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Certificação de produtos orgânicos pelo Tecpar cresce 33% em cinco anos

O número de certificados para produtos orgânicos emitidos pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) deu um salto de 33% nos últimos cinco anos. Só no ano passado, 195 propriedades rurais foram auditadas e certificadas pela instituição no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Amazonas, Santa Catarina e Ceará, além do Peru e Chile. Em 2010, foram 146. A maioria é do Paraná, que tem 128 propriedades certificadas.

O certificado de conformidade orgânica tem duração de um ano, mas algumas auditorias são realizadas semestralmente como é o caso de culturas de ciclo curto, como hortaliças, ou no de produções paralelas, em que um produto orgânico é plantado na mesma propriedade que produz vegetais pelo método convencional.

De acordo com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) são produzidos 130 mil toneladas de alimentos orgânicos no Paraná por ano. “São produtos oriundos de lavouras que não utilizam agrotóxicos, adubos, hormônios ou transgênicos. Os alimentos são produzidos levando em consideração o meio ambiente e a vida dos agricultores e seus familiares”, explica o coordenador estadual de olericultura Iniberto Hanermschmitd.

Entre os principais alimentos orgânicos estão as hortaliças, que mantém um crescimento de 20 a 30% no ano devido ao rápido ciclo de plantação e colheita. Fazem parte desse grupo alface, repolho, tomate, cenoura, pimentão, pepino, abobrinha, couve-flor, brócolis, beterraba, rabanete, batata e cebola. Há também os produtos orgânicos básicos e bastante comercializados como soja, milho, trigo, feijão, mandioca, arroz, café, cana de açúcar, erva mate, além das frutas e plantas medicinais.

CERTIFICAÇÃO – Os alimentos orgânicos produzidos em propriedades rurais e certificados pelo Tecpar podem ser encontrados em três categorias: origem animal, vegetal e em processamento. Nas regiões de Pinhais e Francisco Beltrão, por exemplo, estão concentrados os alimentos de descendência animal como leite, ovos e rações para aves.

Já nos municípios de Morretes e Prudentropolis encontram-se produtos processados como é o caso de geleias, massas e compotas. Enquanto isso, os produtos de origem vegetal, como frutas e hortaliças, possuem maior produção e comercialização e estão espalhadas em 50 regiões do Paraná.

A gerente do Tecpar Cert, Tânia de Carvalho, explica que a lei sobre a produção orgânica no Brasil foi regulamentada em 2010 e que o Tecpar Cert foi o primeiro instituto a ser credenciado tanto pelo Inmetro quanto pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para certificar a produção orgânica brasileira.

“De lá para cá, o Tecpar Cert registrou crescimento na certificação porque o Governo do Estado, diversas prefeituras municipais e o Sebrae incentivaram e subsidiaram os produtores orgânicos a buscar a certificação, que nesta área é compulsória. Além disso, produtores de outros países que querem entrar no mercado brasileiro precisam da certificação”, analisa Tânia.

SANTA ROSA – Localizado na Colônia Figueiredo, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, o Sítio Santa Rosa está entre as propriedades paranaenses certificadas pelo Tecpar. São quatro alqueires, destinados exclusivamente à plantação de orgânicos, comercializados em três feiras semanais e em dois mercados da região.

À frente das plantações está Ludovico Carachenski, 67 anos, que cuida da lavoura junto com a mulher e seis filhos. O contato de Ludovico com a terra teve início aos cinco anos, quando ajudava os seus pais na lavoura. “Hoje, continuo com o ritual diário de cuidar do ciclo de vida de cada produto”, afirma ele.

Ludovico conta que o sítio Santa Rosa já foi utilizado para plantar alimentos convencionais. “Mas há 15 anos essa terra não recebe mais a ação de agrotóxicos”, afirma ele. “Antes, só plantávamos batata, milho e feijão. No começo era bom, mas depois os insumos para estes produtos ficaram muito caros e os alimentos muito baratos. Os agricultores não ganhavam quase nada”, conta.

A mudança do sistema convencional para o orgânico exigiu um pouco mais de trabalho. “É muito mais difícil produzir um alimento orgânico, pois todo o trabalho é manual. Os produtos não ficam tão bonitos quando os convencionais porque não se usa agrotóxico. Não se usa nada, só adubo orgânico”, ressalta Ludovico.

Entre as plantações é possível encontrar uma variedade enorme de alimentos: cenoura, batata, alface, tomate, couve, abobrinha, pepino, beterraba, repolho, brócolis, morango, quiabo, berinjela, milho, batata doce, espinafre, abobora, cebolinha, salsa, feijão vagem. A esposa de Ludovico, Elaine, fabrica geléia.

Nos dias de feira, a família acorda às 4 horas da manhã para carregar o caminhão e organizar a tenda. Quando não há feira, o dia começa às 5 horas, na lavoura. “Cuidar da lavoura é o que eu sei fazer. Eu amo estar perto da terra”, afirma com sorriso o agricultor.

EM RIBEIRÃO CLARO – Ribeirão Claro, no Norte Pioneiros, é um dos municípios com forte concentração de propriedades certificadas pelo Tecpar. Dos 27 agricultores que formam a Associação de Produtores Orgânicos (APO), 18 têm propriedades certificadas. No último ano, o volume de vendas chegou a R$ 450 mil, somadas as produções de todos os agricultores.

