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Monsanto: 25 doenças que podem ser causadas pelo agrotóxico glifosato

A Monsanto investiu no herbicida glifosato e o levou ao mercado com o nome comercial de Roundup em 1974, após a proibição do DDT. Mas foi no final dos anos 1990 que o uso do Roundup se massificou graças a uma engenhosa estratégia de marketing da Monsanto. A estratégia? Sementes geneticamente modificadas para cultivos alimentares que podiam tolerar altas doses de Roundup.

Com a introdução dessas sementes geneticamente modificadas, os agricultores podiam controlar facilmente as pragas em suas culturas de milho, soja, algodão, colza, beterraba açucareira, alfafa; cultivos que se desenvolviam bem enquanto as pragas em seu redor eram erradicadas pelo Roundup.

Ansiosa por vender seu emblemático herbicida, a Monsanto também incentivou os agricultores a usar o Roundup como agente dessecante, para secar seus cultivos e assim fazer a colheita mais rapidamente. De modo que o Roundup é usado rotineira e diretamente em grande quantidade de cultivos de organismos não modificados geneticamente, incluindo trigo, cevada, aveia, colza, linho, ervilha, lentilha, soja, feijão e beterraba açucareira.

Entre 1996 e 2011, o tão difundido uso de cultivos de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) Roundup aumentou o uso de herbicidas nos Estados Unidos em 243 milhões de kg – ainda que a Monsanto tenha assegurado que os cultivos de OGM reduziriam o uso de pesticidas e herbicidas.

A Monsanto falsificou dados sobre a segurança do Roundup e o vendeu para departamentos municipais de parques e jardins e também a consumidores como sendo biodegradável e estando de acordo com o meio ambiente, promovendo seu uso em valetas, parques infantis, campos de golf, pátios de escola, gramados e jardins privados. Um tribunal francês sentenciou que esse marketing equivalia a publicidade enganosa.

Nos quase 20 anos de intensa exposição, os cientistas documentaram as consequências para a saúde do Roundup e do glifosato na nossa comida, na água que bebemos, no ar que respiramos e nos lugares em que nossas crianças brincam.
Descobriram que as pessoas doentes têm maiores níveis de glifosato em seu corpo do que as pessoas sadias.

Também encontraram os seguintes problemas de saúde que eles atribuem à exposição ao Roundup e/ou ao glifosato:

1) TDHA: nas comunidades agrícolas, existe uma forte relação entre a exposição ao Roundup e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, provavelmente devido à capacidade do glifosato de afetar as funções hormonais da tireoide.

2) Alzheimer: no laboratório, o Roundup causa o mesmo estresse oxidativo e morte de células neurais observados no Alzheimer. Isso afeta a CaMKII, uma proteína cuja desregulação também foi associada à doença.

3) Anencefalia (defeito de nascimento): uma pesquisa sobre os defeitos no tubo neural de bebês cujas mães viviam em um raio de mil metros de distância de onde se aplicava o pesticida mostrou uma associação entre o glifosato e a anencefalia; a ausência de uma grande porção do cérebro, do crânio e do pericrânio formado durante o desenvolvimento do embrião.

4) Autismo: o glifosato tem um número de efeitos biológicos alinhados a conhecidas patologias associadas ao autismo. Um desses paralelismos é a disbiose observada em crianças autistas e a toxicidade do glifosato para bactérias benéficas que combatem bactérias patológicas, assim como a alta resistência de bactérias patógenas ao glifosato. Além disso, a capacidade do glifosato de facilitar a acumulação de alumínio no cérebro poderia fazer deste a principal causa de autismo nos EUA.

5) Defeitos de nascença: o Roundup e o glifosato podem alterar a vitamina A (ácido retinoico), uma via de comunicação celular crucial para o desenvolvimento normal do feto. Os bebês cujas mães viviam em um rádio de 1 km em relação a campos com glifosato tiveram mais que o dobro de possibilidade de ter defeitos de nascença segundo um estudo paraguaio. Os defeitos congênitos se quadruplicaram na década seguinte a que os cultivos com Roundup chegaram ao Chaco, uma província da Argentina na qual o glifosato é utilizado entre 8 e 10 vezes mais por acre do que nos EUA. Um estudo em uma família agricultora nos EUA documentou elevados níveis de glifosato e defeitos de nascença em crianças, tais como ânus não perfurados, deficiências no crescimento hormonal, hipospádias (relacionada à normalidade da abertura urinária), defeitos no coração e micropênis.

6) Câncer cerebral: em um estudo comparativo entre crianças sadias e crianças com câncer cerebral, os pesquisadores detectaram que, se um dos pais estivera exposto ao Roundup dois anos antes do nascimento da criança, as possibilidades de ela desenvolver câncer no cérebro dobravam.

7) Câncer de mama: o glifosato induz o crescimento de células cancerígenas no peito por meio de receptores estrógenos. O único estudo em animais a longo prazo de exposição ao glifosato produziu ratas com tumores mamários e reduziu a expectativa de vida.

8) Câncer: pesquisas de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrárias da Argentina nas quais o Roundup foi utilizado – conhecidas como cidades fumigadas – mostraram médias de câncer entre duas e quatro vezes maiores do que a média nacional, com altos índices de câncer de mama, próstata e pulmão. Em uma comparação entre dois povos, naquele em que o Roundup fora aplicado, 31% dos moradores tinham algum familiar com câncer, ao passo que só 3% o tinham em um povoado sem Roundup. As médias mais elevadas de câncer entre as pessoas expostas ao Roundup provavelmente surgem da reconhecida capacidade do glifosato de induzir danos ao DNA, algo que foi demonstrado em inúmeras pesquisas de laboratório.

9) Intolerância ao glúten e doença celíaca: peixes expostos ao glifosato desenvolveram problemas digestivos que são reminiscentes da doença celíaca. Existem relações entre as características da doença celíaca e os conhecidos efeitos do glifosato. Isso inclui desajustes nas bactérias das tripas, deslocamento de enzimas implicadas na eliminação de toxinas, deficiências minerais e redução dos aminoácidos.

