2015/2016] demonstra o compromisso da presidenta Dilma com aqueles que mais precisam e que mais trabalham para produzir o alimento das famílias brasileiras”, ressaltou o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Patrus Ananias, durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra.

Juventude rural
Segundo o ministro, para continuar avançando em áreas-chave, o governo investiu no fortalecimento da agroindústria familiar, no cooperativismo, na produção agroecológica, na assistência técnica e extensão rural, na ampliação do mercado institucional para a agricultura familiar, na equidade de gênero e no apoio à juventude rural, “o presente e o futuro da agricultura familiar”.

Para fortalecer o apoio aos cerca de 8 milhões de jovens que hoje vivem no campo e têm participação ativa na produção agrícola, o governo trabalha no aperfeiçoamento do Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural. De acordo com Ananias, o plano está em “processo de contrução de forma participativa e democrática”.

O Plano Nacional de Desenvolvimento Rural e Sustentável observa que o grande desafio do governo é tornar o campo um lugar atraente para os jovens, capaz de fazê-lo permanecer no meio rural. “Para isso, é preciso transformar a concepção da relação campo-cidade, ofertando qualidade de vida digna, trabalho e renda nas áreas rurais”, aponta o plano do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Uma ação importante no âmbito da política setorial é a ATER para a Juventude. O programa irá atender a 22,8 mil jovens rurais neste Plano Safra. Além disso, o Banco de Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, R$ 5 milhões para a produção de empreendimentos econômicos da juventude rural.

Ex-diarista abastece Programa de Aquisição de Alimentos
Ex-diarista, a agricultora familiar Lindaci Maria dos Santos, de 51 anos, aderiu ao Pronaf há pouco mais de cinco anos no Distrito Federal e hoje abastece o Programa de Aquisição de Alimentos do Ministério do Desenvolvimento  Social e Combate à Fome (MDS). “Lutamos com muita garra mas temos um futuro. É uma coisa maravilhosa você colocar um produto [orgânico] na mesa”, contou Lindaci em depoimento ao Portal Brasil. Ela produz diversos tipos de alimentos orgânicos, entre frutas e hortaliças.

O Brasil fora do Mapa da Fome
O fortalecimento da agricultura familiar, aliado à execução de  programas de inclusão social, como o Bolsa Família e o Pronatec Rural, contribuiu, por exemplo, para que o Brasil fosse retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Recentemente, a agência da ONU apresentou um relatório na qual afirma que o Brasil pode se tornar o principal exportador de alimentos do mundo na próxima década. O documento destaca o papel fundamental da agricultura familiar na produção de alimentos e elogia as políticas públicas do governo federal para o setor.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

CAPA realiza seminário Comida Boa na Mesa: Teologia Boa para Comer

O Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) realiza no próximo dia 03 de agosto, a partir das 9 horas, o Seminário Comida Boa na Mesa: Teologia Boa para Comer. O evento visa a reflexão sobre produção de alimentos, sua origem, sistema de produção e modo de consumo, hábitos alimentares, entre outras questões ligadas ao tema, o qual acompanha a trajetória da humanidade e que está diariamente no centro da mesa das famílias.

Entre os palestrantes do turno da manhã, estão o teólogo Willian Kaiser de Oliveira, que fará a apresentação do seu trabalho “Teologia Boa para Comer: Comensalidade, Hábitos Alimentares e Sustentabilidade”; e a Pesquisadora Jaqueline Sgarbi, que vai abordar o tema Alimentos Tradicionais e regionais.

À tarde, o evento contará com mesas temáticas para apresentação de experiências práticas, como: alimento orgânico no Restaurante Universitário, com a nutricionista-chefe da Universidade  Federal de Pelotas (UFPel), Moema Zambiazi; equipe do Capa-Pelotas produção e certificação de produtos orgânicos; Cooperativas; Agricultoras Feirantes; Comida das Comunidades Quilombolas, entre outras atrações.

O Seminário será realizado no auditório do Centro de Capacitação da Agricultura Familiar – Embrapa Cascata (CECAF), em Pelotas/RS.

Fonte: Redação Vida Sustentável/CAPA.

Ex-cientista dos OGMs revela: animais que comem transgênicos morrem

Thierry Vrain, que passou muitos anos como um cientista e defensor dos transgênicos da Agricultura do Canadá, veio recentemente a público com sua conclusão de que os transgênicos (Organismos Geneticamente Modificados – OGM) são perigosos para os seres humanos, animais e meio ambiente.