Para a presidente da APO, Maria Luizete Brambila, que também é produtora, a associação é uma forma de melhorar o trabalho de todos. “Na APO os produtores têm mais facilidade para comercializar os seus produtos e encaixar os alimentos produzidos no mercado”, diz ela.

Atualmente, os associados estão se organizando para que cada um possa produzir determinados itens, sem gerar concorrência entre eles. “Vamos nos dividir para que cada um produza e venda diferentes produtos. Além disso, logo vamos começar a fazer alimentos processados.”

A associação tem parceria com o Governo do Estado e os municípios para fornecer alimentos para a merenda escolar. Os produtos são comercializados, também, em feiras de Ribeirão Claro e junto a supermercados e restaurantes de cidades vizinhas, como Chavantes e Ourinhos.

A Emater dá assistência aos produtores na agricultura familiar e na certificação. O Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Sebrae apoiam com treinamentos aos produtores e na negociação com os mercados da região.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná.

Pequenos produtores vendem US$ 5 milhões na Biofach, na Alemanha

Os produtos da agricultura familiar ganharam mais uma vez o mercado internacional. Na última edição da Biofach, a maior feira de orgânicos do mundo, o volume de negócios realizados chegou a US$ 4,9 milhões, quase o dobro do que foi comercializado na edição de 2014 (US$ 2,5 milhões).

Segundo o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), Onaur Ruano, a participação brasileira no evento alemão promove a agricultura familiar enquanto abre mercado em outras nações.

“A feira é um espaço de visibilidade, onde o público pode conhecer e atestar a qualidade dos nossos produtos. Temos ainda o reconhecimento da imagem da nossa agricultura familiar, tanto fora como dentro do nosso país, como dinâmica, moderna e preocupada com o meio ambiente”, ressalta.

Estas características foram algumas das responsáveis para a participação exitosa na Biofach 2015. “A cada edição do evento, vemos crescimento da participação brasileira”.

Fonte: DCI/Agências

Alimentação escolar: orgânicos serão obrigatórios em São Paulo

A Lei que obriga a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar de alunos da rede municipal de ensino (Lei n. 16.140) da cidade de São Paulo, foi publicada no Diário Oficial no dia 18 de março. A medida voltada para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) terá implantação gradual e obrigará a apresentação dentro de 180 dias – a contar da data de publicação da Lei – de um “Plano de Introdução Progressiva de Alimentos Orgânicos ou de Base Agroecológica na Alimentação Escolar” pela Prefeitura de São Paulo, em conjunto com a sociedade civil organizada.

A lei viabilizará a aquisição de alimentos orgânicos prioritariamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações para composição das refeições, com preços diferenciados até 30% maiores em relação ao produto similar convencional. Para fornecerem os produtos, por sua vez, os produtores deverão constar no cadastro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além de estarem de acordo com a legislação federal vigente sobre o tema, possuírem certificação de órgãos competentes ou participarem de organizações de controle social (OCS). A lei também aceita a compra por meio de produtores em fase de transição agroecológica, o que é um importante estímulo e apoio à conversão de sistema produtivo para outros produtores convencionais.

“Só na cidade são oferecidas 2 milhões de refeições escolares por dia. O incentivo à produção orgânica e agroecológica para a promoção de uma alimentação saudável e sustentável em todo o município, feita por essa via, trará benefício direto para as crianças e também para os produtores rurais. É um grande avanço. Esperamos que a ação seja exemplo para muitos outros municípios” comemora Renata Amaral, pesquisadora em Consumo Sustentável do Idec.

Como membro da Plataforma de Agricultura Orgânica de SP e do MUDA-SP,  o Idec apoiou  todo o processo de aprovação da lei, participando inclusive de reuniões na Câmara dos Vereadores para pressionar pela aprovação do projeto.

Fonte: IDEC / EBC.

‘Sonho da Monsanto’: lei pró-transgênico chega ao congresso norte-americano

A batalha pelos organismos geneticamente modificados chegou ao Capitólio na quarta-feira quando foi divulgado que o representante republicano do Kansas, Mike Pompeo, irá reintroduzir uma lei que não permite que os estados exijam a rotulação dos transgênicos.

A legislação garante autoridade ao Secretário de Saúde e Serviços Humanos para decidir sobre a rotulação de transgênicos e estabelece padrões particulares para qualquer marca que contenha reclamações de que foram ou não usados transgênicos na produção de comida – dificultando quaisquer tentativas da Administração de Alimentos e Drogas de passar a lei em âmbito federal.

Além do mais, a lei impede qualquer requerimento local ou estadual e, desta maneira, iria anular leis existentes em Vermont, Connecticut e Maine – o que configura um ataque à soberania dos estados.

Ronnie Cummins, diretor internacional da Associação de Consumidores Orgânicos disse que a lei de Pompeo “não é somente anticonsumidor mas também antidemocrática e contra os direitos dos estados.”

Cummins continuou: “entendendo que estão perdendo a batalha no âmbito estadual para manter os consumidores no escuro sobre a sua comida ser ou não geneticamente modificada, a Monsanto e seus servos agora estão preparados para abolir as escolhas do consumidor e anular os direitos constitucionais dos estados de forma que continuem a nos alimentar – à força – com transgênicos.”