10) Doença crônica nos rins: os aumentos no uso do glifosato poderiam explicar as recentes ocorrências de falências renais entre os agricultores da América Central, do Sri Lanka e da Índia. Os cientistas concluíram que, “embora o glifosato por si só não provoque uma epidemia de doença renal crônica, parece que ele adquiriu a capacidade de destruir os tecidos renais de milhares de agricultores quando forma complexos com água calcária e metais nefrotóxicos”.

11) Colite: a toxidade do glifosato sobre bactérias benéficas que eliminam a clostridia, assim como a alta resistência da clostridia ao glifosato, poderia ser um fator significativo na predisposição ao sobrecrescimento da clostridia. O sobrecrescimento da clostridia, especialmente da colite pseudomembranosa, foi comprovado como causa da colite.

12) Depressão: o glifosato altera os processos químicos que influem na produção da serotonina, um importante neurotransmissor que regula o ânimo, o apetite e o sono. O desajuste da serotonina é vinculado à depressão.

13) Diabetes: Os níveis baixos de testosterona são um fator de risco para o tipo 2 de diabetes. Ratos alimentadas com doses significativas de Roundup em um período de 30 dias, abrangendo o começo da puberdade, tiveram uma redução na produção de testosterona suficiente para alterar a morfologia das células testiculares e o início da puberdade.

14) Doença cardíaca: o glifosato pode alterar as enzimas do corpo, causando disfunção lisossomal, um fator importante nas doenças e falências cardíacas.

15) Hipotireoidismo: uma pesquisa realizada de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrícolas na Argentina nas quais se usa o Roundup encontrou médias mais elevadas de hipotireoidismo.

16) Doença inflamatória intestinal: o glifosato pode induzir a deficiência severa do triptófano, que pode levar a uma grave doença inflamatória intestinal que desajusta severamente a capacidade de absorver nutrientes por meio do aparato digestivo devido à inflamação, hemorragias ou diarreia.

17) Doença hepática: doses muito baixas do Roundup podem alterar as funções das células no fígado, segundo um estudo publicado em 2009 na “Toxicology”.

18) Doença de Lou Gehrig: a deficiência de sulfato no cérebro foi associada à Esclerose Lateral Amiotrófica. O glifosato altera a transmissão de sulfato do aparelho digestivo ao fígado, e poderia levar a uma deficiência de sulfato em todos os tecidos, incluindo o cérebro.

19) Esclerose múltipla: encontrou-se uma correlação entre uma incidência aumentada de inflamação de intestino e a Esclerose Múltipla. O glifosato poderia ser um fator causal. A hipótese é que a inflamação intestinal induzida pelo glifosato faz com que bactérias do aparelho digestivo se infiltrem no sistema circulatório, ativando uma reação imune e, como consequência, uma desordem autoimune, resultando na destruição da bainha de mielina.

20) Linfoma Não-Hodgkin: uma revisão sistemática e uma série de meta-análises de quase três décadas de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre o linfoma não-hodgkin e a exposição a pesticidas agrícolas concluiu que o linfoma de célula B tinha uma associação positiva com o glifosato.

21) Doença de Parkinson: os efeitos danosos dos herbicidas sobre o cérebro foram reconhecidos como o principal fator ambiental associado a desordens neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson. O início de Parkinson após a exposição ao glifosato foi bem documentado, e estudos em laboratório mostram que o glifosato provoca morte celular característica da doença.

22) Problemas na gravidez (infertilidade, morte fetal, aborto espontâneo): o glifosato é tóxico para as células da placenta, o que, segundo os cientistas, explicaria os problemas na gravidez de trabalhadoras agrícolas expostas ao herbicida.

23) Obesidade: uma experiência consistente na transmissão de uma bactéria do aparelho digestivo de um humano obeso para os aparelhos digestivos de ratos provocou obesidade nos ratos. Tendo o glifosato produzido uma mudança nas bactérias do aparelho digestivo de produtores de endotoxinas, a exposição ao glifosato poderia, dessa forma, contribuir com a obesidade.

24) Problemas reprodutivos: estudos de laboratório em animais concluíram que os ratos machos expostos a altos níveis de glifosato, tanto no desenvolvimento pré-natal ou da puberdade, padecem de problemas reprodutivos, incluindo o atraso na puberdade, a baixa produção de esperma e a baixa produção de testosterona.

25) Doenças respiratórias: as mesmas pesquisas com 65 mil pessoas na Argentina descobriram médias mais elevadas de doenças respiratórias crônicas.

Texto de Alexis Baden-Mayer, editor do Organic Consumers Fund.
Tradução de Daniella Cambaúva (Carta Maior).

Especialista dá dicas para prevenir o câncer

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) estão divulgando o tema “Qualidade de vida ao nosso alcance: Escolhas saudáveis para prevenir o câncer” para marcar a data de 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer.

A mudança de hábitos incentivada pela campanha, como optar pelo consumo de alimentos naturais, cessar o tabagismo, praticar atividades físicas regularmente, evitar exposição ao sol e substâncias cancerígenas e limitar o consumo de bebidas alcóolicas, é fundamental na prevenção do câncer.

Em entrevista, o nutricionista Fábio Gomes, do Inca, ressaltou as possibilidade de escolhas saudáveis na alimentação e deu dicas de como prevenir o câncer.
Confira:

- Qualquer tipo de câncer pode ser prevenido por meio da alimentação?

Fábio Gomes: Por enquanto, a gente sabe de alguns. São muitos tipos de cânceres diferentes e o que sabemos é que alguns estão relacionados com a alimentação. O que não significa que os outros que não foram estudados não estejam relacionados, mas eles ainda não foram estudados. Ainda há poucos estudos que relacionam o câncer cerebral, por exemplo. A alimentação está relacionada com a maior carga e volume de casos de cânceres no Brasil.