“Eu refuto as reivindicações das empresas de biotecnologia que suas colheitas modificadas produzem mais, que eles exigem menos aplicações de agrotóxicos, que eles não têm impacto sobre o meio ambiente e é claro, que eles são seguros para comer“, escreveu ele.

Enquanto estava no Agriculture Canada, Vrain foi o cientista designado para tratar em grupos públicos com a mensagem de que os transgênicos eram seguros.

“Eu não sei se eu estava apaixonado por isto, mas eu estava bem informado”, escreveu ele. “Eu defendia o lado do avanço tecnológico, da ciência e do progresso. Mas nos últimos 10 anos eu mudei a minha posição.”

Animais que comem transgênicos morrem
Vrain diz que a sua mudança de opinião surgiu depois que ele tomou conhecimento de numerosos estudos de laboratórios de prestígio, publicados em revistas científicas de prestígio, mostrando os riscos para a saúde dos transgênicos (Organismos Geneticamente Modificados – OGM).

“Há… um crescente corpo de pesquisa científica – feito principalmente na Europa, Rússia e outros países – mostrando que as dietas contendo milho ou soja projetada causar sérios problemas de saúde em ratos de laboratório e ratos”, escreveu ele.

Vrain observa que a evidência é tão abrangente que, em 2009, a Academia Americana de Medicina Ambiental pediu uma moratória sobre os alimentos transgênicos e expansão nos testes de segurança. Os estudos revisados ​​pela Academia descobriram que uma dieta com transgênicos levou a diversos problemas, incluindo envelhecimento acelerado, disfunção imune, infertilidade, disfunção em genes que regulam a sinalização celular, a síntese de colesterol, a regulação da insulina e formação de proteínas, e alterações aos rins, fígado, baço e do sistema gastrointestinal.

Vrain observa que, apesar de muitos transgênicos produzirem inseticidas em seus tecidos e ainda são até mesmo registrados como inseticidas, as proteínas tóxicas que estes produzem nunca foram testadas para a segurança.

“Não há estudos de alimentação a longo prazo realizados nesses países para demonstrar as alegações de que bioengenharia de milho e de soja são seguros“, escreveu ele. “Tudo o que temos são estudos científicos provenientes da Europa e da Rússia, que mostram que ratos alimentados com engenharia de alimentos morrem prematuramente.”

Com base na ciência obsoleta
Vrain condena toda a premissa da engenharia genética como má ciência, com base na idéia agora desacreditada que cada gene codifica uma única proteína.

“Todo o paradigma da tecnologia da engenharia genética é baseada em um mal-entendido”, escreveu ele. “Todo cientista agora aprende que qualquer gene pode gerar mais do que uma proteína e que a inserção de um gene em qualquer parte de uma planta, eventualmente, cria proteínas errantes. Algumas destas proteínas são, obviamente, alergénicas ou tóxicas.”

Vrain também chama a atenção para os riscos ambientais dos transgênicos, citando o relatório de 120 páginas “Transgênicos: Mitos e Verdades“ (“GMO Myths and Truths”). Esta análise de mais de 500 estudos e relatórios governamentais refuta alegações da indústria de que os transgênicos são mais nutritivos, utilizam menos pesticidas e não prejudicam o meio ambiente. Estudos repetidamente descobriram que os transgênicos podem passar seus genes modificados para não apenas outras plantas, mas também para as bactérias do solo. Estas bactérias, em seguida, espalham os genes para o meio ambiente. Outro estudo descobriu genes transferidos para as bactérias do intestino de seres humanos que comeram transgênicos.
“Isto é poluição genética ao extremo“, escreveu Vrain.

Vrain também aborda o argumento mais comum de proponentes transgênicos: a de que ninguém jamais ficou doente depois de comer uma refeição contendo transgênicos.

“Ninguém fica doente de fumar um maço de cigarro também“, escreveu ele. “Mas com certeza acrescenta-se, e nós não sabíamos que na década de 1950 antes do início nossa onda de epidemias de câncer. Só que desta vez não se trata de um pouco de fumaça, é todo o sistema alimentar que é motivo de preocupação.”

Fontes:
– Natural News: Former GMO scientist exposes the outright lies and propaganda of the biotech industry
– GMO Myths and Truths (PDF)
– Interview with Dr Thierry Vrain, GMO whistleblower

Fonte: Notícias Naturais.

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