Chamando a lei de “sonho da Monsanto” Wenonah Hauter, diretora da Food & Water Watch, escreveu na quarta-feira: “aparentemente, a onda de progresso no âmbito estadual para com as rotulações de transgênicos deixou irritados os gigantes que vendem os GMOs ou que produzem comida processada com o ‘veneno’. Então, sua associação de mercado, a Associação dos Fabricantes de Alimentos, decidiu cortá-los desde o inicio orquestrando uma lei federal que não permita que os estados entrem no jogo da rotulação.”

A lei está sendo introduzida a menos de uma semana depois de a OMS ter dito que o químico glifosato, achado nos herbicidas fabricados pela Monsanto e Dow e usado amplamente nas plantações transgênicas, é  provavelmente cancerígeno.

Pesquisas mostram que mais de 90% dos consumidores acreditam que as comidas feitas com transgênicos deveriam ser rotuladas. Além disso, 64 países ao redor do mundo já têm leis que requerem a rotulação dos GMOs. “Apoiadores dessa lei estão tentando afastar essa informação básica de seus eleitores,” disse Scot Faber, vice presidente sênior de relações do governo para o Grupo de Trabalho Ambiental.

Críticos da lei prometeram uma luta e já estão circulando com petições pedindo aos legisladores que bloqueiem essa lei.

Também na quarta-feira, o Comitê de Agricultura Familiar coordenou um debate sobre leis mandatórias de rotulação de biotecnologia para discutir a emenda proposta que iria demandar federalmente a rotulação dos GMOs, a qual é apoiada por grupos de segurança alimentar e advogados anti-GMO, incluindo o chef Tom Colicchio.

Em uma teleconferência seguida do debate do Comitê da Agricultura, presidente da ‘Just Label It’ Gary Hirshberg disse que o incentivo contra a rotulação foi “uma tirania econômica sendo exercida por companhias que querem proteger o status quo.”

“Rotulação obrigatória dá opções aos consumidores.” Hirshberg adcionou que a lei Dark (como é chamada por seus críticos), “é realmente diabólica e enganosa. Faz parecer que os patrocinadores apoiam a transparência mas na realidade a evitam”.
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Fonte: Lauren McCauley – Tradução de Isabela Palhares (Carta Maior).

Grão Natural: Variedade de sabores para tornar sua Páscoa inesquecível


Variedade e riqueza de sabores, este é o diferencial da loja Grão Natural nesta Páscoa. São ovos, barras e bombons de chocolate e alfarroba, sem glúten, sem lactose e sem açúcar. Uma variedade para compor uma Páscoa inesquecível.

O objetivo da empresa, é trabalhar para a inclusão de todos, principalmente as pessoas portadoras de doença celíaca e intolerantes à lactose, excluídas muitas vezes de festividades e comemorações, devido a presença de muitos alimentos com glúten ou derivados de leite. Ao longo dos seus oito anos, a loja Grão Natural tem se especializado no cuidado a essas pessoas.

A doença celíaca é autoimune, hereditária e pode se manifestar em qualquer idade. Ela é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados. As pessoas que possuem essa doença, têm dificuldades de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água.

De acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), estudos internacionais apontam que 1% da população mundial é celíaca. No Brasil, os últimos levantamentos mostram que a doença afeta em torno de 2 milhões de pessoas, mas a maioria delas ainda está sem diagnóstico.

Outro problema sério ocorre com as pessoas intolerantes à lactose. As pessoas portadoras dessa doença nascem sem uma enzima que quebra a lactose (o açúcar do leite) ou porque deixam de produzi-la durante a vida, tanto devido ao envelhecimento, como por lesão no intestino. Assim, qualquer alimento que contenha derivado do leite, faz com que ela sinta náuseas, gases, inchaços ou mesmo diarreias. Pesquisas recentes mostram que 70% dos adultos sentem algum desses sintomas após consumir derivados de leite.

É com essa preocupação que Grão Natural está trazendo ovos de chocolate sem glúten e sem lactose ou ovos de alfarroba. A alfarroba é o fruto da alfarrobeira, uma árvore nativa do mediterrâneo, da qual se extrai a polpa, que é torrada e moída para a obtenção do pó, usado na substituição do cacau.

A alfarroba é considerada por muitos melhor que o cacau, pois além de não possuir glúten, nem lactose, tem menos gordura e açúcar. Enquanto o cacau possui até 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura. Além do ovo de Páscoa de alfarroba light, Grão Natural possui as variedade com banana ou com coco.

Fonte: Assessoria de Comunicação Grão Natural.

Monsanto: 25 doenças que podem ser causadas pelo agrotóxico glifosato

A Monsanto investiu no herbicida glifosato e o levou ao mercado com o nome comercial de Roundup em 1974, após a proibição do DDT. Mas foi no final dos anos 1990 que o uso do Roundup se massificou graças a uma engenhosa estratégia de marketing da Monsanto. A estratégia? Sementes geneticamente modificadas para cultivos alimentares que podiam tolerar altas doses de Roundup.

Com a introdução dessas sementes geneticamente modificadas, os agricultores podiam controlar facilmente as pragas em suas culturas de milho, soja, algodão, colza, beterraba açucareira, alfafa; cultivos que se desenvolviam bem enquanto as pragas em seu redor eram erradicadas pelo Roundup.

Ansiosa por vender seu emblemático herbicida, a Monsanto também incentivou os agricultores a usar o Roundup como agente dessecante, para secar seus cultivos e assim fazer a colheita mais rapidamente. De modo que o Roundup é usado rotineira e diretamente em grande quantidade de cultivos de organismos não modificados geneticamente, incluindo trigo, cevada, aveia, colza, linho, ervilha, lentilha, soja, feijão e beterraba açucareira.