- De que forma a alimentação atua tanto na prevenção quanto para o aumento do risco de câncer?

Fábio Gomes: Há evidências muito claras de que carnes processadas e embutidas, como salsicha, linguiça, mortadela, blanquet de peru, que as pessoas veem como mais saudável, têm conservantes que, quando entram em contato com nosso suco digestivo no estômago, são transformadas em compostos cancerígenos e podem provocar modificações nas células do estômago e do intestino e fazem com que essas células se tornem células percussoras de câncer.

Além disso, a forma de preparar as carnes também pode influenciar. Independente do tipo de carne, quando você frita ou põe ela em uma chapa ou grelha em altíssimas temperaturas, também há a formação de compostos cancerígenos que aumentam os riscos de câncer. Quando as pessoas vão comer carne, peixe ou frango, que comam de forma cozida ou assada no forno.

O sal também é um fator de risco, principalmente para câncer de estômago. Desta forma, há uma associação de risco para outros alimentos, como os industrializados, que, em geral, são adicionados de muito sal para durarem mais. O consumo excessivo de alimentos industrializados vai aumentar o risco de câncer, tanto pelo excesso de sal, mas, também, por aumentar o risco do desenvolvimento de obesidade.

- Como seria um prato ideal e saudável?

Fábio Gomes: O prato varia muito de região para região, mas, como recomendação geral, a combinação do arroz e feijão tradicional ajuda muito.

Se a gente tiver metade do nosso prato com legumes e verduras e ¼ de arroz com feijão e outro ¼ de alguma carne, peixe ou frango, de preferência o peixe, que é o prato básico encontrado na alimentação brasileira, a gente estaria se alimentando muito bem.

O segredo é valorizar mais os alimentos de origem vegetal, menos os de origem animal e tirar do nosso dia a dia o máximo que a gente puder de alimentos industrializados, que são prontos para consumo ou prontos para aquecer.

Fonte: Portal Brasil.

Conheça oito alimentos que podem aumentar o risco de câncer

Veneno no copo

Maus hábitos alimentares estão diretamente relacionados com essa estatística. A vida moderna, cada vez mais agitada, dificultou o velho (e bom) hábito de preparar os próprios alimentos e deu lugar aos alimentos prontos para consumo ou de fácil preparo.

O nutricionista Fábio Gomes, do INCA, explica que muitos alimentos possuem fatores mutagênicos, ou seja, lesam as células humanas e alteram o material genético que existe dentro dela. “Esse processo leva a uma multiplicação celular muito maior do que o normal e, em consequência, pode aparecer um tumor”. Muitos desses alimentos não apresentam qualquer benefício à saúde e podem ser facilmente riscados do cardápio. Veja quais são e modere no consumo dos alimentos que predispõem a doença.

Carnes processadas

Linguiça, salsicha, bacon e até o peito de peru contêm quantidades consideráveis de nitritos e nitratos. Essas substâncias, em contato com o estômago, viram nitrosaminas, substâncias consideradas mutagênicas, capazes de promover mutação do material genético.

“A multiplicação celular passa a ser desordenada devido ao dano causado ao material genético da célula. Esse processo leva à formação de tumores, principalmente do trato gastrointestinal”, explica Fábio Gomes.

A recomendação do especialista é evitar esses alimentos, que não contribuem em nada com a saúde.

Refrigerantes

A bebida gaseificada, além de conter muito sal em forma de sódio, possui adoçantes associados ao aparecimento de câncer. O ciclamato de sódio, por exemplo, é proibido nos Estados Unidos, mas ainda é utilizado no Brasil, principalmente em refrigerantes “zero”. “Essa substância aumenta o risco de aparecimento de câncer no trato urinário”, conta Fábio Gomes.

Quanto aos adoçantes que podem ser adicionados à comida ou à bebida, o nutricionista diz que ainda não há comprovação científica. “O ideal é que o adoçante seja usado de forma equilibrada, pois é um produto destinado a pessoas com diabetes e não deve ser consumido em excesso pela população em geral”, aponta.

Alimentos gordurosos

Fábio Gomes explica que não é exatamente a gordura a principal responsável pelo aparecimento de câncer, e sim a quantidade de calorias que ela agrega ao alimento. A comida muito gordurosa é densamente calórica, ou seja, tem mais que 225 calorias a cada 100 gramas do alimento. “Por esses alimentos geralmente serem pobres em nutrientes, é preciso ingeri-los em grandes quantidades para obter saciedade, o que leva ao superconsumo”, conta o nutricionista do INCA.

Em excesso, esses alimentos provocam obesidade, que é fator de risco para câncer de pâncreas, vesícula biliar, esôfago, mama e rins. A célula de gordura libera substâncias inflamatórias, principalmente hormônios que levam a alterações no DNA e na reprodução celular, como o estrogênio, a insulina e um chamado de fator de crescimento tumoral.

Alimentos ricos em sal

“Se ingerido em quantidade maior do que cinco gramas por dia, o sal pode lesar as células que estão na parede do estômago”, explica o nutricionista Vinicius Trevisani, do Instituto do Câncer de São Paulo. Essa agressão gera alterações celulares que podem levar ao aparecimento de tumores.

Procure evitar alimentos ricos em sal ou mesmo aqueles que usam sal para aumentar o tempo de conservação, como os congelados e os comprados prontos que só precisam ser aquecidos.

Entram nessa lista: carne seca, bacalhau, refrigerantes, pizzas congeladas, iscas de frango empanadas congeladas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, entre outros.

Churrasco

Na fumaça do carvão há dois componentes cancerígenos: o alcatrão e o hidrocarboneto policíclico aromático. “Ambos estão presentes na fumaça e impregnam o alimento que é preparado na churrasqueira”, explica Fábio Gomes. “Eles também possuem fatores mutagênicos que levam ao aparecimento de tumores.”