Entre 1996 e 2011, o tão difundido uso de cultivos de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) Roundup aumentou o uso de herbicidas nos Estados Unidos em 243 milhões de kg – ainda que a Monsanto tenha assegurado que os cultivos de OGM reduziriam o uso de pesticidas e herbicidas.

A Monsanto falsificou dados sobre a segurança do Roundup e o vendeu para departamentos municipais de parques e jardins e também a consumidores como sendo biodegradável e estando de acordo com o meio ambiente, promovendo seu uso em valetas, parques infantis, campos de golf, pátios de escola, gramados e jardins privados. Um tribunal francês sentenciou que esse marketing equivalia a publicidade enganosa.

Nos quase 20 anos de intensa exposição, os cientistas documentaram as consequências para a saúde do Roundup e do glifosato na nossa comida, na água que bebemos, no ar que respiramos e nos lugares em que nossas crianças brincam.
Descobriram que as pessoas doentes têm maiores níveis de glifosato em seu corpo do que as pessoas sadias.

Também encontraram os seguintes problemas de saúde que eles atribuem à exposição ao Roundup e/ou ao glifosato:

1) TDHA: nas comunidades agrícolas, existe uma forte relação entre a exposição ao Roundup e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, provavelmente devido à capacidade do glifosato de afetar as funções hormonais da tireoide.

2) Alzheimer: no laboratório, o Roundup causa o mesmo estresse oxidativo e morte de células neurais observados no Alzheimer. Isso afeta a CaMKII, uma proteína cuja desregulação também foi associada à doença.

3) Anencefalia (defeito de nascimento): uma pesquisa sobre os defeitos no tubo neural de bebês cujas mães viviam em um raio de mil metros de distância de onde se aplicava o pesticida mostrou uma associação entre o glifosato e a anencefalia; a ausência de uma grande porção do cérebro, do crânio e do pericrânio formado durante o desenvolvimento do embrião.

4) Autismo: o glifosato tem um número de efeitos biológicos alinhados a conhecidas patologias associadas ao autismo. Um desses paralelismos é a disbiose observada em crianças autistas e a toxicidade do glifosato para bactérias benéficas que combatem bactérias patológicas, assim como a alta resistência de bactérias patógenas ao glifosato. Além disso, a capacidade do glifosato de facilitar a acumulação de alumínio no cérebro poderia fazer deste a principal causa de autismo nos EUA.

5) Defeitos de nascença: o Roundup e o glifosato podem alterar a vitamina A (ácido retinoico), uma via de comunicação celular crucial para o desenvolvimento normal do feto. Os bebês cujas mães viviam em um rádio de 1 km em relação a campos com glifosato tiveram mais que o dobro de possibilidade de ter defeitos de nascença segundo um estudo paraguaio. Os defeitos congênitos se quadruplicaram na década seguinte a que os cultivos com Roundup chegaram ao Chaco, uma província da Argentina na qual o glifosato é utilizado entre 8 e 10 vezes mais por acre do que nos EUA. Um estudo em uma família agricultora nos EUA documentou elevados níveis de glifosato e defeitos de nascença em crianças, tais como ânus não perfurados, deficiências no crescimento hormonal, hipospádias (relacionada à normalidade da abertura urinária), defeitos no coração e micropênis.

6) Câncer cerebral: em um estudo comparativo entre crianças sadias e crianças com câncer cerebral, os pesquisadores detectaram que, se um dos pais estivera exposto ao Roundup dois anos antes do nascimento da criança, as possibilidades de ela desenvolver câncer no cérebro dobravam.

7) Câncer de mama: o glifosato induz o crescimento de células cancerígenas no peito por meio de receptores estrógenos. O único estudo em animais a longo prazo de exposição ao glifosato produziu ratas com tumores mamários e reduziu a expectativa de vida.

8) Câncer: pesquisas de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrárias da Argentina nas quais o Roundup foi utilizado – conhecidas como cidades fumigadas – mostraram médias de câncer entre duas e quatro vezes maiores do que a média nacional, com altos índices de câncer de mama, próstata e pulmão. Em uma comparação entre dois povos, naquele em que o Roundup fora aplicado, 31% dos moradores tinham algum familiar com câncer, ao passo que só 3% o tinham em um povoado sem Roundup. As médias mais elevadas de câncer entre as pessoas expostas ao Roundup provavelmente surgem da reconhecida capacidade do glifosato de induzir danos ao DNA, algo que foi demonstrado em inúmeras pesquisas de laboratório.

9) Intolerância ao glúten e doença celíaca: peixes expostos ao glifosato desenvolveram problemas digestivos que são reminiscentes da doença celíaca. Existem relações entre as características da doença celíaca e os conhecidos efeitos do glifosato. Isso inclui desajustes nas bactérias das tripas, deslocamento de enzimas implicadas na eliminação de toxinas, deficiências minerais e redução dos aminoácidos.

10) Doença crônica nos rins: os aumentos no uso do glifosato poderiam explicar as recentes ocorrências de falências renais entre os agricultores da América Central, do Sri Lanka e da Índia. Os cientistas concluíram que, “embora o glifosato por si só não provoque uma epidemia de doença renal crônica, parece que ele adquiriu a capacidade de destruir os tecidos renais de milhares de agricultores quando forma complexos com água calcária e metais nefrotóxicos”.

11) Colite: a toxidade do glifosato sobre bactérias benéficas que eliminam a clostridia, assim como a alta resistência da clostridia ao glifosato, poderia ser um fator significativo na predisposição ao sobrecrescimento da clostridia. O sobrecrescimento da clostridia, especialmente da colite pseudomembranosa, foi comprovado como causa da colite.

12) Depressão: o glifosato altera os processos químicos que influem na produção da serotonina, um importante neurotransmissor que regula o ânimo, o apetite e o sono. O desajuste da serotonina é vinculado à depressão.

13) Diabetes: Os níveis baixos de testosterona são um fator de risco para o tipo 2 de diabetes. Ratos alimentadas com doses significativas de Roundup em um período de 30 dias, abrangendo o começo da puberdade, tiveram uma redução na produção de testosterona suficiente para alterar a morfologia das células testiculares e o início da puberdade.

14) Doença cardíaca: o glifosato pode alterar as enzimas do corpo, causando disfunção lisossomal, um fator importante nas doenças e falências cardíacas.

15) Hipotireoidismo: uma pesquisa realizada de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrícolas na Argentina nas quais se usa o Roundup encontrou médias mais elevadas de hipotireoidismo.

16) Doença inflamatória intestinal: o glifosato pode induzir a deficiência severa do triptófano, que pode levar a uma grave doença inflamatória intestinal que desajusta severamente a capacidade de absorver nutrientes por meio do aparato digestivo devido à inflamação, hemorragias ou diarreia.

17) Doença hepática: doses muito baixas do Roundup podem alterar as funções das células no fígado, segundo um estudo publicado em 2009 na “Toxicology”.

18) Doença de Lou Gehrig: a deficiência de sulfato no cérebro foi associada à Esclerose Lateral Amiotrófica. O glifosato altera a transmissão de sulfato do aparelho digestivo ao fígado, e poderia levar a uma deficiência de sulfato em todos os tecidos, incluindo o cérebro.

19) Esclerose múltipla: encontrou-se uma correlação entre uma incidência aumentada de inflamação de intestino e a Esclerose Múltipla. O glifosato poderia ser um fator causal. A hipótese é que a inflamação intestinal induzida pelo glifosato faz com que bactérias do aparelho digestivo se infiltrem no sistema circulatório, ativando uma reação imune e, como consequência, uma desordem autoimune, resultando na destruição da bainha de mielina.

20) Linfoma Não-Hodgkin: uma revisão sistemática e uma série de meta-análises de quase três décadas de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre o linfoma não-hodgkin e a exposição a pesticidas agrícolas concluiu que o linfoma de célula B tinha uma associação positiva com o glifosato.

21) Doença de Parkinson: os efeitos danosos dos herbicidas sobre o cérebro foram reconhecidos como o principal fator ambiental associado a desordens neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson. O início de Parkinson após a exposição ao glifosato foi bem documentado, e estudos em laboratório mostram que o glifosato provoca morte celular característica da doença.

22) Problemas na gravidez (infertilidade, morte fetal, aborto espontâneo): o glifosato é tóxico para as células da placenta, o que, segundo os cientistas, explicaria os problemas na gravidez de trabalhadoras agrícolas expostas ao herbicida.

23) Obesidade: uma experiência consistente na transmissão de uma bactéria do aparelho digestivo de um humano obeso para os aparelhos digestivos de ratos provocou obesidade nos ratos. Tendo o glifosato produzido uma mudança nas bactérias do aparelho digestivo de produtores de endotoxinas, a exposição ao glifosato poderia, dessa forma, contribuir com a obesidade.

24) Problemas reprodutivos: estudos de laboratório em animais concluíram que os ratos machos expostos a altos níveis de glifosato, tanto no desenvolvimento pré-natal ou da puberdade, padecem de problemas reprodutivos, incluindo o atraso na puberdade, a baixa produção de esperma e a baixa produção de testosterona.

25) Doenças respiratórias: as mesmas pesquisas com 65 mil pessoas na Argentina descobriram médias mais elevadas de doenças respiratórias crônicas.

Texto de Alexis Baden-Mayer, editor do Organic Consumers Fund.
Tradução de Daniella Cambaúva (Carta Maior).

Especialista dá dicas para prevenir o câncer

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) estão divulgando o tema “Qualidade de vida ao nosso alcance: Escolhas saudáveis para prevenir o câncer” para marcar a data de 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer.

A mudança de hábitos incentivada pela campanha, como optar pelo consumo de alimentos naturais, cessar o tabagismo, praticar atividades físicas regularmente, evitar exposição ao sol e substâncias cancerígenas e limitar o consumo de bebidas alcóolicas, é fundamental na prevenção do câncer.

Em entrevista, o nutricionista Fábio Gomes, do Inca, ressaltou as possibilidade de escolhas saudáveis na alimentação e deu dicas de como prevenir o câncer.
Confira:

- Qualquer tipo de câncer pode ser prevenido por meio da alimentação?

Fábio Gomes: Por enquanto, a gente sabe de alguns. São muitos tipos de cânceres diferentes e o que sabemos é que alguns estão relacionados com a alimentação. O que não significa que os outros que não foram estudados não estejam relacionados, mas eles ainda não foram estudados. Ainda há poucos estudos que relacionam o câncer cerebral, por exemplo. A alimentação está relacionada com a maior carga e volume de casos de cânceres no Brasil.