Dieta pobre em fibras

O nutricionista Vinicius Trevisani explica que o intestino se beneficia muito pelo consumo adequado de fibras. Elas garantem um bom trânsito intestinal, de modo a eliminar os ácidos biliares secundários, um produto da digestão presente no intestino. Isso evita a agressão às células do intestino e a multiplicação celular descontrolada.

Preparo com altas temperaturas

Alimentos fritos ou grelhados também incorporam algumas substâncias cancerígenas. Ao colocar o alimento cru em óleo ou chapa muito quentes (com temperatura aproximada de 300 a 400°C), são formadas aminas heterocíclicas – substâncias que contêm fatores mutagênicos e estimulam a formação de tumores.

O nutricionista Fábio recomenda preparar as carnes ensopadas – modo de cozimento em que não há nenhuma formação de aminas-, ou ainda prepará-las no forno. Dessa maneira, a temperatura do alimento aumenta gradualmente e não chega a níveis tão altos.

Alimentos com agrotóxicos

Não existe uma forma eficiente de limpar frutas, verduras e legumes dos agrotóxicos. “Muitas vezes, esses conservantes são aplicados nas sementes e passam a fazer parte da composição do alimento”, aponta Fábio Gomes. Ele explica que o agrotóxico provoca vários problemas de saúde em quem tem contato direto com esses alimentos, mas ainda está em estudo a sua real contribuição com o aparecimento do câncer.

Como ainda existem dúvidas sobre esses efeitos, o nutricionista orienta evitar opções ricas em agrotóxicos. É melhor consumir alimentos cultivados sem o produto químico, que comprovadamente têm mais vitaminas, minerais e compostos quimiopreventivos. “Estes compostos atuam na proteção e reparação celular frente a uma lesão que pode gerar câncer”, afirma.

Fonte: Minha Vida.

Seminário debate experiências agroecológicas de enfrentamento às mudanças climáticas em diferentes regiões semiáridas do mundo

O Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas, que teve início na quarta-feira (21), na sede do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em Campina Grande (PB), foi aberto com uma mesa composta pelo diretor do Instito Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), Ignacio Salcedo, Glória Araújo da coordenação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e por Ricardo Padilha, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Ignacio Salcedo ressaltou que a proposta do Instituto é trabalhar fortemente unido com os movimentos sociais, partindo da união entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento dos agricultores. Glória Batista, em sua fala destacou os acúmulos e conquistas da rede em seus 15 anos de existência, como a democratização do acesso à água, com um trabalho que vai além da construção de infraestruturas hídricas, que se conecta com as práticas e com o conhecimento dos agricultores, fortalecendo os processos de articulação territoriais existentes.

Já o representante da FAO lembrou que, para o órgão, 2014 foi o ano da agricultura familiar, e segundo ele, as iniciativas de fortalecimento desse modelo lançadas no ano passado, irão continuar. Ele destacou ainda que 2015 é o ano dos solos, que também tem relação direta com o tema da construção da resiliência e com o combate à desertificação e que seminários como este têm um papel muito grande na articulação de atores e redes que atuam no enfrentamento aos afeitos das mudanças climáticas e à desertificação.

Painel
A mesa de abertura antecedeu o painel ‘Construção da resiliência agroecológica e reversão da desertificação no contexto de mudanças climáticas: experiências e aprendizados em regiões semiáridas’, que contou com a participação dos convidados internacionais Clara Inés Nicholls, coordenadora geral da Rede Iberoamericana de Agroecologia para o Desenvolvimento de Sistemas Agrícolas Resilientes e Mudanças Climáticas (Redagres) e de Souleymane Cissé, representante da ONG senegalesa IED – Afrique (Inovação, Meio Ambiente e Desenvolvimento), além de Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e da ASA.

Souleymane Cissé foi o primeiro a falar. Após a contextualização da região conhecida como Sahel, uma faixa de mais 5.000km de extensão, situada na África Subsaariana, entre o oceano Atlântico e o Mar Vermelho, passando por partes de países como Mali, Senegal, Níger, Chade, Mauritânia, Burkina Fasso, Gâmbia e Camarões. Segundo o senegalês, apesar da região ter um clima bastante vulnerável, de 80 a 90% da atividade agrícola é formada pela agricultura familiar, que é responsável por 60% da alimentação produzida.

Souleymane afirmou que as secas severas que a região enfrentou, principalmente entre os anos 60 e 90, foram responsáveis por uma degradação de 67% das terras. As mudanças climáticas também vêm afetando a estabilidade alimentar, em 2013 a desnutrição atingiu 16 milhões de pessoas e gerou prejuízos de 9 bilhões. Para o convidado africano, comparando as realidades do seu país e do Brasil, ele considera que o contexto brasileiro é muito mais favorável para a agroecologia: “as pessoas e os governos compreendem melhor o significado da agroecologia e ela está mais bem estruturada enquanto sistema do que na África”, avalia.

Uma das semelhanças que ele identificou entre as duas regiões semiáridas foi que a agroecologia vem sendo desenvolvida e encarada como um movimento pelas redes de promoção. Souleymane apresentou em sua exposição um conjunto de experiências tradicionais que têm sido resgatadas pelas famílias agricultoras que têm tido uma excelente resposta aos problemas enfrentados, incluindo a redução do exôdo rural de jovens para países europeus.

Clara Nicholls, colombiana e coordenadora da Redagres, falou sobre o impacto das mudanças climáticas em diversas partes da América Latina, com os fenômenos do El niño (seca) e La ninã (inundações e deslizamentos). De acordo com a pesquisadora, os estudos mostram que os pequenos agricultores, que menos causam, são os que mais sofrem com os efeitos destes fenômenos. Outra observação é que, em diversos casos pesquisados, como a de uma família de agricultores cubanos, os sistemas agroecológicos se mostraram muito mais eficientes do ponto de vista energético do que os sistemas convencionais, que gastam mais energia e produzem menos, principalmente por terem baixa capacidade de resistirem a períodos secos e só apresentarem boa produtividade com uma grande quantidade de água, insumos e energia.

Clara criticou as pesquisas que trazem prognósticos ambientais, por desconsiderarem o conhecimento das populações locais: “Elas sempre olham para o futuro, nunca olham lá atrás para saber como os ancestrais superaram estas mudanças e minimizaram as perdas. A agroecologia não trabalha com receitas prontas, mas com princípios e com aprendizagem mútua”, disse. A pesquisadora lembrou que é preciso também considerar nos estudos a resiliência sociológica, humana, pois a agroecologia é socialmente e politicamente produtiva, do ponto do vista da geração da autonomia e da capacidade de recomposição.

Luciano Silveira, coordenador da AS-PTA e representante da ASA Brasil, fez uma contextualização sobre a região semiárida brasileira, que tem uma extensão de mais 1 milhão de metros quadrados e 1,7 milhão de famílias agricultoras, o que representa 35% do contingente da agricultura familiar do país. Luciano lembrou que o processo histórico de ocupação da região tem sido marcado pela concentração do acesso aos recursos como a água e a terra, em um modelo centrado na agricultura para exportação e em um padrão de desenvolvimento predatório dos recursos naturais. As soluções propostas eram pensadas na lógica do ‘combate à seca’. Todo esse quadro, segundo o painelista, levou ao aprofundamento de relações de dependência e subordinação das populações locais.

Luciano explicou que a estratégia da ASA foi a da descentralização do acesso aos recursos, e nesse sentido, a água seria o primordial deles. Segundo ele, a entrada da água a partir da construção das infraestruturas hídricas, a valorização da inserção social e econômica das mulheres e a participação ativa das comunidades, trouxeram impactos múltiplos e fizeram com que as famílias envolvidas nessa dinâmica atravessassem os últimos períodos de seca com muito mais tranquilidade. Nos seus 15 anos de existência, a ASA já sistematizou 1.500 experiências e realizou mais de 1.300 intercâmbios com o envolvimento de 34 mil agricultores e agricultoras. Ele afirmou que a parceria da ASA com o Governo Federal é um caso emblemático de que as políticas públicas podem vir de baixa pra cima, em um cenário onde é preciso se repensar a construção das políticas.

As experiências trazidas pelos palestrantes foram pontos de reflexão para a parte da tarde, dedicada ao debate dos resultados preliminares da Pesquisa ASA-INSA, realizada desde 2012, em todos os estados do Semiárido brasileiro.

O Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas, segue até esta sexta-feira (23) com a realização de visitas de campo, trabalhos de grupo, debates e a abertura de uma exposição fotográfica. A iniciativa é da ASA, do Insa e do Projeto Terra Forte e seus parceiros, cofinanciado pela União Europeia.

Por Áurea Olimpia Figueiredo Rêgo, AS-PTA/EcoAgência.

Mercado de Orgânicos deve crescer 35% no Brasil

O Projeto Organics Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), confirma para 2014 um crescimento acima do registrado no ano passado. Tendo como base o faturamento de 2013, análises com órgãos de varejo e acompanhamento de grandes redes, as estimativas indicam que o mercado de produtos orgânicos deve crescer em torno de 35% neste ano – contra os 22% de 2013 – e faturar R$2 bilhões.

Segundo Ming Liu, coordenador-executivo de Projetos do IPD, o mercado de produtos saudáveis vem crescendo a cada dia, tanto no exterior como no Brasil, e os orgânicos têm grande destaque nesse nicho. “O Brasil ainda tem muito para crescer, mas o setor só ganhou espaço em nível mundial devido à mudança de comportamento dos consumidores e à regulamentação de orgânicos no Brasil, o que, consequentemente, abriu espaço para maior produção”, avalia.

O coordenador do IPD destaca, ainda, que o segmento de orgânicos registrou faturamento mundial de US$64 bilhões no ano passado. A principal parcela desse montante corresponde aos Estados Unidos, que faturaram US$35 bilhões no período, seguidos pela Alemanha (US$7 bilhões) e pelo Canadá (US$4,4 bilhões).

Matéria produzida por Cinthia Andruchak Freitas, Epagri/GMC, para a revista Agropecuária Catarinense de novembro/2014.

Fonte: Santa Catarina 24h.

O papel da mídia e a visibilidade da má nutrição no mundo

A vasta repercussão nos meios de comunicação internacionais e nacionais da Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição, realizada em Roma entre os dias 10 e 21 de novembro, demonstrou o crescente interesse que estão despertando os problemas da nutrição no mundo, em boa parte porque a própria mídia presta cada vez mais atenção aos temas relacionados com a pobreza e a marginalização.

Milhares de artigos nos principais jornais de diferentes países do mundo, numerosas notícias na televisão e a relevante dinâmica nas mídias sociais cobriram a conferência realizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 22 anos depois da primeira.

A representatividade global foi assegurada mediante a participação de mais de cem ministros e vice-ministros responsáveis pelas áreas vinculadas à nutrição em seus respectivos países.

Com um documento político e um plano de ação de mais de 60 pontos aprovado por consenso, aplicável em níveis internacional e nacional, esse encontro concluiu uma fase e abriu outra cujos resultados poderemos ver nos próximos anos.

Ao contrário de outros encontros internacionais desse tipo, nesta ocasião os meios de comunicação não destacaram apenas as intervenções dos principais oradores ou os documentos finais, mas também, ao longo das semanas seguintes à conferência, foram publicadas informações e reflexões sobre o argumento.

De fato, o tema da nutrição se incorporou como um ponto da agenda informativa global diante da gravidade social que representa, não só nos países em desenvolvimento, mas também nos desenvolvidos.

Como disseram inúmeros especialistas, uma das grandes contradições atuais é que, enquanto ainda existem 800 milhões de pessoas que sofrem fome (200 milhões a menos do que há 20 anos), na outra ponta temos 500 milhões de adultos obesos, um número que continua aumentando e está gerando sérios riscos de saúde.