- De que forma a alimentação atua tanto na prevenção quanto para o aumento do risco de câncer?

Fábio Gomes: Há evidências muito claras de que carnes processadas e embutidas, como salsicha, linguiça, mortadela, blanquet de peru, que as pessoas veem como mais saudável, têm conservantes que, quando entram em contato com nosso suco digestivo no estômago, são transformadas em compostos cancerígenos e podem provocar modificações nas células do estômago e do intestino e fazem com que essas células se tornem células percussoras de câncer.

Além disso, a forma de preparar as carnes também pode influenciar. Independente do tipo de carne, quando você frita ou põe ela em uma chapa ou grelha em altíssimas temperaturas, também há a formação de compostos cancerígenos que aumentam os riscos de câncer. Quando as pessoas vão comer carne, peixe ou frango, que comam de forma cozida ou assada no forno.

O sal também é um fator de risco, principalmente para câncer de estômago. Desta forma, há uma associação de risco para outros alimentos, como os industrializados, que, em geral, são adicionados de muito sal para durarem mais. O consumo excessivo de alimentos industrializados vai aumentar o risco de câncer, tanto pelo excesso de sal, mas, também, por aumentar o risco do desenvolvimento de obesidade.

- Como seria um prato ideal e saudável?

Fábio Gomes: O prato varia muito de região para região, mas, como recomendação geral, a combinação do arroz e feijão tradicional ajuda muito.

Se a gente tiver metade do nosso prato com legumes e verduras e ¼ de arroz com feijão e outro ¼ de alguma carne, peixe ou frango, de preferência o peixe, que é o prato básico encontrado na alimentação brasileira, a gente estaria se alimentando muito bem.

O segredo é valorizar mais os alimentos de origem vegetal, menos os de origem animal e tirar do nosso dia a dia o máximo que a gente puder de alimentos industrializados, que são prontos para consumo ou prontos para aquecer.

Fonte: Portal Brasil.

Conheça oito alimentos que podem aumentar o risco de câncer

Veneno no copo

Maus hábitos alimentares estão diretamente relacionados com essa estatística. A vida moderna, cada vez mais agitada, dificultou o velho (e bom) hábito de preparar os próprios alimentos e deu lugar aos alimentos prontos para consumo ou de fácil preparo.

O nutricionista Fábio Gomes, do INCA, explica que muitos alimentos possuem fatores mutagênicos, ou seja, lesam as células humanas e alteram o material genético que existe dentro dela. “Esse processo leva a uma multiplicação celular muito maior do que o normal e, em consequência, pode aparecer um tumor”. Muitos desses alimentos não apresentam qualquer benefício à saúde e podem ser facilmente riscados do cardápio. Veja quais são e modere no consumo dos alimentos que predispõem a doença.

Carnes processadas

Linguiça, salsicha, bacon e até o peito de peru contêm quantidades consideráveis de nitritos e nitratos. Essas substâncias, em contato com o estômago, viram nitrosaminas, substâncias consideradas mutagênicas, capazes de promover mutação do material genético.

“A multiplicação celular passa a ser desordenada devido ao dano causado ao material genético da célula. Esse processo leva à formação de tumores, principalmente do trato gastrointestinal”, explica Fábio Gomes.

A recomendação do especialista é evitar esses alimentos, que não contribuem em nada com a saúde.

Refrigerantes

A bebida gaseificada, além de conter muito sal em forma de sódio, possui adoçantes associados ao aparecimento de câncer. O ciclamato de sódio, por exemplo, é proibido nos Estados Unidos, mas ainda é utilizado no Brasil, principalmente em refrigerantes “zero”. “Essa substância aumenta o risco de aparecimento de câncer no trato urinário”, conta Fábio Gomes.

Quanto aos adoçantes que podem ser adicionados à comida ou à bebida, o nutricionista diz que ainda não há comprovação científica. “O ideal é que o adoçante seja usado de forma equilibrada, pois é um produto destinado a pessoas com diabetes e não deve ser consumido em excesso pela população em geral”, aponta.

Alimentos gordurosos

Fábio Gomes explica que não é exatamente a gordura a principal responsável pelo aparecimento de câncer, e sim a quantidade de calorias que ela agrega ao alimento. A comida muito gordurosa é densamente calórica, ou seja, tem mais que 225 calorias a cada 100 gramas do alimento. “Por esses alimentos geralmente serem pobres em nutrientes, é preciso ingeri-los em grandes quantidades para obter saciedade, o que leva ao superconsumo”, conta o nutricionista do INCA.

Em excesso, esses alimentos provocam obesidade, que é fator de risco para câncer de pâncreas, vesícula biliar, esôfago, mama e rins. A célula de gordura libera substâncias inflamatórias, principalmente hormônios que levam a alterações no DNA e na reprodução celular, como o estrogênio, a insulina e um chamado de fator de crescimento tumoral.

Alimentos ricos em sal

“Se ingerido em quantidade maior do que cinco gramas por dia, o sal pode lesar as células que estão na parede do estômago”, explica o nutricionista Vinicius Trevisani, do Instituto do Câncer de São Paulo. Essa agressão gera alterações celulares que podem levar ao aparecimento de tumores.

Procure evitar alimentos ricos em sal ou mesmo aqueles que usam sal para aumentar o tempo de conservação, como os congelados e os comprados prontos que só precisam ser aquecidos.

Entram nessa lista: carne seca, bacalhau, refrigerantes, pizzas congeladas, iscas de frango empanadas congeladas, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, entre outros.

Churrasco

Na fumaça do carvão há dois componentes cancerígenos: o alcatrão e o hidrocarboneto policíclico aromático. “Ambos estão presentes na fumaça e impregnam o alimento que é preparado na churrasqueira”, explica Fábio Gomes. “Eles também possuem fatores mutagênicos que levam ao aparecimento de tumores.”

Dieta pobre em fibras

O nutricionista Vinicius Trevisani explica que o intestino se beneficia muito pelo consumo adequado de fibras. Elas garantem um bom trânsito intestinal, de modo a eliminar os ácidos biliares secundários, um produto da digestão presente no intestino. Isso evita a agressão às células do intestino e a multiplicação celular descontrolada.

Preparo com altas temperaturas

Alimentos fritos ou grelhados também incorporam algumas substâncias cancerígenas. Ao colocar o alimento cru em óleo ou chapa muito quentes (com temperatura aproximada de 300 a 400°C), são formadas aminas heterocíclicas – substâncias que contêm fatores mutagênicos e estimulam a formação de tumores.

O nutricionista Fábio recomenda preparar as carnes ensopadas – modo de cozimento em que não há nenhuma formação de aminas-, ou ainda prepará-las no forno. Dessa maneira, a temperatura do alimento aumenta gradualmente e não chega a níveis tão altos.

Alimentos com agrotóxicos

Não existe uma forma eficiente de limpar frutas, verduras e legumes dos agrotóxicos. “Muitas vezes, esses conservantes são aplicados nas sementes e passam a fazer parte da composição do alimento”, aponta Fábio Gomes. Ele explica que o agrotóxico provoca vários problemas de saúde em quem tem contato direto com esses alimentos, mas ainda está em estudo a sua real contribuição com o aparecimento do câncer.

Como ainda existem dúvidas sobre esses efeitos, o nutricionista orienta evitar opções ricas em agrotóxicos. É melhor consumir alimentos cultivados sem o produto químico, que comprovadamente têm mais vitaminas, minerais e compostos quimiopreventivos. “Estes compostos atuam na proteção e reparação celular frente a uma lesão que pode gerar câncer”, afirma.

Fonte: Minha Vida.

Seminário debate experiências agroecológicas de enfrentamento às mudanças climáticas em diferentes regiões semiáridas do mundo

O Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas, que teve início na quarta-feira (21), na sede do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em Campina Grande (PB), foi aberto com uma mesa composta pelo diretor do Instito Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), Ignacio Salcedo, Glória Araújo da coordenação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e por Ricardo Padilha, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Ignacio Salcedo ressaltou que a proposta do Instituto é trabalhar fortemente unido com os movimentos sociais, partindo da união entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento dos agricultores. Glória Batista, em sua fala destacou os acúmulos e conquistas da rede em seus 15 anos de existência, como a democratização do acesso à água, com um trabalho que vai além da construção de infraestruturas hídricas, que se conecta com as práticas e com o conhecimento dos agricultores, fortalecendo os processos de articulação territoriais existentes.

Já o representante da FAO lembrou que, para o órgão, 2014 foi o ano da agricultura familiar, e segundo ele, as iniciativas de fortalecimento desse modelo lançadas no ano passado, irão continuar. Ele destacou ainda que 2015 é o ano dos solos, que também tem relação direta com o tema da construção da resiliência e com o combate à desertificação e que seminários como este têm um papel muito grande na articulação de atores e redes que atuam no enfrentamento aos afeitos das mudanças climáticas e à desertificação.

Painel
A mesa de abertura antecedeu o painel ‘Construção da resiliência agroecológica e reversão da desertificação no contexto de mudanças climáticas: experiências e aprendizados em regiões semiáridas’, que contou com a participação dos convidados internacionais Clara Inés Nicholls, coordenadora geral da Rede Iberoamericana de Agroecologia para o Desenvolvimento de Sistemas Agrícolas Resilientes e Mudanças Climáticas (Redagres) e de Souleymane Cissé, representante da ONG senegalesa IED – Afrique (Inovação, Meio Ambiente e Desenvolvimento), além de Luciano Silveira, da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e da ASA.

Souleymane Cissé foi o primeiro a falar. Após a contextualização da região conhecida como Sahel, uma faixa de mais 5.000km de extensão, situada na África Subsaariana, entre o oceano Atlântico e o Mar Vermelho, passando por partes de países como Mali, Senegal, Níger, Chade, Mauritânia, Burkina Fasso, Gâmbia e Camarões. Segundo o senegalês, apesar da região ter um clima bastante vulnerável, de 80 a 90% da atividade agrícola é formada pela agricultura familiar, que é responsável por 60% da alimentação produzida.

Souleymane afirmou que as secas severas que a região enfrentou, principalmente entre os anos 60 e 90, foram responsáveis por uma degradação de 67% das terras. As mudanças climáticas também vêm afetando a estabilidade alimentar, em 2013 a desnutrição atingiu 16 milhões de pessoas e gerou prejuízos de 9 bilhões. Para o convidado africano, comparando as realidades do seu país e do Brasil, ele considera que o contexto brasileiro é muito mais favorável para a agroecologia: “as pessoas e os governos compreendem melhor o significado da agroecologia e ela está mais bem estruturada enquanto sistema do que na África”, avalia.