Basta pensar que 42 milhões de crianças têm sobrepeso, e que a desnutrição é a causa subjacente de 45% das mortes infantis. Segundo as estatísticas, as dietas pouco saudáveis e a falta de exercício são causadores de 10% das mortes e dos casos de incapacidade permanente. Mais de dois bilhões de pessoas, quase um terço da humanidade, sofrem carências de micronutrientes.

O problema nas crianças menores de cinco anos é particularmente penoso, já que 51 milhões sofrem emaciação, ou seja, baixo peso para sua estatura, o que gera aumento das mortes por doenças infecciosas, enquanto 161 milhões de crianças nessa idade sofrem atraso no crescimento.

Inclusive do ponto de vista econômico, a má nutrição tem um custo elevado. Segundo estudos recentes, a má nutrição (fome, carência de micronutrientes e obesidade) implica um custo anual entre US$ 2,8 trilhões e US$ 3,5 trilhões, equivalente a 4% ou 5% do produto interno bruto (PIB) mundial. O custo por pessoa é de US$ 400 a US$ 500 por ano.

Em seu discurso à comunidade internacional, o papa Francisco afirmou na conferência que, “quando falta solidariedade em um país, todo o mundo se ressente”.

Apesar de haver alimentos suficientes para todos, as questões alimentares são objeto de informação manipulada, corrupção, com argumentos de segurança nacional ou “a lastimável reclamação da crise econômica”, pontuou Francisco. “Esse é o primeiro desafio que temos de superar”, acrescentou, exortando para que os direitos da pessoa humana estejam considerados em todos os programas de assistência ao desenvolvimento.

O papa destacou a necessidade de se respeitar o ambiente e proteger o planeta. “Os seres humanos podem perdoar, mas a natureza não. Temos de cuidar da mãe natureza, para que ela não responda com a destruição”, ressaltou.

Desta maneira o papa conectou os debates sobre a nutrição com a 20ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que aconteceu em Lima, no Peru, entre 1º e 12 deste mês.

Apesar da amplitude da cobertura, não podemos deixar de observar que os meios de comunicação mais importantes não se detiveram em analisar o plano de ação da conferência, que propõe o caminho para resolver gradualmente os grandes desafios da nutrição.

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Mario Lubetkin. Foto: IPS
O plano de ação propõe potencializar os compromissos políticos, impulsionar planos nacionais de nutrição, incorporando as diferentes partes interessadas na segurança alimentar e na nutrição, aumentar o investimento responsável, promover a colaboração entre os países, seja no âmbito Norte-Sul ou no Sul-Sul, e fortalecer a governança da nutrição.

Também recomenda medidas para conseguir sistemas alimentares sustentáveis, revisar as políticas e os investimentos nacionais, promover a diversificação dos cultivos, melhorar a tecnologia, elaborar e adotar diretrizes internacionais sobre dietas saudáveis, e fomentar a redução gradual do consumo de gorduras saturadas, açúcar, sal e sódio.

O capítulo dedicado à comunicação sugere empreender campanhas e programas de comunicação social sobre mudanças no estilo de vida, promovendo a atividade física, a diversificação dietética e o consumo de alimentos ricos em micronutrientes com inclusão de alimentos tradicionais, levando em conta a índole cultural.

Embora a responsabilidade principal da aplicação do plano de ação dependa dos governos e dos parlamentos dos diferentes países, os atores não estatais como a sociedade civil e o setor privado têm um importante papel a jogar, unindo forças para que as propostas se concretizem.

Desse processo não podem estar alheios os meios de comunicação como instrumento controlador, para que os desafios lançados pela Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição se transformem, em curto e médio prazos, em uma realidade.

Por Mario Lubetkin, diretor de Comunicação Corporativa da FAO. Publicado por Envolverde/IPS.

Considerados saudáveis, alimentos orgânicos conquistam clientes

Hoje eles podem ser vistos em toda a parte. Seja nas prateleiras dos mercados ou em lojas voltadas especificamente para eles, os produtos orgânicos vêm ocupando cada vez mais espaço na mesa de baianos e brasileiros. Para se ter uma ideia, segundo um estudo inédito da multinacional inglesa Dunnhumby, empresa especializada na ciência do consumidor, o momento é promissor para alimentos saudáveis no país e os produtos orgânicos estão dentro deste contexto.

Os dados apontam que 58% dos brasileiros preferem comprar este tipo de produto quando estão disponíveis. Este número é maior do que em países como Reino Unido e Estados Unidos, aonde este índice não chega a 30%. Quem lida com a agricultura orgânica diariamente também tem a expectativa de que este mercado tenha cada vez mais avanços. “As pessoas têm passado por uma mudança de mentalidade muito importante, uma vez que o consumidor tem se preocupado mais com a saúde e com o que está indo à sua mesa. Por isso, temos observado, principalmente nas feiras livres por onde vendemos o nosso produto, que a saída tem sido muito grande”, afirmou Damião Muniz, gerente de agricultura da Associação Agrícola Cosme e Damião, que fica em Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

Desconfiança
 Nos mercados de Salvador, no entanto, os consumidores ainda enfrentam resistência em utilizar os produtos orgânicos. “Pelo que a gente ouve falar e tem acompanhado, estes produtos nós podemos consumir sem medo. Eu até gostaria de consumi-los mais. Porém os altos preços, comparados com os produtos não orgânicos, são absurdos”, reclama a dona de casa Eloísa Lima.

Além dos preços tem gente que desconfia da real qualidade desses produtos. É o caso da aposentada Irene Canovas: “Pra ser bem sincera, não sei se é verdade se esses produtos têm uso de agrotóxicos ou não. Como nós não temos acesso ao processo de produção destes alimentos, ficamos reféns apenas do que vemos nas prateleiras”, comentou. Já a também dona de casa Antônia Santos vai na contramão, e vê com bons olhos essas novas opções ao consumidor: “Realmente é mais caro que outros produtos similares. Mas acho que, a longo prazo, a nossa saúde vai agradecer por não estarmos ingerindo uma grande quantidade de produtos químicos que são inseridos nestes alimentos”, disse.