Uma das semelhanças que ele identificou entre as duas regiões semiáridas foi que a agroecologia vem sendo desenvolvida e encarada como um movimento pelas redes de promoção. Souleymane apresentou em sua exposição um conjunto de experiências tradicionais que têm sido resgatadas pelas famílias agricultoras que têm tido uma excelente resposta aos problemas enfrentados, incluindo a redução do exôdo rural de jovens para países europeus.

Clara Nicholls, colombiana e coordenadora da Redagres, falou sobre o impacto das mudanças climáticas em diversas partes da América Latina, com os fenômenos do El niño (seca) e La ninã (inundações e deslizamentos). De acordo com a pesquisadora, os estudos mostram que os pequenos agricultores, que menos causam, são os que mais sofrem com os efeitos destes fenômenos. Outra observação é que, em diversos casos pesquisados, como a de uma família de agricultores cubanos, os sistemas agroecológicos se mostraram muito mais eficientes do ponto de vista energético do que os sistemas convencionais, que gastam mais energia e produzem menos, principalmente por terem baixa capacidade de resistirem a períodos secos e só apresentarem boa produtividade com uma grande quantidade de água, insumos e energia.

Clara criticou as pesquisas que trazem prognósticos ambientais, por desconsiderarem o conhecimento das populações locais: “Elas sempre olham para o futuro, nunca olham lá atrás para saber como os ancestrais superaram estas mudanças e minimizaram as perdas. A agroecologia não trabalha com receitas prontas, mas com princípios e com aprendizagem mútua”, disse. A pesquisadora lembrou que é preciso também considerar nos estudos a resiliência sociológica, humana, pois a agroecologia é socialmente e politicamente produtiva, do ponto do vista da geração da autonomia e da capacidade de recomposição.

Luciano Silveira, coordenador da AS-PTA e representante da ASA Brasil, fez uma contextualização sobre a região semiárida brasileira, que tem uma extensão de mais 1 milhão de metros quadrados e 1,7 milhão de famílias agricultoras, o que representa 35% do contingente da agricultura familiar do país. Luciano lembrou que o processo histórico de ocupação da região tem sido marcado pela concentração do acesso aos recursos como a água e a terra, em um modelo centrado na agricultura para exportação e em um padrão de desenvolvimento predatório dos recursos naturais. As soluções propostas eram pensadas na lógica do ‘combate à seca’. Todo esse quadro, segundo o painelista, levou ao aprofundamento de relações de dependência e subordinação das populações locais.

Luciano explicou que a estratégia da ASA foi a da descentralização do acesso aos recursos, e nesse sentido, a água seria o primordial deles. Segundo ele, a entrada da água a partir da construção das infraestruturas hídricas, a valorização da inserção social e econômica das mulheres e a participação ativa das comunidades, trouxeram impactos múltiplos e fizeram com que as famílias envolvidas nessa dinâmica atravessassem os últimos períodos de seca com muito mais tranquilidade. Nos seus 15 anos de existência, a ASA já sistematizou 1.500 experiências e realizou mais de 1.300 intercâmbios com o envolvimento de 34 mil agricultores e agricultoras. Ele afirmou que a parceria da ASA com o Governo Federal é um caso emblemático de que as políticas públicas podem vir de baixa pra cima, em um cenário onde é preciso se repensar a construção das políticas.

As experiências trazidas pelos palestrantes foram pontos de reflexão para a parte da tarde, dedicada ao debate dos resultados preliminares da Pesquisa ASA-INSA, realizada desde 2012, em todos os estados do Semiárido brasileiro.

O Seminário Internacional Construção da Resiliência Agroecológica em Regiões Semiáridas, segue até esta sexta-feira (23) com a realização de visitas de campo, trabalhos de grupo, debates e a abertura de uma exposição fotográfica. A iniciativa é da ASA, do Insa e do Projeto Terra Forte e seus parceiros, cofinanciado pela União Europeia.

Por Áurea Olimpia Figueiredo Rêgo, AS-PTA/EcoAgência.

Mercado de Orgânicos deve crescer 35% no Brasil

O Projeto Organics Brasil, desenvolvido pelo Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), confirma para 2014 um crescimento acima do registrado no ano passado. Tendo como base o faturamento de 2013, análises com órgãos de varejo e acompanhamento de grandes redes, as estimativas indicam que o mercado de produtos orgânicos deve crescer em torno de 35% neste ano – contra os 22% de 2013 – e faturar R$2 bilhões.

Segundo Ming Liu, coordenador-executivo de Projetos do IPD, o mercado de produtos saudáveis vem crescendo a cada dia, tanto no exterior como no Brasil, e os orgânicos têm grande destaque nesse nicho. “O Brasil ainda tem muito para crescer, mas o setor só ganhou espaço em nível mundial devido à mudança de comportamento dos consumidores e à regulamentação de orgânicos no Brasil, o que, consequentemente, abriu espaço para maior produção”, avalia.

O coordenador do IPD destaca, ainda, que o segmento de orgânicos registrou faturamento mundial de US$64 bilhões no ano passado. A principal parcela desse montante corresponde aos Estados Unidos, que faturaram US$35 bilhões no período, seguidos pela Alemanha (US$7 bilhões) e pelo Canadá (US$4,4 bilhões).

Matéria produzida por Cinthia Andruchak Freitas, Epagri/GMC, para a revista Agropecuária Catarinense de novembro/2014.

Fonte: Santa Catarina 24h.

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