Realmente é notório perceber a diferença entre os preços dos produtos orgânicos e aqueles em que não há química em sua composição. Em alguns mercados de Salvador, por exemplo, o preço do tomate comum está em     R$ 2,75 o quilo. Já o orgânico está em R$ 9,70. O valor do quilo do chuchu é de R$ 1,95, R$ 3,65 mais barato do que o orgânico. A mesma situação foi percebida com a cebola, cujo preço variou entre R$ 2,35 (comum) e R$ 7,28 (orgânico).

Damião explica que os preços altos, no entanto, se justificam. “Se formos analisar, os produtos orgânicos, há cinco anos, não tinham uma penetração grande no mercado, então é uma coisa relativamente nova em termos de opção ao consumidor. Além disso, o processo de produção dos produtos orgânicos é bastante diferente do modo convencional. Há também a questão da mão de obra, que tem que ser especializada. Tudo isso traz um resultado muito melhor tanto na qualidade do produto, quanto no sabor, o que é melhor para o consumidor”. Ele ressaltou ainda que a Associação produz os próprios fertilizantes e inseticidas que, segundo ele, são naturais e não prejudicam o meio ambiente.

Técnica de plantio e cultivo 
Para qualificar ainda mais as pessoas que lidam com este tipo de produto, o gerente da Associação informou que parcerias com as Secretarias Municipais e com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) são feitas de forma constante a fim de auxiliar os produtores e instruí-los sobre a melhor maneira de realizar o plantio e o cultivo do produto, que é vendido, além de Camaçari, em outras cidades como Conde, Araçás, Esplanada e Entre Rios.

Nos cursos do órgão estadual, por exemplo, os alunos aprendem técnicas para a produção agroecológica tais como o emprego de compostagem – processo biológico em que os microorganismos transformam matéria orgânica em um composto que pode ser usado como adubo –, adubação verde, manejo orgânico do solo e diversidade de culturas.

Por outro lado, Muniz elenca alguns percalços pelo qual passa a Associação, que existe há mais de 20 anos na região. “Infelizmente nós não temos uma política definida para essa área. Temos uma dificuldade imensa para conseguir o Selo Orgânico, o que nos permitiria colocar os nossos produtos em grandes mercados consumidores. Por causa disso, nós estamos apenas liberados para vender nas feiras livres, por exemplo”, citou.

O Selo Orgânico existe desde 2011 e tem por objetivo facilitar ao consumidor identificar os produtos orgânicos e comprovar sua qualidade. Para conseguir o selo, é preciso que alguns pontos, que vão desde o controle dos impactos ambientais até o pagamento anual da certificação que varia entre R$ 2.500 e R$ 15.000, têm que ser respeitados.

Fonte: Tribuna da Bahia.

Assistência técnica é aliada da produção agroecológica e orgânica

Até 2015, cerca de 120 mil agricultores familiares e assentados da reforma agrária receberão, em suas propriedades, profissionais que prestam Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), com foco na produção agroecológica e orgânica. A iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, prevista no Plano Safra da Agricultura Familiar 2014/2015, tem como objetivo agregar inovação tecnológica e estimular a adoção de boas práticas no campo à produtividade e a renda da família.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), no Rio Grande do Sul, André Müller, a ação envia técnicos para as propriedades rurais com o objetivo de orientá-los sobre planejamento e modernização de processos direcionados à agroecologia e à transição para este sistema. “O primeiro passo é apresentar, para o produtor, os benefícios da produção agroecológica. Depois, analisar se a cultura tem boa adaptação ao tipo de solo, verificar se a divisa com os vizinhos é segura e avaliar se a comunidade e a propriedade contam com recursos que podem ser mais bem aproveitados.”

Com o diagnóstico em mãos, os técnicos fazem visitas frequentes às propriedades familiares, com o objetivo de capacitar os agricultores. “Nossa função é ajudar os trabalhadores rurais a começar ou a diversificar o tipo de produção de forma segura. Durante todo o processo, existe uma troca de experiência e conhecimento entre o agricultor e o profissional. Isso é importante para que não exista uma dependência e para que o beneficiário possa ser multiplicador das instruções recebidas”, observa André.

A agricultora familiar Marcia Inês Ferrari, 46 anos, atribui os êxitos alcançados em 11 anos de produção agroecológica à Assistência Técnica e Extensão Rural. Foi com o auxílio de profissionais extensionistas que ela transformou a pequena horta da família em fonte de renda e de saúde. “Sem a ajuda dos técnicos, eu não saberia nem por onde começar. Além de avaliar o solo e nos orientar sobre o modo correto de cultivar os produtos, eles nos ajudaram a articular formas de comercializá-los – seja em mercados, feiras ou por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).”

Crédito aliado à capacitação
O coordenador de Crédito da Agricultura Familiar no MDA, Mauri Andrade, salienta, entretanto, que existem duas formas do agricultor familiar ser atendido pela Ater. “O produtor pode ser incluído em chamadas públicas, realizadas pelo Governo Federal. Nessa modalidade, os beneficiários recebem orientações sobre agricultura familiar agroecológica, orgânica e agroextrativista local, do cultivo até a comercialização, sem necessariamente contratar crédito”, explica.

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) também conta com linhas de crédito para produção agroecológica em que o acompanhamento de profissionais extensionistas é obrigatória como no Pronaf Agroecologia e Produtivo Orientado.

A primeira linha, de investimento, possibilita crédito para sistemas de produção de base agroecológica e orgânica, com taxa de juros diferenciada de 1%, limite de R$150 mil, além de Ater obrigatória.

Já no Pronaf Produtivo Orientado a assistência técnica é obrigatória e remunerada nos três primeiros anos do projeto de investimento. A linha financia o pagamento dos serviços de Ater mediante a apresentação ​ de projeto técnico e dos laudos de acompanhamento das unidades familiares. “Nesse caso, o agente de crédito vai indicar, ao agricultor familiar, as empresas capacitadas para prestar o serviço e incluir o valor da remuneração do extensionista no crédito concedido. Os agricultores, nesse caso, terão um bônus de adimplência, de R$3,3 mil, que pode ser elevado para R$ 4,5 mil quando o crédito for destinado a financiamentos de empreendimentos nos municípios da região Norte”, finaliza Mauri.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Açúcar refinado vicia e pode causar até câncer

O consumo de açúcar vem crescendo a cada ano, é considerado uma droga estimulante, lícita, e pouco se discute sobre seus prejuízos à saúde humana. Para se ter uma ideia, de acordo com a Embrapa, em 50 anos, os brasileiros adicionaram 68 gramas do produto por dia em suas refeições. Isso equivale a cinco colheres de sopa. De acordo com o órgão de pesquisa agropecuária, nós consumimos cerca de 150 gramas de açúcar diariamente – a média mundial é de 57 gramas.

Seu consumo exacerbado vem trazendo consequências perigosas para a população, chegando a ser considerado um problema de saúde publica, atualmente, por gerar uma série de desequilíbrios sistêmicos.

A dependência química do açúcar gera sensação de prazer, estimulando neurotransmissores cerebrais. Essa reação boa leva ao vício, pois dura pouco tempo e nos faz querer sempre mais dessa substância. Como explica a nutricionista Andrezza Botelho, o produto refinado não traz beneficio algum para o organismo, por não conter nenhum nutriente, apenas calorias vazias. A energia em excesso é armazenada na forma de gordura, por meio do hormônio insulina, que, ao ser estimulado ou secretado constantemente, pode levar ao diabetes.

“O açúcar é apenas um alimento calórico, de baixa qualidade nutricional, que não oferece benefícios para o organismo. Ele rouba nutrientes, podendo alterar o meio digestivo no estômago, prejudicar a absorção de vitaminas e minerais, interferir na digestão e na absorção intestinal, além de facilitar o aumento da excreção de alguns nutrientes dentro do organismo”, explica a especialista.

Pouca gente sabe, mas o açúcar traz prejuízos ao intestino, pois é o alimento preferido de bactérias patogênicas, fazendo com que as colônia cresçam rapidamente, e, ao mesmo tempo, diminui o número dos organismos que ajudam a flora intestinal. Outros malefícios são o aparecimento de diabetes, o aumento de cáries, infecções e osteoporose, relacionada à perda lenta e constante de cálcio e magnésio, lesão nas paredes dos vasos sanguíneos, obesidade, envelhecimento precoce (aumento de radicais livres), hiperatividade, ansiedade e dificuldade de concentração e irritabilidade.

“É fundamental o uso controlado e limitado desse alimento, para garantir a qualidade e o equilíbrio do corpo. Por meio de trocas inteligentes, como o uso de açúcar mascavo e o demerara, podemos ingerir alguns nutrientes interessantes. Mesmo assim, o consumo tem de ser consciente e equilibrado, para garantir a saúde física e mental”, diz a nutricionista Andrezza Botelho.

Um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, feito com ratos de laboratório, mostrou que uma dieta com elevada dose de açúcar deixa o cérebro mais lento, prejudicando a memória e o aprendizado. De acordo com o estudo, o consumo excessivo pode interferir na capacidade da insulina de regular como a célula usa e armazena esse ingrediente, o que é necessário para o processamento de pensamentos e emoções.

Fonte: Portal UAI.

PNAE brasileiro foi apresentado no Congresso da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica, na Turquia

A médica veterinária gaúcha, do Instituto do Bem Estar, Angela Escosteguy, foi uma das representantes brasileiras no 18º Congresso da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), que encerrou no último dia 15, na Turquia. O evento teve mais de 800 participantes, representando cerca de 150 países. Ao falar sobre o congresso para EcoAgência, Angela Escosteguy enfatizou que esta foi a primeira vez a IAHA – IFOAM Animal Husbandry Alliance, grupo que integra, participou do congresso, organizando dois eventos no tema de pecuária orgânica.

“Representei no Congresso Mundıal da IFOAM, o Programa Nacıonal de Alımentação Escolar (PNAE). No Brasıl poucos sabem, mas dıarıamente 47 mılhões de crıanças em escolas públicas recebem ao menos uma refeıção por dıa. O PNAE, desde 2009, instituiu que as compras governamentaıs de alımento para escolas públicas sejam pelo menos 30% provenıentes de produtores famılıares, prıorızando os alımentos orgânicos”, explicou ela.

Dessa forma, segundo Angela, foram resolvıdos doıs graves problemas: por um lado os pequenos produtores, historicamente com dıfıculdades de vender seus produtos e, do outro, mılhares de crıanças precısando de alımento.

“Isto significou na pratica”, enfatizou, “que 30% dos 1,5 bilhões de dólares anuais (segundo dados de 2013) destinados às compras para o abastecımento de escolas, foram destinados aos pequenos produtores de orgânicos que, historicamente, sempre tıveram dıfıculdades de vender seus produtos e partıcıpar de lıcıtações. E ainda unıversalızou o consumo de alımentos orgânicos, normalmente acessíveis somente à elite da população”.

A Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM) é a maior e mais importante entidade mundial do movimento de agricultura orgânica e sustentável. A cada três anos, realiza um congresso mundial para discutir os rumos da segurança alimentar, das certificações e processos relacionados à agricultura familiar, como enfrentar as mudanças climáticas e intensificação ecológica. O próximo congresso será realizado em 2017 na Índia.

Por Juarez Tosi para EcoAgência de Notícias e Vida Sustentável.

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